Pesquisadores

Grupo de Pesquisadores da UFPel aguarda autorização para atuar na nova Estação da Antártica

A UFPel já publicou vários estudos relacionando Macroalgas Antárticas em vertentes importantes como Química, Biotecnologia e Bioprospecção

19 de Janeiro de 2020 - 14h03 Corrigir A + A -
Os estudos mostram a eficácia do uso de substâncias de algas no combate de bactérias e fungos e Aplicação de Lipídeos no tratamento de células de câncer. (Foto: Divulgação - DP)

Os estudos mostram a eficácia do uso de substâncias de algas no combate de bactérias e fungos e Aplicação de Lipídeos no tratamento de células de câncer. (Foto: Divulgação - DP)

Um grupo de pesquisadores da UFPel aguarda autorização da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) para atuar na Estação Antártica Comandante Ferraz, inaugurada nesta quarta-feira (15) na Península Keller, dentro da Ilha Rei George. A nova Estação passou a ser projetada há oito anos após um incêndio que destruiu a base anterior, instalada em 1984. Pesquisadores brasileiros atuam no continente antártico desde 1982, a partir da criação do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

A UFPel teve seu vínculo a este programa e publicou vários estudos relacionando Macroalgas Antárticas em vertentes importantes como, Química, Biotecnologia e Bioprospecção, explorando os temas: Análises Lipidômica de Algas por Espectrometria de Massas e Análises de Metais Pesados por ICP (Plasma Acoplado). Os estudos mostram a eficácia do uso de substâncias de algas no combate de bactérias e fungos e Aplicação de Lipídeos no tratamento de células de câncer.

Projeto
As macroalgas marinhas estão na base da cadeia alimentar e são responsáveis pela transferência de macro e micronutrientes para outros níveis tróficos. O projeto intitulado Biodiversidade, monitoramento, estratégias de sobrevivência e prospecção de macroalgas extremófilas da Antártica Marítima, do qual a UFPel faz parte, está vinculado ao ProAntar, tem financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e CNPq e tem o objetivo de gerar um banco de dados sobre a diversidade de macroalgas associada a indicadores ambientais e avaliação das estratégias de sobrevivência em ambientes antárticos.

De acordo com o professor do Centro de Ciências Químicas, Farmacêuticas e de Alimentos (CCQFA), Claudio Pereira, a UFPel formou mestres e doutores que estabeleceram inter-relações com as novas áreas da ciência aplicando um material de pesquisa muito importante para o planeta. “Indiscutivelmente, a composição química das algas oriundas de um ambiente tão inóspito e em condições totalmente extremas, fazem destas um grande laboratório, um presente para a química e bioquímica e uma oportunidade para a biotecnologia”, informou o professor.

O projeto tem participação efetiva de outros cientistas da UFPel, como a professora também do CCQFA, Márcia Mesko, o professor de Microbiologia da Faculdade de Odontologia, Rafael Lund, e os pesquisadores do Laboratório em Pesquisas Oncológicas do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec), Tiago Collares e Fabiana Seixas. Os Programas de Pós-Graduação Bioquímica e Bioprospecção e Biotecnologia foram fundamentais para consolidar essas subáreas do projeto.

Coordenado pelo professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, Pio Colepicolo, o projeto prevê a continuação das pesquisas e está com uma solicitação em andamento junto a (SECIRM), a fim de efetuar novas missões e visitas ao continente antártico e à nova Estação.

Em 2019, foi efetuada uma parceria com o Programa em Ciências e Engenharia de Materiais da UFPel, sob a coordenação do professor Neftali Carreno para a produção de uma nanocelulose com propriedades especiais derivada de uma alga Antártica.

Parceria UFPel/USP

Claudio Pereira também ressalta a importância da UFPel no contexto estratégico. “A nossa Universidade ainda participa como colaboradora de um Programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), através do professor Pio Colepicolo, pesquisador que durante anos liderou as pesquisas das Algas na Antártica”, explicou. De acordo com Claudio, Pio Colepicolo, foi um dos mentores da nova estação Antártica. Participou do planejamento dos laboratórios, alojamentos e biblioteca.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados