Inverno 2022

Inverno marcado por frio intenso e estiagem

Projeção para a estação que inicia hoje aponta falta de chuva na região e temperaturas extremas pela presença do La Niña

21 de Junho de 2022 - 12h07 Corrigir A + A -

Por Victoria Fonseca
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O frio intenso que atingiu o estado mais cedo este ano e que deverá estar presente durante grande parte do inverno, na Zona Sul também será acompanhado pela estiagem (Foto: Jô Folha - DP)

O frio intenso que atingiu o estado mais cedo este ano e que deverá estar presente durante grande parte do inverno, na Zona Sul também será acompanhado pela estiagem (Foto: Jô Folha - DP)

Nesta terça-feira (21), a partir das 6h14min, começou oficialmente o inverno. Este ano, por conta da influência do fenômeno climático La Niña, as temperaturas e a frequência de chuvas serão diferenciadas. As previsões indicam que estação deve ser marcada por dias mais gelados em comparação aos últimos anos e com precipitação abaixo da média histórica na Metade Sul do Estado.

Atuando no país desde o ano passado, há algumas décadas que o La Niña, ocorrência que causa o resfriamento em grande escala do oceano Pacifico Equatorial, não apresentava uma intensidade atípica para esta época do ano. A persistência do fenômeno poderá causar episódios de dias de frio extremo, com registros abaixo de zero e possibilidade neve, além de maior frequência de geadas contínuas. Fatores que farão a estação ser ainda mais fria do que em anos anteriores. No sul e no oeste do Estado, a condição climática deve ser um agente que dará continuidade à estiagem.

De acordo com a meteorologista Estael Sias, geralmente as menores marcas de temperatura acontecem em junho e julho em razão das noites serem mais longas, convertendo um ambiente mais favorável ao frio intenso. Ela aponta que em agosto e setembro ainda haverá incidências com registros de temperaturas abaixo de cinco graus. Frio que pode se estender e chegar a esta marca até mesmo na segunda metade de setembro.

A meteorologista aponta também a possibilidade da estação apresentar mudanças bruscas de temperatura durante o dia, condição que pode favorecer a formação de tempestades mais frequentes no Estado. "Com o La Niña, a tendência é de geada tardia, o que aumenta o contraste térmico e os riscos de temporais com raios, granizo e vendavais", explica Estael.

Inverno e a produção agropecuária na Zona Sul
O frio intenso que atingiu o Rio Grande do Sul mais cedo este ano e que deverá estar presente durante grande parte do inverno traz seus prós e contras no campo, favorecendo algumas culturas e prejudicando outras. Na Zona Sul, o maior beneficiado com o clima gelado é o pêssego. Parreiras, nogueiras-pecã e as oliveiras também estão entre as que se dão bem com as baixas temperaturas. Além disso, a combinação de frio e estiagem é ótima para as plantações de trigo. "A seca e as temperaturas baixas são uma combinação ótima para o cultivo de trigo. Aqui na região nós já temos 20% da produção semeada. A previsão é que sejam 17 mil hectares do grão", aponta o engenheiro agrônomo da Emater Evair Ehlert.

Dependendo do nível de frio, entre as produções que poderão ser prejudicadas está a do morango por conta da queima das flores. Além da fruta, outro que pode ser atingido é o cultivo de hortaliças, igualmente danificadas em sua fase de desenvolvimento e com a queima das folhas.

O frio e a seca não são preocupação apenas dos agricultores, mas também dos pecuaristas. Segundo Ehlert, a seca já vem deteriorando as pastagens de alimentação de gado. "Estamos com os campos nativos com a pastagem toda queimada." Além disso, o engenheiro agrônomo alerta que, se houver muitos episódios de temperaturas extremamente baixas e de geadas, a pastagem plantada para o inverno terá seu desenvolvimento retardado, aumentando o custo na produção.

"Essas duas condições começam a afetar o alimento de qualidade para os rebanhos, seja ele a pecuária de corte ou a leiteira. Com a pastagem prejudicada mais o produtor tem a necessidade complementar a alimentação do gado com rações, fenos e silagens, tornando mais cara a produção."

 


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