Greve

Funcionários dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

A categoria quer um reajuste de 3,43%, a manutenção de benefícios e são contra a privatização

11 de Setembro de 2019 - 13h36 Corrigir A + A -

Por: Redação
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A decisão foi tomada em assembleia nas regionais na noite de terça-feira (10). (Foto: Divulgação)

A decisão foi tomada em assembleia nas regionais na noite de terça-feira (10). (Foto: Divulgação)

Matéria atualizada às 15h55 com novas informações

Os trabalhadores dos Correios de todo o país entraram em greve nesta quarta-feira (11) por tempo indeterminado. De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), a direção da empresa pública teria se recusado a negociar um novo Acordo Coletivo. A categoria reivindica reajuste salarial pela inflação, de 3,43%, e a manutenção de benefícios, como ter os pais como dependentes no plano de saúde e coparticipação de 30%; continuidade de percentual de férias em 70% e vales alimentação e refeição. Além disso, os trabalhadores são contra a privatização dos Correios, medida defendida pelo governo de presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Ainda conforme a federação, mesmo com a mediação do TST, a empresa não recebe os representantes dos trabalhadores há mais de 40 dias para negociar. A Fentect e a Findect dizem acreditar que só a mobilização dos servidores pode garantir uma negociação justa que represente os anseios da categoria. Eles adiantam que os 36 sindicatos de trabalhadores dos Correios aderiram à greve.

Contraponto
Em nota, a ECT sinaliza para uma paralisação parcial. No documento, a estatal garante que participu de dez encontros na mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores, quando foi apresentada a real situação econômica da estatal e propostas para o Acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões. Mas as federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso pela empresa.

No momento, o principal compromisso da direção dos Correios é conferir à sociedade uma empresa sustentável. Por isso, a estatal conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população.

Acordo coletivo
O processo de negociação do Acordo Coletivo 2019/2020 está no Tribunal Superior do Trabalho. Na semana passada, após várias tentativas de compatibilizar os interesses dos empregados e empregadores, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Renato de Lacerda Paiva, decretou a extinção do procedimento de mediação e conciliação pré-processual entre a empresa e as entidades que representam os empregados. Segundo a assessoria do tribunal, a direção dos Correios foi a única a não aceitar a proposta de prorrogar o acordo coletivo de trabalho para que fosse dado prosseguimento à negociação de novo instrumento coletivo. Ainda segundo a assessoria do tribunal, “a continuidade da mediação evitaria a greve da categoria, marcada para o dia 10/9”.

Em assembleia realizada ontem à noite, em São Paulo, o vice-presidente da Findect, Elias Cesário de Brito Júnior, afirmou que a categoria foi “empurrada” para a greve. “Não queríamos entrar em greve. Queríamos continuar trabalhando como sempre fizemos, servindo à população e defendendo nossos empregos. Há mais de três meses que estamos negociando, colocando a pauta de reivindicações [tirada] em nível nacional. Teve que o TST intervir”, discursou Júnior, lembrando que, além de tentar impedir a privatização dos Correios, a categoria reivindica a prorrogação do acordo coletivo que venceu em 31 de julho; a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos e a manutenção do vale-alimentação e do plano de saúde.


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