Ensino

Khan Academy ressignifica a matemática

Plataforma gratuita de ensino estimula o aprendizado de forma lúdica, interativa e tecnológica

22 de Fevereiro de 2020 - 10h29 Corrigir A + A -
Na Arthur de Souza Costa a ferramenta está disponível aos alunos (Foto: Michel Corvello - Ascom)

Na Arthur de Souza Costa a ferramenta está disponível aos alunos (Foto: Michel Corvello - Ascom)

“Ficou bem melhor aprender Matemática dessa forma e as minhas notas melhoraram bastante assim que comecei a entender mais o conteúdo.” A maior afinidade com uma das disciplinas mais temidas pela maioria dos estudantes é destaque no relato de Otávio Pinto, aluno do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ministro Arthur de Souza Costa. O educandário da Cascata, 5º distrito, é um dos 32 da rede municipal onde o Khan Academy - plataforma on-line e gratuita de aprendizagem - foi implantado pela prefeitura, e é a ele a quem o jovem atribui a melhora no ensino.

Em 2019, cerca de 4,9 mil alunos tiveram acesso à ferramenta de ensino. Neste ano, 246 turmas da rede municipal terão a metodologia em suas rotinas. Na escola da colônia, a iniciativa existe desde 2016, quando o município instalou o laboratório de informática, com internet, 30 computadores e outros equipamentos tecnológicos. Neste ano, 138 alunos, do 4º ao 9º ano da Emef, terão ao seu alcance, duas vezes por semana, o estudo da Matemática de forma mais divertida, atrativa, lúdica e individualizada.

De cara nova

O professor referência do laboratório, que também leciona a disciplina, Maurício Lange, explica que as tarefas são recomendadas de forma particularizada para cada aluno, de forma a respeitar o seu nível de aprendizado e o tempo para avançar no conteúdo, o que estimula a autonomia das crianças e dos adolescentes. De acordo com ele, o Khan é uma importante ferramenta para transformar o relacionamento dos estudantes com a disciplina, uma vez que aproxima a teoria da prática vivenciada por eles fora da escola.

“Como os exercícios são ilustrados, apresentam gráficos e tabelas, os alunos se habituam com o que vão se deparar diariamente em suas vidas, diminuindo o distanciamento entre o que é trabalhado dentro das escolas e aquilo que encontram no cotidiano”, acredita Lange.

A prova disso está não só nas notas - que melhoraram significativamente -, mas na apropriação e, sobretudo, na forma de enxergarem os conteúdos. Manuele Salvador, do 8º ano, assinala que a matéria se torna bem mais atrativa ao utilizar o sistema, considerando a dinamização das tarefas, que apresentam vídeos, dicas e avaliações imediatas, que incentivam a interação. “Muitas vezes não consigo prestar atenção em sala de aula, mas com as ferramentas do Khan facilita muito”, diz.

Mais interpretação

Lange destaca como ponto positivo a característica multidisciplinar do projeto, já que é possível conciliar o estudo da Matemática com o de outras áreas, como Ciências e Informática. A ressignificação da postura dos jovens em relação à disciplina é assinalada por ele. “A forma de se relacionar muda, já que a plataforma estimula bem mais a interpretação, o desenvolvimento intelectual e a criação de estratégias para resolver os cálculos e não reforça aquela mecanização e memorização que, culturalmente, têm na matemática”, frisa.

A forma mais divertida de solucionar os problemas aritméticos é uma aliada na hora de estudar para as provas, uma vez que os alunos podem acessar o sistema de casa, com seu login e senha, como lembra Taísa, do 9º ano. A diretora Márcia Bender salienta o apoio da Secretaria de Educação e Desporto para manter o laboratório em bom estado, com internet de qualidade. Também comemora o bom desempenho dos estudantes com o uso da ferramenta on-line. “Eles ficam bem mais motivados”, acrescenta.

Acompanhamento de perto

Além do professor referência do laboratório, todas as turmas são acompanhadas pelo professor titular da disciplina na hora do Khan, auxiliando na realização dos exercícios. Eles também têm acesso à evolução de cada aluno no sistema, de forma a identificar suas maiores fragilidades e preparar atividades que colaborem para o domínio do conteúdo.

O professor Lange aponta o ganho na socialização da turma, a troca de experiências e a inclusão de alunos mais retraídos, como outros pontos positivos. Buscando reconhecer a dedicação dos participantes, a escola lançou, há três anos, o Emaskhan - prêmio anual. “Não premiamos quem soma mais pontos, mas quem demonstra a maior evolução, a fim de valorizá-los e estimulá-los”, explica.

“É divertido sair da rotina”

Os estudantes Bruno Silva, Gustavo Costa e Luís Pinto, do 8º e 9ª ano, indicam a oportunidade de utilizar outros recursos para aprender a disciplina, sem ficarem restritos apenas à sala de aula, tornando a aprendizagem mais prazerosa. “É muito divertido poder sair da rotina”, conta Gustavo. De acordo com Luís, que afirma ter passado por dificuldades na Matemática em outros anos, a possibilidade de sanar dúvidas na própria plataforma auxilia na compreensão. “Minhas notas melhoraram muito. Não era tão bom quanto sou agora”, argumenta Bruno.

Saiba mais sobre o Khan

No Brasil, é a Fundação Lemann dá assistência técnica às escolas e às instituições que aderem a essa metodologia.

Em Pelotas, ela é utilizada especificamente para o ensino de Matemática nas Emefs.

A escola Francisco Caruccio e o Colégio Pelotense receberam, de forma pioneira, o projeto em 2014. De lá para cá, foram implementadas mais 30 salas de informática com acesso à internet e a possibilidade de aulas com um aluno por computador.

Os exercícios propostos pelo programa vão de acordo com a capacidade de cada aluno, aumentando a complexidade conforme a sua aprendizagem. O professor acompanha o processo de ensino da turma, identificando a situação individual de cada componente. Os estudantes possuem uma conta dentro do Khan, que pode ser acessada de qualquer computador ou celular com internet.

A Emef Ministro Arthur de Souza Costa, na BR-192, km 87, tem 238 alunos matriculados em 2020, de pré a 9º ano. Em 2016, 57 alunos participaram do Khan; em 2017, foram 124; em 2018, 136; e em 2019, 154.


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