Prevenção

Grupo lança projeto de testagem para detecção de HIV/Aids e hepatites

Quarta edição do "Bora saber, bora testar!" faz busca ativa por público prioritário no município

14 de Outubro de 2021 - 10h43 Corrigir A + A -
Ao todo, 1.440 testes rápidos por amostra de fluído oral (TRFO) de HIV/Aids foram destinados ao grupo (Foto: Jô Folha - DP)

Ao todo, 1.440 testes rápidos por amostra de fluído oral (TRFO) de HIV/Aids foram destinados ao grupo (Foto: Jô Folha - DP)

O diagnóstico precoce é capaz de proporcionar uma boa qualidade de vida aos portadores de HIV/Aids. Além da prevenção, a realização de testes periódicos auxilia na luta contra uma doença que ainda não tem cura e atinge mais de cinco mil pelotenses. Visando a detecção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e a oportunidade de um acompanhamento a pessoas acometidas pelo vírus, o projeto da Organização da Sociedade Civil (OSC) Grupo Vale a Vida tem disponibilizado testes rápidos de HIV/Aids e autotestes de hepatite de forma gratuita à população.

Instituído com a finalidade de garantir a proteção e promoção dos direitos humanos através de ações de prevenção e assistência a pessoas que convivem com infecções sexualmente transmissíveis (IST), HIV, Aids e DST, o projeto "Bora saber, bora testar!" está em sua quarta edição em Pelotas. O grupo Vale a Vida foi uma das organizações com processo habilitado no edital do governo federal, no qual entidades voltadas ao objetivo de cuidados de pessoas com DSTs foram contempladas com testes rápidos e autotestes para detecção de HIV/Aids e hepatites B e C.

Ao todo, 1.440 testes rápidos por amostra de fluído oral (TRFO) de HIV/Aids foram destinados ao grupo. Eles estão sendo realizados em um público-alvo composto por jovens entre 15 e 24 anos, população em situação de rua, usuários de álcool e outras drogas e ainda pessoas que trabalham com prostituição. Segundo o grupo, 277 testes já foram feitos, com sete resultados positivos. Cerca de três educadoras vão em busca da população que se encaixa no grupo prioritário. "Uma coisa que nos chamou a atenção esse ano é o grande número que a gente já detectou de pessoas de rua com HIV", destaca a coordenadora do Vale a Vida, Sônia Cabral.

O outro projeto é voltado à detecção das hepatites B e C, doença silenciosa que tem alta taxa de mortalidade. Diferentemente do TRFO, a prova para detecção da doença pode ser realizada pela própria pessoa, através de uma gota de sangue, semelhante ao teste rápido da Covid-19. "Nós realizamos o teste e orientamos que a pessoa procure pela vacina, pois a hepatite B não tem cura, mas tem prevenção", afirma Sônia. Ao contrário do teste de HIV/Aids, a população prioritária para o autoteste de hepatite C engloba pessoas com 40 anos ou mais e começará a ser realizado nos próximos dias.

Importância do diagnóstico precoce

Acolhida pelo grupo há 18 anos, a assistente social Andreia Fernandes, 38, que hoje atua no Vale a Vida, foi diagnosticada aos 20 anos com HIV/Aids. "Eu acabei descobrindo através de uma doação de sangue e vejo hoje quantas estratégias foram criadas com o passar dos anos para poder sensibilizar a população e trazer a ela um atendimento precoce para evitar o óbito. Friso que, se há dúvida, procure a testagem. Não é vergonha para ninguém. O preconceito existe, sempre vai existir, mas conte para as pessoas que realmente vão te auxiliar", finaliza.

Números em crescimento

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 foram diagnosticados 41.909 novos casos de HIV e 37.308 casos de Aids, além de 10.565 mortes - um acréscimo que passa a totalizar, entre o período de 1980 a junho de 2020, 1.011.617 casos detectados. No ranking, o Rio Grande do Sul ocupa a segunda colocação, com 7,6 casos a cada cem mil habitantes e está entre as 11 unidades da Federação que tiveram índices acima da média nacional (4,1). Um dado que revela a falta de políticas de prevenção é relativo à incidência de Aids entre jovens de 14 e 24 anos, este que chegou a 16,7 por cem mil habitantes no Estado.

Em Pelotas, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 5.629 pelotenses convivem com HIV/Aids. Destes, apenas 2.550 fazem a retirada regular de medicação antirretroviral na rede pública. Conforme explica a coordenadora da Rede de Doenças Crônicas Transmissíveis Prioritárias da SMS, Greice Matos, pacientes que vivem com a doença mantêm acompanhamento no Serviço de Assistência Especializada (SAE) gratuitamente, onde recebem atendimento médico, com assistente social e psiquiatra. Estes retiram os medicamentos no local e realizam exames de acompanhamento no Laboratório Municipal.

Além do teste ofertado pelo grupo Vale a Vida, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município, além do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), no interior do Centro de Especialidades, realizam testagem gratuita para HIV/Aids. No CTA também é possível a realização de testes para sífilis e hepatites B e C. Conforme explica a coordenadora, a demanda é realizada espontaneamente ou através de encaminhamentos.

"O paciente recebe atendimento individualizado, com aconselhamento pré-teste, logo após a coleta do material, e em seguida da entrega dos resultados, chamado de aconselhamento pós-teste. Atualmente, além dos testes rápidos, o serviço disponibiliza os autotestes para o vírus, sendo estes orientados pelo aconselhador para aqueles momentos em que o paciente está impossibilitado de comparecer ao serviço", esclarece.


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