Preocupação

Famílias seguem em alerta com o nível da água

Um metro acima do normal, Canal São Gonçalo levou à interdição da Estrada do Pontal da Barra ontem à tarde

11 de Novembro de 2019 - 21h02 Corrigir A + A -
Naiele teve de percorrer 20 minutos a pé por dentro da água (Foto: Paulo Rossi - DP)

Naiele teve de percorrer 20 minutos a pé por dentro da água (Foto: Paulo Rossi - DP)

Moradora das Doquinhas, Adriane se sente à deriva (Foto: Paulo Rossi - DP)

Moradora das Doquinhas, Adriane se sente à deriva (Foto: Paulo Rossi - DP)

Segue preocupante a situação das famílias moradoras das regiões atingidas pela elevação do nível do canal São Gonçalo e, consequentemente, da Lagoa dos Patos. Após mais de uma semana de fortes ventos, um dos locais mais atingidos é o Pontal da Barra, no Laranjal, que teve a via de acesso totalmente interditada na tarde de segunda-feira (11). Não há, todavia, desabrigados em Pelotas, São Lourenço do Sul ou Rio Grande.

O problema tem raíz nas descidas das águas rios Jacuí e Guaíba. Esse fenômeno, além da abertura das comportas da represa, fez com que o nível do São Gonçalo aumentasse consideravelmente. De acordo com o coordenador da Defesa Civil em Pelotas, João Arthur Assumpção, na manhã de segunda-feira (11), a medição constatou 1,95 metro e evolução para 1,96 nas primeiras horas da tarde, índice que se manteve até o fechamento da edição. Isso representa um metro acima do normal.

"O vento está se mantendo entre o leste, o nordeste e o sudeste. Eles trancam o canal e não deixam a lagoa ir em direção ao mar, que também está alto", comenta. A última medição da Lagoa dos Patos apontou 1,90 metro, com limite suportável de 2 metros. Existe previsão de vento forte, de 32 km/h, até a quinta-feira - em Pelotas.

Pontal
O Pontal da Barra ficou praticamente inalcançavel na segundaa-feira (11). As águas invadiram a estrada de acesso ao local, levando à interdição para carros. Bicicletas, motos e pessoas a pé conseguiam fazer o percursso durante a manhã, ainda que com considerável dificuldade. No fim da tarde, a situação piorou, com as ondas invadindo a via e forçando o fechamento total.

A pescadora Naiele de Carvalho teve de encarar a estrada de chinelos. Um trajeto de 20 minutos. Ela diz que, desde o início de novembro, o problema não cessou. "Na frente da minha casa é muito baixo, então fico com água pelo joelho."

Doquinhas
A região das Doquinhas, no Porto, convive com a sequência da água na frente das casas e com o alerta de que o nível aumente e possa voltar a atingir as casas mais distantes. No lado em que mora a pescadora Adriane Vieira, os filhos e netos, ouve uma melhora no quadro na manhã do domingo e uma piora na segunda-feira. Moradora do local há 18 anos ela lembra cheias semelhantes, ocorridas em 2006 e 2015. "O que a gente queria era sair daqui."

Do outro lado, a situação é pior. O nível de água não baixou em nenhum momento desde o início de novembro. O caos prejudica famílias como Patrícia e Marina Fernandes, mãe e filha. Com o alagamento, a menina não tem conseguido ir todos os dias à escola. "Estamos à deriva", lamenta Patrícia.

Outras cidades
Em São Lourenço do Sul, existe ainda uma margem de segurança de 40 cm antes que a Lagoa dos Patos invada a cidade. Antes de chegar às casas, seria preciso ainda mais vento ou chuvas. De acordo com o coordenador da Defesa Civil naquele município, coronel Valdoir Ribeiro, permanecendo a previsão do tempo atual, a tendência é que o nível da lagoa se mantenha na cidade.

Em Rio Grande, em virtude do vento nordeste, houve diminuição do acumulado na região central. Porém, a Ilha da Torotama sofre com o vento que empurra a água que desce da região metropolitana.

Previsão do tempo para terça-feira

Pelotas
Chuva: 20% de possibilidade
Vento: 32 km/h (nordeste)

São Lourenço do Sul
Chuva: 10% de possibilidade
Vento: 34 km/h (nordeste)

Rio Grande
Chuva: 20% de possibilidade
Vento: 39 km/h


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