Clima

La Niña demanda atenção dos produtores

Os prognósticos apontam chuvas abaixo da média, o que preocupa os agricultores

28 de Outubro de 2020 - 14h22 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Parreirais da Serra sofrerão impactos das chuvas abaixo da média (Foto: Divulgação - DP)

Parreirais da Serra sofrerão impactos das chuvas abaixo da média (Foto: Divulgação - DP)

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e a Embrapa Uva e Vinho divulgaram a Edição de outubro do Boletim Agrometeorológico da Serra Gaúcha, com uma avaliação das condições meteorológicas ocorridas em agosto e setembro, além do prognóstico climático associado a recomendações fitotécnicas para vinhedos e pomares até dezembro.

Segundo Amanda Heemann Junges, agrometeorologista e pesquisadora da Seapdr, os prognósticos climáticos indicam que a primavera 2020 será marcada pela ocorrência do fenômeno La Niña, o que requer especial atenção por parte dos produtores em função das chuvas abaixo da média.

Para o fitopatologista Lucas Garrido, da Embrapa Uva e Vinho, é importante realizar o controle do míldio, especialmente durante o período de floração, em regiões mais baixas ou com formação de orvalho. A redução das chuvas também trará alguns benefícios, com uma previsão de redução da incidência de antracnose, míldio e escoriose. Por outro lado, irá favorecer a ocorrência do oídio.

O uso de cobertura verde ou morta para garantir a umidade do solo e o uso de irrigação, com especial atenção à real necessidade, bem como da quantidade de água a ser aplicada, são algumas das recomendações apontadas pelos especialistas a serem consideradas pelos produtores para minimização de eventuais perdas.

Clique aqui e confira a edição completa do mês de outubro.

Destaques da edição

  • O inverno de 2020 foi ligeiramente mais quente do que a média, com temperaturas médias mensais acima da média histórica em junho e agosto, e abaixo da média histórica em julho. Mesmo assim, o número de horas de frio ocorridas de abril a setembro foram adequadas para a superação da dormência e brotação das frutíferas de clima temperado na região da Serra;  

  • Durante o inverno (trimestre junho-julho-agosto), foi possível a reposição de água nos solos, rios, lagos e açudes em função da elevada quantidade de chuvas. Em Veranópolis, por exemplo, a chuva ocorrida no inverno foi quase duas vezes a média histórica dessa estação do ano;

  • Com a ocorrência do fenômeno La Niña na primavera 2020, são esperadas chuvas abaixo da média nos meses de outubro e novembro. Apesar dos valores de chuva mais próximos da média em dezembro, estão previstas temperaturas do ar elevadas, as quais aumentam a evapotranspiração das plantas;

  • Diante dos prognósticos climáticos, que tendem a favorecer a polinização e a frutificação efetiva, é recomendada a prática de raleio para o ajuste de carga e garantia da qualidade final da fruta;

  • Com a primavera mais seca, atenção aos ataques de ácaros e mosca-da-fruta. Na videira, há previsão de uma redução de ocorrência de míldio, antracnose e escoriose, mas aumento do oídio nas cultivares europeias e híbridas;

  • Em função das chuvas abaixo da média, é importante manter a cobertura vegetal ou cobertura morta para garantir a conservação do solo e promover maior armazenamento de água;

  • As oscilações térmicas no final de julho e agosto de 2020 estimularam a brotação precoce de algumas cultivares precoces, como as uvas Chardonnay ou os pêssegos Chimarrita, o que ocasionou perdas por geadas em algumas propriedades. Nesse caso, os especialistas orientam uma avaliação dos locais afetados pelas geadas e a possível troca por cultivares com brotação tardia para evitar as perdas em safras futuras.

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