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Glaucoma também é doença de animais

Especialista fala do problema e das raças que podem ser mais acometidas, como o Golden e o Beagle

01 de Junho de 2020 - 14h32 Corrigir A + A -
Tratamento. Busca por ajuda é fundamental no começo
do distúrbio.

Tratamento. Busca por ajuda é fundamental no começo do distúrbio.

Um relatório produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em outubro de 2019 revelou que ao menos um bilhão de pessoas tem problemas de visão que poderiam ter sido evitados se tivessem recebidos cuidados adequados, como condições de miopia, hipermetropia, glaucoma e catarata. No Brasil, maio é o mês de combate ao glaucoma, doença que pode causar a cegueira em humanos, mas também em animais, sendo mais comum em cão, gato e cavalo.

Para explicar como a doença se manifesta em animais, quais são as formas de prevenir e como garantir o bem-estar dos animais afetados, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) entrevistou a pós-doutora em Cirurgia Veterinária Andréia Vitor Couto do Amaral, professora da Universidade Federal de Jataí (UFJ), em Goiás.

Para quem tem um animal com glaucoma, a professora orienta o que fazer para mantê-lo seguro, enriquecendo o ambiente com uma rotina de cuidados e garantindo a ele independência de forma saudável.

O que é o glaucoma? Quais são os danos que ele causa?
O glaucoma constitui um grupo heterogêneo de distúrbios (glaucoma primário de ângulo aberto, primário de ângulo fechado ou estreito, glaucoma secundário, por exemplo) que geralmente estão associados ao aumento da pressão intraocular (PIO), constituindo uma das causas mais comuns de cegueira irreversível em cães.

O que o causa em animais? Pode ser hereditário, genético? Pode surgir a partir de fatores externos, por complicação de outras doenças?
Alguns podem ser herdados e, geralmente, surgem na idade adulta. Os tipos que podem ser hereditários são os glaucomas primários.

O secundário pode ser decorrente de diversas alterações intraoculares que impossibilitam a correta drenagem do aquoso (líquido intraocular), causando aumentos na PIO, como uveíte (inflamação da úvea - íris, coroide e corpo ciliar - que pode causar cegueira), catarata, úlceras de córnea complicadas e retinopatias. Por sua vez, essas alterações intraoculares podem ser consequência de afecções sistêmicas, tais como hemoparasitoses, doenças endócrinas e renais, entre outras. Por esses motivos, os glaucomas secundários são mais comuns que os glaucomas primários. Os glaucomas primários não têm associação consistente com outra alteração ocular pregressa ou sistêmica, são tipicamente bilaterais, têm forte predisposição racial e, portanto, acredita-se que tenham uma base genética.

Quais são os animais que podem ser acometidos com essa doença? Quais são as espécies e raças mais predispostas a ter glaucoma?
Ele já foi reportado em diversas espécies domésticas e selvagens, entretanto, é mais estudado em cães, gatos e cavalos. Algumas raças de cães possuem predisposição ao glaucoma primário: Basset Hound, Beagle, Border Collie, Bouvier des Flandres, Chow Chow, Cocker Spaniel americano, Golden Retriever, Samoieda e Shar Pei.

Quais são os sintomas que podem ser observados pelos tutores para prevenir a doença em seus animais?
Infelizmente, quando o tutor observar algum sinal clínico relativo ao glaucoma em seus animais, a doença já está instalada. Geralmente são observados sinais inespecíficos, tais como opacidades de córnea, irritação da esclera (hiperemia episcleral), contração involuntária da pálpebra (blefaroespasmo). Por essa razão, é de fundamental importância o imediato exame pelo médico-veterinário especializado em oftalmologia veterinária, para que se possa fechar o diagnóstico e definir o tratamento mais adequado.

Existe tratamento? E cura? Há indicação de cirurgia?
Sim, existe tratamento do glaucoma. O principal objetivo do tratamento é parar as alterações causadas pelo aumento da PIO que comprometem o nervo óptico e a retina, impedindo a progressão da doença e a cegueira irreversível. No entanto, atualmente, o tratamento do glaucoma é limitado à redução da PIO elevada, o que nem sempre impede ou retarda a progressão da doença. Os esforços são concentrados na proteção indireta do nervo óptico, por meio da redução da PIO. A PIO, por sua vez, pode ser diminuída por meio de tratamento cirúrgico e farmacológico. A escolha do tratamento dependerá de diversos fatores.


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