Alternativa

Grupos seguem unidos, agora em modo on-line

Trabalhos de atenção ao idoso, coordenados pelo Cetres da UCPel, recebem continuidade através das plataformas digitais

07 de Agosto de 2020 - 13h41 Corrigir A + A -
Santa Pires é uma das integrantes das aulas de dança cigana (Foto: Divulgação - DP)

Santa Pires é uma das integrantes das aulas de dança cigana (Foto: Divulgação - DP)

Projeto atende cerca de 120 pessoas da terceira idade (Foto: Divulgação - DP)

Projeto atende cerca de 120 pessoas da terceira idade (Foto: Divulgação - DP)

A pandemia forçou adequações em nossos cotidiano, principalmente no que se refere a atividades presenciais. Para minimizar estes efeitos, o Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade (Cetres) da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) promove uma série de ações nas plataformas digitais aos integrantes do projeto. Mesmo no período da quarentena, o projeto atende cerca de 120 idosos.

O Cetres funcionava no Instituto de Menores Dom Antônio Zattera (Imdaz) e organizava oficinas no espaço até março. Como as atividades precisaram ser paralisadas devido ao avanço da doença e ao fato dos atendidos pelo centro estarem classificados como grupo de risco, foi necessário encontrar alternativas para viabilizar a continuidade dos trabalhos, ainda que de forma remota. Foi realizada uma pesquisa com os integrantes do projeto, para verificar a acessibilidade à internet. Neste sentido, traçadas duas estratégias: produção de conteúdo e encontros on-line.

A produção de conteúdo é desenvolvida junto com a equipe de residência multidisciplinar em saúde do idoso, que se especializa na UCPel. São produzidos cards, vídeos, áudios direcionados para os atendidos. As produções abordam distúrbio do sono, ansiedade, cuidados com a alimentação, prevenção ao riscos da Covid-19 e demais cuidados de saúde do idoso. “Conseguimos desenvolver junto com esta equipe que atua na UCPel uma série de materiais educativos para eles, que estão em casa. É uma forma de promoção da saúde do idoso durante a pandemia, informamos todos as prevenções que eles precisam ter neste momento”, destaca o assistente social do projeto, Diego Gonçalves.

A segunda vertente do trabalho foi a idealização dos ambientes remotos, que garantiriam a sequência das oficinas. Foram realizados testes individuais de todas as que eram ofertadas nos encontros presenciais. Desta forma, a coordenação do Cetres criou 12 grupos de WhatsApp, sendo 11 para cada oficina em sua especificidade e um de maior abrangência, que engloba todos os integrantes do projeto, e que os reúne a cada 15 dias para interagirem. O ponto alto no ambiente digital foi um Sarau, no qual foi proporcionado o espaço para que todas as oficinas pudessem se apresentar. “Foi o nosso grande momento neste primeiro semestre, o ápice do nosso trabalho remoto. Através de uma sugestão de uma usuária, contamos com apresentações culturais de canto, dança, apresentação de trabalhos manuais de artesanato, poesia, tudo realizado pelas idosas participantes do nosso grupo. Já planejamos nova edição para este semestre. Os idosos já conseguem se apropriar das ferramentas digitais”, afirma o coordenador e psicólogo do projeto, Hartur Torres.

Com as novas formas de interagir, os organizadores do projeto têm se dedicado a identificar novas demandas entre os atendidos. Entre os pontos destacados, está a questão do isolamento, que alterou a rotina familiar dos idosos. Neste sentido, o Cetres surge como uma alternativa para hábitos que eles praticavam antes da pandemia, como ir ao supermercado, passear, entre outros afazeres. “Eles apelidaram nosso ambiente remoto de ‘sala de visitas’, porque eles enxergam como um espaço de interação. Algumas famílias têm um contexto familiar mais amplo, outras mais reduzidas nesta fase do isolamento, então precisamos ficar sempre atentos e proporcionando estes momentos a eles”, afirma Diego.

“Cada idade tem a sua beleza”

Entre as oficinas oferecidas pelo projeto, está a de crochê, organizada pela costureira Ana Nickel, integrante da iniciativa há cerca de dois anos. “Eu sou costureira e sempre tenho muito trabalho nas confecções. Entrei como aluna do crochê e acabei substituindo a professora anterior, quando ela saiu da cidade. Eu acredito que cada idade tem a sua beleza e não podemos esquecer disso. Um bebê é a coisa mais linda do mundo, a juventude tem a sua beleza única. E a terceira idade tem a sua beleza e nós precisamos valorizar isso. A gente tá em grupo para celebrar isso, vivenciar esses momentos”, destaca Ana.

Há sete anos no projeto, Santa Pires participa de oficinas de dança cigana, ritmos e do grupo musical do Cetres. Ela elogia a paciência dos integrantes da iniciativa e a dedicação nos atendimentos. “Os profissionais nos tratam muito bem. O grupo é muito bom, nós somos uma verdadeira família. Nas videoconferências, a gente conversa e mata a saudade. A gente canta, dança e temos uma assistência maravilhosa para os trabalhos. Eu sou meio elétrica, tudo pra mim é música e dança. Eu sou muito feliz no Cetres, o trabalho é maravilhoso”, conta Santa. O espaço remoto consolidado e a continuidade das atividades abre espaço para que novos idosos participem do Cetres. A segunda etapa do projeto neste ano consiste, justamente, agregar novos participantes junto ao centro. Os idosos irão ingressar nos grupos de WhatsApp, onde terão acesso a todos os materiais produzidos pela coordenação do Cetres e pelos profissionais que fazem residência em saúde do idoso. É possível aderir ao projeto através dos canais da UCPel, do site www.ucpel.edu.br. Por estar com atividades em home-office, é possível entrar em contato pelos telefones (53) 99129-1674 e (53) 98140-2883.


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