Longe de casa

Incertezas no retorno

Estudantes em mobilidade acadêmica da UFPel seguem na Colômbia, sem previsão de volta

23 de Maio de 2020 - 09h01 Corrigir A + A -
Colômbia anunciou esta semana que voos internacionais podem ser suspensos até o fim de agosto (Foto: Reprodução)

Colômbia anunciou esta semana que voos internacionais podem ser suspensos até o fim de agosto (Foto: Reprodução)

Um grupo de cinco estudantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) permanece na Colômbia, sem perspectiva de retorno. Em mobilidade acadêmica, eles estão se encaminhando para o final dos respectivos semestres, o que pode representar também a interrupção no recebimento de bolsas que contribuem à permanência no país. Nesta semana, o anúncio de que a suspensão dos voos internacionais na Colômbia poderá ir até 31 de agosto trouxe ainda mais incertezas.

A data de retorno de Paula Mussi, que está no terceiro semestre do curso de Hotelaria, ao Brasil estava marcada para o dia 12 de junho, mas o voo foi cancelado e a estudante não conseguiu remarcar. Morando na cidade de Tunja em uma casa com outros cinco intercambistas, entre eles duas brasileiras, ela teme permanecer no país após o encerramento das bolsas. “Nós estamos recebendo auxílio-alimentação e moradia, e essas bolsas estão prestes a acabar, com isso a maioria não tem como manter as suas despesas sem esses auxílios aqui na Colômbia”, afirmou a estudante.

Na cidade de Villavicencio, Andreza Bitttencurt estuda Engenharia Ambiental na Universidade Santo Tomás. “A minha situação aqui é bem crítica, pois meu contrato com a USTA acaba dia 6 de junho, no máximo até dia 9 terei auxílio-moradia, o último auxílio-alimentação recebi no início de maio”, conta. Em conversas, eles afirmam que uma possível extensão dos auxílios também já foi descartada pelas universidades, que recomendaram pelo retorno ao Brasil. “Não há qualquer previsão de voo para repatriação ou auxílio para nossa permanência aqui até o fim da emergência sanitária, o que nos põe em um estado de total vulnerabilidade, aponta Luísa Vareira, estudante de Ciências Biológicas que está em Bogotá. Ela afirma que já recebeu a última parcela do auxílio moradia e que a partir do próximo dia 5 terá que utilizar recursos do próprio bolso para permanecer no local onde reside. O encerramento do seguro médico/viagem também é outra preocupação dos estudantes, que poderão ficar sem assistência caso não o renovem, o que demandaria mais um custo.

Outros dois estudantes da UFPel permanecem na capital colombiana, na Universidade Nacional da Colômbia. Um deles é Bruno Oliveira, que realiza o estágio obrigatório no curso de Agronomia. Ele conta que não recebe auxílios e vêm conseguindo se manter, mas demonstra preocupação quanto às incertezas em relação à volta para o Brasil, que estava programada para o final de julho. “A maioria das passagens dos nossos colegas foram canceladas porque o aeroporto não estaria aberto até o final da emergência sanitária”, declarou.

Nesta semana, o presidente da Colômbia, Iván Duque Márquez, anunciou a extensão do período de Emergência Sanitária no país que seria encerrado em 31 de maio, até 31 de agosto. Além disso, prorrogou o isolamento preventivo obrigatório até o final de maio. As fronteiras no país também permanecem fechadas pelo menos até o final de junho, mas segundo veículos de comunicação colombianos, a ministra dos Transportes, Angela Maria Orozco, declarou em uma rádio local que a interrupção dos voos internacionais e das fronteiras terrestres deve permanecer até o final de agosto.

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Mais de 40 estudantes de todo o país

Ao todo, mais de 40 brasileiros de todas as regiões do Brasil também estariam em situações semelhantes em solo colombiano, segundo Paula. “Estamos em mobilidade acadêmica desde o início do ano, e nesse tempo não havia pandemia, estava tudo normal, ninguém imaginava que poderia acontecer isso”. Uma carta também já foi enviada para a Embaixada brasileira em Bogotá, solicitando um voo de repatriação humanitária. Em resposta, no entanto, não foram citadas previsões de novas datas. O valor cobrado pelo voo é outra das dificuldade salientada pelos estudantes. “O valor desse voo humanitário é de 450 dólares, e a maioria não tem condição de pagar”, afirma Paula, destacando que a solução seria um voo gratuito.

O coordenador de Relações Internacionais da UFPel, Max Cenci, afirmou que mantêm contato com os estudantes e também com as instituições colombianas, de modo a tentar uma prorrogação do auxílio até que haja um voo de retorno ou repatriação. Além disso, afirma que vem articulando com outras universidades brasileiras, consulado, Ministério das Relações Exteriores e outros órgãos, a disponibilização de voos para que os estudantes retornem. “Essas são as ações que podem e vem sendo feitas”, disse Cenci. Ele explica que os acordos de mobilidade são mediados por situações de reciprocidades e que a UFPel vem fazendo esforços para fornecer apoio aos estudantes estrangeiros que permanecem em Pelotas, com a prorrogação de auxílios, por exemplo, e que, da mesma forma, espera que as instituições amparem os estudantes brasileiros. “Se essa solução de acolhimento por parte das universidades anfitriãs não se concretizar, estudaremos outras formas de amparar nossos estudantes até que consigamos trazê-los de volta”, pontuou. Outros 14 estudantes da UFPel permanecem em mobilidade acadêmica no exterior, sendo dez em Portugal, três no Uruguai e um nos Estados Unidos. Parte deles não recebe auxílio para permanência nos locais. “Estamos já monitorando e tentando encontrar soluções, mas passaremos pelas mesmas limitações e dificuldades que estamos observando agora. De qualquer modo, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para atender as demandas e necessidades de cada um de nossos estudantes que esteja em mobilidade no exterior”, projeta.


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