Pandemia

Faltam medicamentos para atender pacientes de Covid-19 na região

Prefeitos da Zona Sul afirmam que estoques em hospitais estão baixos e que região deve entrar em fase mais crítica de contágio da doença

04 de Julho de 2020 - 14h15 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Michel Corvello42

Prefeituras de Pelotas e Rio Grande buscam alternativas junto ao Estado para garantir insumos às unidades de tratamento (Foto: Michel Corvello - Ascom)

Diante do agravamento do quadro de contágio do coronavírus na Zona Sul nas últimas semanas e da classificação prévia como bandeira vermelha, um novo e grave problema entrou na lista de preocupações dos municípios: a falta de medicamentos. Sedativos e relaxantes musculares fundamentais para o atendimento de pacientes com Covid-19 em UTIs estão em falta em todo o Estado e a escassez já atinge Pelotas e Rio Grande.

Cidades referência para internações, ambas estão em alerta para a possibilidade de não contar com os produtos. Ao todo, são 22 medicamentos que compõem uma lista de itens essenciais do chamado "kit entubação", usado para garantir cuidados a pessoas em quadro grave de coronavírus. Em Rio Grande, onde a capacidade de internação em UTIs está no limite (91% dos leitos ocupados), a prefeitura afirma que passou a manter um helicóptero de prontidão para busca de medicamentos. Contudo, há dificuldade em encontrar.

"Desde março os hospitais tentam comprar estes medicamentos fundamentais para sedar e entubar. Estamos ficando sem. Ontem (sexta, 3) recorremos à Marinha, que também não consegue comprar. A indústria tenta logística para buscar fora do Brasil. Estamos tentando em Montevidéu. Há um desabastecimento", alertou o prefeito Alexandre Lindenmeyer (PT), durante reunião da Associação de Município da Zona Sul (Azonasul) na manhã deste sábado (4). Segundo o secretário de Saúde do município, Maicon Lemos, os próximos dias serão de dificuldades. "O cenário que se avizinha é bastante delicado. É o momento que a pandemia ganha força no Estado", avaliou.

Pelotas defende restrições

Embora com ocupação de leitos menor, Pelotas também sente os efeitos da escassez do "kit entubação". Para Paula Mascarenhas (PSDB), o esgotamento da capacidade de internação em Rio Grande deve se refletir no encaminhamento de pacientes a Pelotas nos próximos dias. Com o aumento da demanda por leitos, o estoque para as UTIs corre risco de ser insuficiente. 

A prefeita defendeu a adoção de medidas restritivas regionais para tentar reduzir o avanço da doença e garantir capacidade de atendimento nos hospitais. Contudo, diz que a decisão precisa levar em conta dados sobre as áreas e atividades com maior incidência de contágio para que haja resultado. "Se não agirmos, os efeitos de um eventual fechamento, que seriam vistos daqui a 10 ou 15 dias, talvez já sejam inúteis. Se fecharmos agora talvez tenhamos o atenuamento dos casos", argumentou.

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