União

Greve Nacional da Educação mobiliza Pelotas

Quarta-feira será marcada por sessão especial da Câmara, ato público, apresentações artísticas e marcha

15 de Maio de 2019 - 08h18 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Em reunião, Azonasul debateu os cortes na rede federal (Foto: Gabriel Huth - DP)

Em reunião, Azonasul debateu os cortes na rede federal (Foto: Gabriel Huth - DP)

As vozes vêm de diferentes cantos do país, mas o coro é único: por um ensino público de qualidade. Em Pelotas, a Greve Nacional da Educação, nesta quarta-feira (15), não terá apenas portas cerradas e salas de aula vazias. Sessão especial da Câmara de Vereadores, direto do Mercado Central, pela manhã. Ato público, apresentações artísticas e marcha durante a tarde. É um rápido recorte do que promete ser este 15 de maio.

E detalhe: as atividades não serão suspensas apenas na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), diretamente afetados com o corte de mais de 30% do orçamento de custeio. Nem somente nas redes municipal e estadual de ensino. O movimento ganhou o apoio de professores da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) que, após assembleia ontem, também decidiram parar nesta quarta. A categoria ainda fez questão de mencionar o risco de 1,5 mil alunos da UCPel perderem suas bolsas de estudo, caso o Ministério da Economia faça valer a proposta contra a filantropia das instituições.

No Congresso
A preocupação dos prefeitos da Zona Sul com o impacto dos cortes na Educação chegará à bancada gaúcha no Congresso Nacional, em Brasília, com apelo para que se juntem ao movimento que não se encerra hoje. Em encontro na manhã de ontem, os chefes de Executivo reuniram-se com representantes da UFPel, do IFSul, da Unipampa e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

A possibilidade de extinção do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), anunciada pelo governo federal para 2020, também desponta entre as dores de cabeça das prefeituras; principalmente de cidades de pequeno porte, em que o repasse é a principal fonte para o pagamento dos servidores da Educação. Os prefeitos, inclusive, não descartam o fechamento de escolas. Até o início da tarde de ontem estava confirmada a interrupção das atividades, durante esta quarta-feira, nas redes municipais de Arroio do Padre, de Capão do Leão e de Canguçu (no turno da tarde).

A posição da Aliança Pelotas
Os efeitos negativos que os cortes no orçamento das instituições federais de ensino podem alastrar sobre a economia da região, caso as atividades tenham de ser efetivamente suspensas por falta de recursos para custeio - a partir de setembro -, passaram a compor os debates das nove entidades que integram a Aliança Pelotas. As lideranças já se reuniram com o reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal, e na próxima sexta-feira sentam para conversar com o reitor do IFSul, Flávio Nunes.

O coordenador da Aliança, Ricardo Ferreira, garante que tão logo possuam dados mais detalhados devem firmar posicionamento, em apoio às instituições. “Podemos criar essa força, a exemplo do que fizemos em nome da duplicação da BR-116.”

Servidores municipais
A prefeitura de Pelotas não vai liberar o ponto dos servidores que paralisarem hoje. A confirmação ocorreu na tarde de ontem, via assessoria de Imprensa. “Os servidores públicos municipais são remunerados por serviços efetivamente prestados. O ato de protestar é livre, mas não implica, necessariamente, na obrigatoriedade de paralisar serviços públicos”, afirmou a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).

No mesmo pronunciamento, entretanto, Paula reafirmou posição contrária aos cortes anunciados pela União e mencionou o impacto que a medida pode causar ao município. Autorizar ou concordar com paralisações em que a causa lhe é simpática, assim como desautorizar ou não concordar com manifestações contrárias ao seu entendimento, seria casuísmo e geraria injustiças - argumentou a prefeita, em resposta à solicitação do Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp) para que os servidores não tivessem desconto salarial.


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