Alerta!

Fumantes são mais suscetíveis à Covid

No Dia Mundial Sem Tabaco, a mensagem é para quem fuma, pois tem maior probabilidade de desenvolver casos graves da doença

30 de Maio de 2020 - 09h01 Corrigir A + A -
Aproximadamente 70 mil pelotenses são fumantes (Foto: Paulo Rossi - DP)

Aproximadamente 70 mil pelotenses são fumantes (Foto: Paulo Rossi - DP)

Um estudo chinês aponta que pacientes fumantes, infectados com a Covid-19 têm 14% a mais de chances de desenvolver quadros graves da doença. Para este domingo, data que marca o Dia Mundial Sem Tabaco, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) deixa o alerta aos tabagistas: fumar pode ser considerado um fator de risco ao vírus, por isso esse é o momento para dar a largada rumo a uma vida sem a nicotina.

Em Pelotas, cerca de 74 mil habitantes são fumantes - um quarto da população. O dado é fruto de uma pesquisa realizada no último ano pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO). Pneumologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Ricardo Noal explica que, ao fumar, a nicotina reduz a capacidade do corpo em se defender. “As células de defesa do organismo funcionam menos quando o paciente é fumante. Isso vai desde tossir e eliminar secreção até reconhecer e destruir patógenos”, conta.

No organismo, a nicotina diminui os receptores responsáveis por reconhecer a entrada de vírus no corpo, como é o caso do novo coronavírus. Fora isso, a Covid-19 ataca diretamente o sistema respiratório, o que deixa o corpo do paciente ainda mais fragilizado. Por isso, o cigarro é fator de risco para outras doenças crônicas que levam à morte, como problemas cardiovasculares e pulmonares, diabetes e pressão alta, além dos vários tipos de câncer. “O cigarro tá lá no início dessa cadeia”, ressalta o pneumologista. De forma simplificada, é como se o tabagismo abrisse uma porta para o desenvolvimento dessas enfermidades no corpo humano. Pelos dados do Inca, o tabaco está envolvido em milhares de mortes anuais no Brasil; 34,9 mil correspondem a doenças cardíacas, 31,1 mil a mortes por doenças pulmonares e outros 26,6 mil por outros cânceres.

Além dos fatores de risco, os hábitos dos fumantes também os deixam propensos ao contágio. “O tabagistas muitas vezes não usa a máscara. Ela é a primeira barreira de imunidade contra o vírus”, exemplifica Noal. Nas ruas, o principal EPI contra o vírus é deixado de lado. Também, as mãos são frequentemente levadas ao rosto e lábios, aumentando as chances de infecção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no último dia 11 que o tabaco mata anualmente mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo. Uma parcela de 1,2 milhão é de fumantes passivos, pessoas expostas à nicotina. Para esses, também vale o alerta, já que dependendo da exposição, o aparelho pulmonar pode ser afetado. A organização também se posicionou contrária a uma série de estudos que citam a adoção de substâncias, a exemplo da nicotina, como um auxílio ao tratamento de pacientes com o coronavírus, que vieram a público nos últimos meses.

Estudo chinês

O estudo realizado na Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, levou em consideração uma série de pacientes infectados com o novo coronavírus. Destes, a maior proporção correspondia a pessoas com histórico de tabagismo, desde os casos de óbito até os que passaram por uma evolução do quadro, culminando na internação hospitalar. Como explica o professor da UFPel: “entre os pacientes com coronavírus, é mais fácil encontrar tabagistas do que não fumantes”. O risco de fumantes desenvolverem pneumonia também é 14% maior, já que segundo os especialistas do estudo, fumar causa um quadro inflamatório crônico nos pulmões.

O cigarro não pode ser um escape

A soma dos fatores isolamento social mais ansiedade muitas vezes resulta em fumar ainda mais cigarros por dia. Isso por que a nicotina estimula os neutransmissores cerebrais a produzirem uma sensação de bem estar. Mas a prática não é nada recomendada, tampouco deve ser usada como tratamento mental e físico. “Não dá pra pensar que isso trata a ansiedade. O cigarro não é tratamento”, lembra Ricardo Noal. Quando o fumante decide deixar o vício de lado, a capacidade pulmonar até então prejudicada começa a apresentar uma melhora, que pode ser notada entre poucos dias e duas semanas.

Pelotas conta com o Programa Municipal de Tabagismo, recurso com profissionais capacitados e adesivos de tratamento em estoque, conforme recomendação médica, para quem quer parar de fumar. Como explica Cristina Zimmer, responsável pelo setor de Saúde do Adulto na Secretaria Municipal de Saúde, quem quiser se inscrever no programa deve procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de casa para receber informações, de preferência pelo telefone. “Neste momento de pandemia, o programa mantém os atendimentos individuais de acordo com a demanda e organização de cada unidade. As reuniões em grupo foram suspensas, como medida protetiva”, complementa Cristina. No último ano, toda rede de saúde do município foi capacitada para atender os tabagistas que desejam parar de fumar. 

Os interessados em se inscrever no programa pelos telefones (53) 3284-7784 e (53) 3284-7717, em que serão direcionados a UBS mais próxima.

Perfil dos fumantes em Pelotas

Aproximadamente ¼ dos pelotenses têm o hábito de fumar, ou seja, cerca de 74 mil pessoas fumam diariamente em Pelotas.

A maioria predominante são homens

Os fumantes estão mais presentes nos grupos de menor renda familiar (até 2 salários mínimos) e baixa escolaridade.

Pessoas entre 25 a 34 anos e de 45 a 59 anos têm hábito de fumar acima da média geral da cidade.

A média é de 13 cigarros fumados por dia


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