Reforço

HUSFP ganha mais leitos na maternidade

Contrato é por seis meses e ajuda a reduzir o impacto do fechamento do serviço na Santa Casa

31 de Julho de 2020 - 19h01 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Com os nove leitos, hospital passa a contar com 30 para atendimento SUS (Foto: Divulgação - DP)

Com os nove leitos, hospital passa a contar com 30 para atendimento SUS (Foto: Divulgação - DP)

Uma boa notícia para as gestantes da região. As tratativas com o Poder Público evoluíram e o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com mais nove leitos para maternidade, no Hospital Universitário São Francisco de Paula da Universidade Católica de Pelotas. Agora são 30 vagas pela rede pública, no HUSFP-UCPel. A ampliação, válida por seis meses, ajuda a reduzir o impacto deixado pelo fechamento do serviço Materno-Infantil, na Santa Casa de Misericórdia, desde 1° de abril.

Os reflexos podem ser identificados em números. No primeiro semestre de 2019, por exemplo, 461 partos foram realizados pelo SUS, no HUSFP. Em 2020, o crescimento atingiu 87% no mesmo período, isto é, entre cesáreas e nascimento vaginal, 863 partos ocorreram no “Chico” nos primeiros seis meses deste ano, em leitos públicos. Uma consequência de dois fatores: a interrupção das atividades na Santa Casa e a redução de internações de grávidas por convênio. É o retrato demonstrado pelas estatísticas.

Com o aditivo no contrato, o Hospital São Francisco de Paula poderá oferecer o serviço que, de fato, já vem realizando, mas de forma adequada. Tanto com uma equipe redimensionada - que passou a contar com um terceiro obstetra no plantão - quanto com um acolhimento mais qualificado às pacientes. Não raro, com a sobrecarga, as gestantes enfrentavam o desconforto de permanecer no corredor; admite o diretor de Assistência do HUSFP, Edevar Rodrigues Machado Júnior.

“Os nossos profissionais vinham se esforçando para oferecer o melhor atendimento, mas esta é uma pressão para suportar um, dois dias. Por isso, precisávamos de uma definição”, explica. Ou o hospital recebia condições de ampliar o serviço, com a criação de novas enfermarias e contratação de profissionais - não só médicos -, ou teria de passar a bloquear a chegada de novas grávidas.

E no futuro?

Se o Hospital São Francisco for manter a estrutura com 30 leitos de Maternidade pelo SUS, em 2021, o diálogo precisará avançar com a prefeitura. A instituição teria de ir em busca de recursos para ampliação da Sala de Parto e do Centro Obstétrico; investimentos que não serão efetuados enquanto não ficar definido se o contrato será ou não renovado.

Ao conversar com o Diário Popular, na manhã desta sexta-feira (31), o diretor de Assistência preferiu não falar em valores que precisariam ser injetados nas obras e foi enfático, ao defender a ideia de que um terceiro prestador de serviços volte a dividir a demanda com HUSFP e Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel). “É sempre muito sensível correr o risco de ficar com uma única maternidade, em função de qualquer situação de surto. É periclitante”, enfatiza Edevar.

O “Chico” é referência às grávidas de alto risco da Zona Sul e conta com toda a rede de atendimento. Do pré-natal e suporte de internações na Casa da Gestante até o acolhimento na Maternidade e na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal.

Planos também no HE

Ainda não há data definida, mas o Hospital-Escola também abrirá novos leitos. As quatro vagas serão criadas em área cedida pela Santa Casa, mas para uso do HE. A estrutura será específica para mulheres com suspeita ou diagnóstico confirmado para Covid-19. Com o novo espaço, o hospital ficará com um total de 24 leitos de Maternidade.

Atualmente, o HE precisou isolar temporariamente uma área, já que é referência no tratamento e combate ao novo coronavírus para toda a região. Com isso, só pode absorver até 16 gestantes e não 20, como o contratualizado com a prefeitura, antes da pandemia. A readequação, portanto, terá um efeito duplamente positivo.

“Vamos reativar quatro leitos que já eram nossos e abriremos mais quatro para Covid, com um médico contratado pela Secretaria de Saúde”, ressalta a superintendente do HE-UFPel, Samanta Madruga. E lembra do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no Ministério Público (MP).

A posição da Santa Casa

Ao se manifestar, via assessoria de imprensa, o provedor João Francisco Neves da Silva afirma que o hospital está sem equipe de obstetras e de pediatras e a possibilidade de a Maternidade reabrir as portas será analisada só no pós-pandemia. E, em explicação sintética, diz o porquê: “É o setor que dá mais prejuízo pelo sistema SUS”. O contrato com os profissionais se encerrou em 31 de março, de 2020, sem acordo. O contexto era de crise financeira e de salários atrasados. Sem consenso, as atividades foram interrompidas por tempo indeterminado. Quatro meses depois, o cenário é de negociação firmada entre as partes. A direção da Santa Casa estaria cumprindo o acordo, para quitar as dívidas.


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