Alerta

Lagoa dos Patos tem micropartículas de plástico

Pesquisa do curso de Engenharia de Materiais da UFPel revela a contaminação na área de Pelotas

10 de Outubro de 2019 - 10h01 Corrigir A + A -
Ser humano pode sofrer consequências (Foto: Paulo Rossi - DP)

Ser humano pode sofrer consequências (Foto: Paulo Rossi - DP)

Animais aquáticos podem morrer em casos de ingestão (Foto: Paulo Rossi - DP)

Animais aquáticos podem morrer em casos de ingestão (Foto: Paulo Rossi - DP)

Uma pesquisa do curso de Engenharia de Materiais da UFPel comprovou a existência de micropartículas de plástico nas águas da Lagoa dos Patos, em Pelotas. O estudo foi realizado pelo estudante Pedro Santaliestra, sob orientação da professora Fabiula de Sousa.

De acordo com o estudante, é importante entender a origem do problema. "Não era para existir plástico em águas de mares, rios, lagos e oceanos, e se ele lá está é porque alguém o colocou. Desta forma, este tipo de contaminação é resultado da disposição inadequada de materiais plásticos após o seu uso", explica.

A professora comenta ainda que o problema das micropartículas de plástico nas águas, aquelas de tamanhos menores que cinco milímetros, não se encerra na sua existência. As consequências que acarretam ao meio ambiente e à saúde da população são muito sérias e, por isso, são consideradas um tipo de contaminação.

Micropartículas
As micropartículas possuem duas origens principais, primária e secundária. A primária é constituída principalmente por materiais já produzidos na escala de tamanho de micropartículas, como é o caso de glitter, microesferas plásticas usadas em produtos de higiene e beleza, como em sabonetes esfoliantes e pastas de dentes, por exemplo, e pellets que são utilizados nas indústrias de processamento de polímeros para produzir diversos produtos acabados, como sacolas plásticas e embalagens em geral.

Já a secundária é resultado da degradação natural dos polímeros, os quais vão se quebrando em pedaços menores durante a degradação, e ainda as partículas liberadas de roupas de tecidos sintéticos durante o processo de lavagem. No caso das micropartículas provenientes da lavagem de roupas e de produtos de higiene e beleza, devido ao tamanho reduzido, elas não conseguem ser retidas nas estações de água e esgoto das cidades, indo direto aos leitos de água.

Já nos demais casos trata-se, conforme citado anteriormente, de disposição final inadequada, sendo que a grande maioria dos materiais plásticos é passível de ser reciclada.

Alerta
O grande perigo são as consequências dessas micropartículas, acumuladas nas cadeias alimentares e ingeridas pelos humanos através da ingestão principalmente de peixes, sal marinho e água, até mesmo a mineral. A ingestão de plásticos por aves e animais marinhos acarreta mortes, podendo causar até mesmo extinção de espécies, já que materiais plásticos não são digeridos pelo organismo, sobrecarregando o sistema digestivo. Ainda, devido ao seu tamanho, tais partículas possuem grande área superficial, fazendo-as capazes de absorver diversos tipos de agentes contaminantes, como agrotóxicos, petróleo, dentre muitos outros materiais perigosos à saúde.

De acordo com os pesquisadores, há provas de que ingerimos tais materiais é já foram encontradas micropartículas em fezes humanas, no entanto são necessários estudos para a verificação de suas consequências à saúde humana, mas já se sabe que o problema não é tanto sua presença no corpo humano, mas o que ela carrega consigo.

Uso do plástico
Dessa forma, o estudo alerta a população para que repense o uso de produtos plásticos, principalmente os de uso único, e para que a população faça seu papel de cidadão ao separar corretamente os resíduos produzidos diariamente e procure encaminhá-los à coleta seletiva da cidade.


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