Tradiçao

Festa Campeira reuniu um público superior a 30 mil pessoas

Competidores e visitantes vieram de todas as regiões do Estado

15 de Maio de 2022 - 18h21 Corrigir A + A -

Mais de 30 mil pessoas participaram, como competidores e visitantes, da 32ª Festa Campeira do Rio Grande do Sul (Fecars). O acampamento, localizado dentro do Parque da Associação Rural de Pelotas (ARP), reuniu aproximadamente três mil pessoas e teve ainda, em média, a presença de 600 animais, utilizados nas competições. Para se ter ideia da grandiosidade, que marca a retomada do evento depois de dois anos e meio, os hotéis da cidade lotaram.

Promovida pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), com realização da 26ª Região Tradicionalista (26ª RT) e produção cultural da AG Entretenimento, a 32ª edição da Festa Campeira reuniu, entre quinta-feira e ontem, representantes das 30 RTs em diversas categorias, nas modalidades de prova de rédeas, tiro de laço, prova de chasque, gineteada e vaca parada. Participaram das provas os classificados nas etapas anteriores em suas regiões de origem. Shows e gastronomia também integraram o leque de atrativos.

Lembrando que esta é uma das maiores festas da tradição gaúcha, o coordenador da 26ª RT, Márcio Correa, enfatizou o fato de ser a primeira vez que o evento ocorre na Metade Sul do Estado. "Para nós foi um sucesso, com certeza. Acredito que deixamos um legado para essa gurizada e para nossa região. Foi muito difícil trazer a festa para cá, pois não é característico conseguir um evento deste porte aqui", ressalta. E lembra que as tratativas começaram ainda em 2019: "Concorremos com algumas outras cidades até conseguirmos, mas a pandemia fez com que não fosse realizada. Conseguimos agora com toda tranquilidade, essa festa que é voltada para toda família".

Como coordenador, Márcio diz que o sentimento, ao encerrar a Festa, é de dever cumprido. "Com mais este evento, conseguimos valorizar ainda mais a nossa região, a nossa Metade Sul, nossa Costa Doce gaúcha. Mostrar para o Rio Grande do Sul, para as pessoas que ainda não conheciam Pelotas, os nossos prédios históricos, nossa história e a nossa cultura", destaca.

Pontos altos

Na abertura, na quinta-feira, das 30 Regiões Tradicionalistas, apenas uma não estava presente. "Isso significa que mais de 90% das cidades do Rio Grande do Sul estavam representadas aqui neste final de semana", aponta. Como ponto alto da festa, Correa menciona a premiação e a competição da vaca parada com a criançada. "Estamos plantando, semeando o futuro, mostrando pra eles a nossa tradição, que não vai morrer nunca".

O coordenador disse ainda que a intenção é trazer a festa novamente para Pelotas. "É um evento que vai além da tradição, movimentando a economia da cidade. Tínhamos 300 veículos aqui dentro. Destes, seguramente 80 eram caminhões e motorhomes. Os hotéis estavam lotados. Não tenho noção do retorno financeiro para Pelotas, mas sei que foi bem considerável".

Correa observa que, com a realização do evento, Pelotas entra para a história. Além de ser o primeiro município da Metade Sul a receber a Festa Campeira, representa também a retomada do movimento tradicionalista gaúcho pós-pandemia. "A gente pode estar juntos novamente para confraternizar. É uma retomada de dois anos e meio sem eventos deste porte. Estamos deixando nosso legado nesta festa feita por muitas mãos".

Incentivo

A distância não foi um fator que desestimulou a participação. Famílias inteiras viajaram muito; alguns percorreram cerca de 700 quilômetros entre ida e volta só para ver os filhos competirem. É o caso da família de Luana Brocker, de sete anos, que competiu na categoria Bonequinha, na modalidade vaca parada. Pai, mãe e filha vieram de Três Coroas, distante 350 quilômetros de Pelotas. Um trecho considerável, mas que foi cumprido na maior tranquilidade e de forma bem proveitosa, como avalia a mãe, Cátia Sander.

O fato de Luana não se classificar, não tirou o brilho da participação. "Ela ficou muito nervosa na hora e errou as quatro primeiras laçadas, mas acertou a última. Nossa experiência de família nas competições de vaca parada é maravilhosa. Com certeza valeu muito a pena ter vindo. É um incentivo para a família e para o futuro dela". Cátia acentuou ainda que Luana laça desde os três anos e o filho de 15 anos e o marido também são laçadores.

Experiência é o que vale

Muriel Oliveira e Maicon da Silva são de Campo Bom, a 300 quilômetros de Pelotas e trouxeram os dois filhos: Sofia, de seis anos, e Cauã, de 14, para participar. A pequena Sofia encarou o desafio pela primeira vez e foi para a final na categoria Bonequinha. Cauã competiu na categoria Laço Guri, sem conseguir se classificar. Mas para a família, foi como se os dois obtivessem o primeiro lugar. "Vale muito a pena sim percorrer 600 quilômetros para incentivar nossos filhos. Eles participaram, tiveram a experiência e é isso que vale", afirmou Muriel.


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