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Futuro do Hospice ainda indefinido

Falta de recursos para finalizar intervenções preocupa a coordenação do local que vive cenário de incertezas

06 de Dezembro de 2021 - 08h26 Corrigir A + A -
Oito anos. Melhorias no prédio estão em andamento, mas sem data para terminar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Oito anos. Melhorias no prédio estão em andamento, mas sem data para terminar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

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\"A gente tem essas emendas individuais e é um dever investir bem.” Fernanda Melchionna - Deputada federal (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Mesmo com as obras em andamento no prédio do futuro Centro Regional de Cuidados Paliativos, a conclusão dos serviços ainda está indefinida. Os trabalhos que deveriam ser finalizados em dois anos - conforme a projeção inicial - estão quase completando oito e as dificuldades financeiras trazem um cenário de incertezas, de acordo com a coordenação do local.

Com um custo estimado previamente em R$ 3 milhões, as modificações na edificação da antiga Laneira começaram em 2014. Porém, entre 2017 e 2020 as obras acabaram ficando paradas devido à falta de orçamento e foram retomadas em dezembro do ano passado após destinação de R$ 1,8 milhão oriundos de uma emenda parlamentar da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL). O recurso que está sendo administrado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é liberado conforme o andamento da obra. Até o momento, já foram utilizados R$ 500 mil nas instalações elétrica e hidráulica, divisórias das áreas de internação, colocação de azulejos e outras melhorias no prédio comi três pavimentos.

Na última quinta-feira a parlamentar autora da emenda que viabilizou as intervenções em andamento esteve em Pelotas visitando o local. Segundo ela, a indicação do recurso se deu após conhecer a Unidade Cuidativa em 2019 e verificar a importância das práticas integradas voltadas a pessoas com doenças terminais e crônicas. “A gente tem essas emendas individuais e é um dever investir bem. Tenho orgulho de ter mandado recurso para um projeto tão bacana”, comenta Fernanda. Oposição ao governo dentro da Câmara, a deputada atribui as dificuldades enfrentadas pelas universidades e institutos federais ao que classifica como “desmonte” promovido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Inflação prejudica finalização das obras

Em 2019, cálculos apontavam faltar R$ 1,8 milhão para que as obras no Hospice - como o Centro Regional ficou conhecido - fossem concluídas, valor obtido via emenda parlamentar. Porém, de acordo com a coordenadora da Cuidativa, Julieta Fripp, como a licitação para a retomada das melhorias foi realizada ao longo do ano passado, o custo teria sofrido reajuste atribuído principalmente à alta nos preços dos materiais de construção. Com isso, a estimativa atualizada é que seria necessário outro R$ 1,5 milhão para a obra ter fim. Contudo, sem previsão desse recurso, não há previsão de finalização. “Estamos muito preocupados porque, de fato, vai faltar dinheiro. As oportunidades de destinar verbas são através da universidade, de emendas parlamentares e eu não descarto a possibilidade de chamar empresários e pedir ajuda”, diz Julieta.
Quando finalizado, o Centro prevê 20 leitos de internação para pacientes com necessidade de cuidados paliativo. A estrutura contará ainda com recepção, sala de procedimentos, espaços para reunião e convivência, vestiário, lavanderia, refeitório e área acadêmica.

Com os atendimentos presenciais retomados em fevereiro, a Unidade Cuidativa ainda não está com o total das atividades. Além de voluntários, o espaço conta com o trabalho de estudantes de todas as universidades da cidade. Entre os serviços ofertados estão atendimentos na área de medicina, nutrição, psicologia, fisioterapia e educação física.

Os serviços oferecidos são referência na região, porém Pelotas possui ainda acompanhamento domiciliar, prática que não é possível ser ofertada em outros municípios. “Quando a situação complica, o paciente precisa ir para dentro de um hospital que não tem a filosofia dos cuidados paliativos e o sofrimento é muito grande. Aqui [no Hospice] por exemplo, vai ter espaço que vai permitir sair das camas, espaço de convivência. A gente quer, ao final de tudo, proporcionar felicidade e qualidade de vida”, argumenta a coordenadora.

Mais recursos para a saúde

Além da emenda já encaminhada para a Unidade Cuidativa, a deputada federal Fernanda Melchionna afirmou que fará a indicação de R$ 1 milhão em emenda também para a área da saúde em Pelotas. Deste valor, R$ 400 mil serão utilizados na Unidade Básica de Saúde (UBS) Obelisco e R$ 600 mil na UBS Sítio Floresta. Nos dois locais o recurso previsto para 2022 será usado na ampliação e reforma dos espaços.


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