Coronavírus

GDISPEN realiza análise dos 7 meses de Covid-19 em Pelotas

A média de óbitos nas últimas quatro semanas foi de 1,04 óbito por dia (sendo que a média de óbitos por dia nas SE 40 a 43 foram, respectivamente: 0,86; 0,86; 1,29; 1,14)

29 de Outubro de 2020 - 21h32 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Dos infectados, 57% são do sexo feminino, enquanto 43% são do masculino

Dos infectados, 57% são do sexo feminino, enquanto 43% são do masculino

Os pesquisadores do GDISPEN apresentam uma análise dos sete meses da pandemia em Pelotas, usando como base os dados divulgados diariamente pela Prefeitura Municipal nas suas redes sociais e no site oficial.

O primeiro caso confirmado de Covid-19 em Pelotas se deu no dia 25 de março de 2020 e o primeiro óbito no dia 20 de junho de 2020. Após 238 dias, percebe-se que a epidemia segue crescendo na cidade, tendo 5.210 casos confirmados e 151 óbitos em 24/10. A data limite da análise aqui será o dia 24/10, uma vez que esta data é o último dia da semana epidemiológica (SE) 43.

Na SE 43 foram notificados 343 novos casos de Covid-19, o maior número semanal registrado no último mês, com uma média de 49 casos por dia (a média de casos confirmados por dia nas SE 40 a 43 foram, respectivamente: 45, 36, 32 e 49). A média geral nas últimas quatro semanas é de 40 casos confirmados por dia. O aumento do número de casos na SE 43 pode ser devido a uma maior flexibilização na cidade durante a bandeira amarela, entre outros fatores.  A incidência por 100 mil habitantes é de 1.522 casos.

A média de óbitos nas últimas quatro semanas foi de 1,04 óbito por dia (sendo que a média de óbitos  por dia nas SE 40 a 43 foram, respectivamente: 0,86; 0,86; 1,29; 1,14).  A mortalidade por 100 mil habitantes é de 44,1 óbitos e a taxa de letalidade é de 2,9%.  Uma redução contínua no número de óbitos pode indicar um declínio da curva epidêmica. Precisa-se acompanhar as próximas semanas para podermos afirmar com certeza que estamos em declínio nesta curva.

Além disso, ao completar sete meses de pandemia, Pelotas possuía 4.492 pessoas recuperadas (86%) e 567 casos ativos (11%). Observa-se um decréscimo significativo no número de casos ativos ao longo dos primeiros 20 dias do mês de outubro, e um novo aumento de casos após o dia 20 de outubro.

Analisando a ocupação dos leitos nos hospitais da cidade, observa-se nos gráficos que o pico de internações em UTI e enfermaria ocorreu na SE 34, nos dias 18 e 19/08. Após este período tem-se um decréscimo na ocupação de leitos (UTI: nas SE 40 a 43, respectivamente: 19,4; 16,6; 18; 15,9 internados em média, Enfermaria: nas SE 40 a 43, respectivamente: 26,3; 23; 17,86; 42 internados em média).  Cabe destacar que além dos casos de óbito e alta para leitos de enfermaria, o município tem adotado um protocolo de transferir pacientes de COVID-19 considerados como não infecciosos, de leitos de UTI específicos da doença para leitos de UTI geral.

Nas figuras a seguir tem-se a evolução da epidemia na cidade, em formato de infográficos.

No infográfico 1 tem-se:

  • Casos confirmados, recuperados, ativos, óbitos e internados em UTI COVID nos últimos três meses, no dia 24 de cada mês;
  • Curvas de casos acumulados, recuperados, ativos e óbitos;
  • Casos diários e média móvel de 7 dias (média de 49 casos diários no dia 24/10);
  • Óbitos diários e média móvel de 7 dias (média de 1,14 óbitos no dia 24/10);
  • Óbitos por semana epidemiológica: na SE 43 com 8 óbitos;
  • Casos por semana epidemiológica: na SE 43 com 343 casos;
  • Ocupação dos leitos de UTI exclusivos COVID (média de 17,5 leitos ocupados por dia nas últimas 4 semanas).

 

No infográfico 2 apresenta-se:

  • Óbitos confirmados por faixa etária e sexo;
  • Óbitos confirmados por sexo: 49% do sexo masculino (74 óbitos) e 45% do sexo feminino (68 óbitos) e 9 óbitos sem informação sobre o sexo;
  • Perfil dos infectados (até 22 de outubro): os profissionais da saúde é o grupo mais afetado pela COVID-19 em Pelotas com 896 casos (17,62%), seguido do grupo dos aposentados que somam 659 pessoas (12,96%). Comerciários e atendentes do setor ocupam a terceira posição com 549 casos (10,8%), seguidos por estudantes em quarto lugar com 429 casos (8,44%);
  • Rt por incidência: valor atual de Rt=1,21 , média móvel de 1,14 (tendo aumentado desde a última análise, quando o valor era de 1,06, com média móvel de 1,05);
  • Mobilidade de 27 de setembro a 24 de outubro: média de 40,57% (redução no isolamento em relação ao mês anterior quando foi registrado 42% de mobilidade). Observa-se que a mobilidade diminui aos finais de semana (sábado e domingo), com uma média de 47% de mobilidade, comparado a 38% nos dias da semana.

No infográfico 3 tem-se:

  • Perfil dos infectados por sexo: 43% masculino e 57% feminino;
  • Percentual de testes positivos mostrando um aumento no número;
  • A região administrativa da cidade  com a maior porcentagem de casos (em 22 de outubro) é o Fragata com 24%, seguido das Três Vendas com 22% e do Areal com 19,6% dos casos registrados;
  • Comparação da evolução dos casos por 100.000 habitantes para o RS e Pelotas.

Abaixo segue o gráfico da projeção de casos até o dia 05 de novembro para a cidade de Pelotas. No modelo epidemiológico SIR, foi considerada uma taxa média de reprodução R0 de 1.14 (valor da média móvel em 24 de outubro) e um período de infecção de 5.2 dias. Se a taxa de crescimento seguir como está, estima-se que até o dia 05 de novembro, Pelotas tenha mais de 5.800 casos confirmados de COVID-19.

Para mais gráficos e dados acompanhem a atualização diária para a cidade de Pelotas no site do laboratório GDISPEN (https://wp.ufpel.edu.br/fentransporte/covid-19-graficos-com-relacao-ao-rs/covid-19-pelotas/).

Este estudo tem finalidade puramente acadêmica e científica, mostrando a grande aplicabilidade da modelagem matemática em problemas reais. As discussões, opiniões, ideias e publicações geradas a partir dos resultados do modelo utilizado são de autoria dos respectivos autores, e não necessariamente representam aquelas das instituições a que estes pertencem. 

Os responsáveis pelo estudo são Daniela Buske, Glênio Aguiar Gonçalves, Régis Sperotto de Quadros. Os gráficos são de Gustavo Braz Kurz.


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