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Leishmaniose, um problema para cães e humanos

Associada anteriormente ao meio rural, nos últimos anos a doença vem avançando para as cidades

12 de Agosto de 2019 - 12h30 Corrigir A + A -
Vetor. Transmitida por mosquitos, os cachorros são apenas o reservatório do parasita. (Foto: Divulgação - DP)

Vetor. Transmitida por mosquitos, os cachorros são apenas o reservatório do parasita. (Foto: Divulgação - DP)

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o Brasil está entre os cinco países que detêm 90% dos casos de leishmaniose visceral no mundo. A transmissão ocorre quando mosquito palha, birigui ou cangalhinha picam cães e depois humanos. No último sábado foi celebrado o Dia Nacional de Combate à Leishmaniose Visceral Canina (LVC), a doença que está entre as seis endemias prioritárias do mundo, segundo o Ministério da Saúde.

Até então vista como uma doença rural e restrita à região Nordeste até a década de 1980, a leishmaniose visceral está avançando para as áreas urbanas e hoje encontra-se em todas as grandes regiões do Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos três anos, houve quase dez mil casos humanos registrados no país, sendo que, para cada caso, estima-se 200 cães infectados. Se não tratada, a doença pode ser fatal em até 90% dos casos humanos.

Dificuldade no diagnóstico
Em ambos os casos, os sintomas são poucos específicos, dificultando o diagnóstico que é realizado apenas através de exames laboratoriais. “Os veterinários que não convivem com a doença podem demorar a associar os sintomas e - consequentemente - adiando o tratamento”, comenta Ricardo Cabral, veterinário. Os principais sintomas em humanos são baço e fígado inchados, além de fraqueza e febre longa. Já os cães apresentam apatia, descamações na pele, quedas de pelos, emagrecimento, lacrimejamento nos olhos e crescimento anormal das unhas.

Combate ao transmissor
Ao contrário do que muitos pensam, o cão não transmite a doença para os humanos diretamente. “Ele é apenas o reservatório do parasita e a transmissão depende sempre da presença do mosquito vetor”, explica Cabral.

Portanto, a principal ação preventiva é conter a proliferação dos insetos. “Essa espécie prolifera-se em regiões úmidas e com depósitos de lixo a céu aberto (locais com muita matéria orgânica).”

Tem tratamento!
O tratamento para leishmaniose visceral humana já é bastante difundido no país, demandando intervenção por medicamentos e acompanhamento clínico por até 12 meses.

Já a leishmaniose visceral canina, que antes era uma sentença de morte para os cães infectados, hoje pode ser tratada. Em 2017, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aprovou o único medicamento para tratamento da doença, de uso exclusivo para cães: o Milteforan.

O tratamento promove melhora clínica, redução da carga parasitária, recuperação imunológica, além de evitar a transmissão da doença, caso o cão seja picado pelo vetor. “Ele é feito por 28 dias seguidos, e os animais devem ser monitorados a cada quatro meses, pois um novo ciclo pode ser reiniciado se necessário. Por isso, é muito importante que os médicos veterinários e proprietários de cães infectados assumam a responsabilidade de reavaliar e de retratar os pets. A doença não tem cura definitiva e os cuidados são para a vida toda!”, explica Cabral.

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