Iniciativa

Flores onde só havia lixo

Com ajuda da prefeitura, moradores do Navegantes 2 criam jardins para evitar o descarte irregular de objetos em avenida

11 de Novembro de 2019 - 11h31 Corrigir A + A -
Iniciativa. Plantas e mensagens positivas hoje colorem o espaço,
antes ocupado por entulho e sujeira (Foto: Paulo Rossi - DP)

Iniciativa. Plantas e mensagens positivas hoje colorem o espaço, antes ocupado por entulho e sujeira (Foto: Paulo Rossi - DP)

A flor é, historicamente, símbolo do belo. E é uma beleza democrática: por nascer nas grandes mansões da mesma forma como brota na periferia. Como maneira de evitar o descarte irregular de lixo na avenida Cidade de Rio Grande, moradores do Navegantes 2 criaram pequenos jardins. Plantas, placas e muita cor onde antes se via apenas sujeira.

Uma das organizadoras do projeto, Veridiana Pereira, conta que a ideia surgiu por uma mistura de indignação e inspiração. Ainda que uma vez por semana houvesse coleta, a margem da avenida Cidade de Rio Grande convivia com descarte de sofás, restos de piscinas, latas de tinta, restos de obras. Utilizar o ecoponto da avenida Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira não é uma opção: são quatro quilômetros de distância, impossibilitando o transporte de objetos maiores.

A criação dos jardins, então, foi uma forma de se livrar da junção dos odores do lixo e do Canal do Pepino de uma maneira simpática. “Fizemos o primeiro jardim e o alívio foi imediato.” Já com as mudas em mãos, ela foi até a Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed) e conseguiu metades de pneus para iniciar a plantação. O aterramento, imprescindível, foi disponibilizado também pela prefeitura.

As construções foram totalmente coletivas, como costumam ser nos projetos que nascem na periferia. “Uns fizeram o aterramento, outros plantaram as plantas e teve gente também para criar as bonitas placas com mensagens de motivação para os moradores do Navegantes que pela rua passam. A partir daí, os outros vizinhos começaram a fazer também”, conta Veridiana. Três jardins já foram inaugurados e o quarto já está pronto.

A ideia ter se espalhado, comenta Veridiana, mostra que, se o Poder Público nem sempre enxerga as demandas da periferia, ela tem potencial para conquistar melhorias. “Quem passava ia se sensibilizando e no fim construímos um mutirão. É importante cada um fazer a sua parte para termos um lugar melhor para morar.” Além disso, ela celebra a maior integração entre os vizinhos. “A gente nem se falava tanto. Agora se encontra, se cumprimenta, conversa.”

Também moradora do Navegantes 2, Francine Costa celebra a mudança no ambiente pelo qual circula diariamente. “Achei muito bom. Isso daqui era puro lixo ultimamente, assim fica melhor de viver. Tomara que dure e tenha cada vez mais.”


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