Saúde

Filha reclama de indefinição no tratamento do pai

Após idas e vindas entre PS e Centro Covid, aposentado aguarda vaga de atendimento neurológico

22 de Junho de 2021 - 21h33 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

Michele teve contato com o pai no Pronto Socorro. (Foto: arquivo pessoal - DP)

Michele teve contato com o pai no Pronto Socorro. (Foto: arquivo pessoal - DP)

Uns dias no Pronto Socorro, outros tantos no Centro Covid, alguns em casa. E tudo de novo pouco tempo depois. Esta tem sido a vida de Ivon Luiz Braga Borges no último mês. Internado com pneumonia e Covid-19, além de ter sofrido uma convulsão no meio do caminho, o aposentado passa por essa situação desagradável enquanto procura o atendimento mais adequado para o problema neurológico.

A saga de Borges, 68 anos, e da filha, Michele da Silveira Borges, 42, foi iniciada em 27 de maio. Neste dia, o pai foi internado no Pronto Socorro de Pelotas apresentando um quadro de pneumonia e desorientação devido à infecção. Medicado com antibióticos, permaneceu no local até o dia 1° de junho, quando recebeu alta e a recomendação de continuar a medicação em casa, por via oral.

Mas a ida para casa não durou muito tempo. Logo no dia seguinte, veio a febre de 40 graus, tendo que retornar ao PS para tratar novamente a pneumonia. Devido à febre alta, Borges foi encaminhado ao Centro de Atendimento a Síndromes Gripais (Centro Covid) por suspeita de coronavírus, confirmada após exame. Novamente, foi encaminhado para casa para seguir tomando antibióticos. Ao final do tratamento, no entanto, a filha conta que houve piora do quadro, com retorno ao Centro Covid. Após quatro horas de exames, foi liberado mais uma vez.

Conforme Michele, embora a situação parecesse controlada, os problemas reapareceram em 16 de junho. Após um desmaio, o aposentado foi levado às pressas ao PS, onde sofreu uma convulsão, passou por exame e teve o caso analisado por um neurologista. Ela conta que a situação se agravou após o diagnóstico positivo em um teste de Covid-19. “Se apavoraram e já não trataram mais a convulsão, simplesmente atiraram ele lá para o Centro Covid, sendo que foi um falso positivo porque ele já tinha positivado no início do mês. Fizeram todo um escarcéu e mandaram para o Centro Covid sendo que deveriam mandar para um hospital, com isolamento caso fosse Covid”, reclama Michele, lembrando que o pai necessita de cuidados especiais, há um ano, desde que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

De volta ao Centro Covid no último sábado, Ivon Borges permanece no local. De acordo com a filha, sem todos os cuidados necessários à sua condição. Por isso, Michele insiste que o pai precisaria ser encaminhado a um leito de hospital. “O caso dele não é para o Centro Covid, ele não tem Covid mais, não tem por que estar lá. Ele precisa de tratamento neurológico”, diz ela.

De volta ao Pronto Socorro
Após relatar o caso ao Diário Popular, Michele diz ter recebido ligação de um médico que está tratando Borges no Centro Covid. Ela afirma que o profissional descartou a hipótese do pai ter sofrido convulsão aguda, mas que necessitaria de sonda para alimentação. Com isso, diz ter sido informada de que o pai poderia retornar ao PS em caráter excepcional.

Através de nota, a prefeitura confirmou a transferência de Ivon Luiz Braga Borges para o Pronto Socorro. “Sobre o paciente que ocupa leito Covid no Centro de Atendimento a Síndromes Gripais desde sábado, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ele ainda não havia sido transferido, pois estava em período de transmissão do vírus. Uma nova avaliação médica, feita nesta terça-feira (22), concluiu que ele não transmite mais, o que permitirá que seja transferido ao Pronto Socorro municipal. A decisão pela transferência foi tomada com a concordância da família do paciente.”

Após a confirmação da transferência, Michele Borges ressaltou que a espera agora é por uma vaga em leito para o pai. “Felizmente ele foi liberado para voltar ao PS e vamos poder voltar a ter contato com ele. Mas a luta continua, vamos aguardar a abertura de um leito para ele”, comentou Michele Borges.


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