Construção

ETA São Gonçalo segue com as obras paralisadas

Sem data para retorno devido à pandemia, 70% da nova Estação já está concluída segundo o Sanep

12 de Agosto de 2020 - 08h45 Corrigir A + A -
Estação terá capacidade para tratar 500 litros por segundo e vai aumentar em 50% a capacidade atual (Foto: Jô Folha - DP)

Estação terá capacidade para tratar 500 litros por segundo e vai aumentar em 50% a capacidade atual (Foto: Jô Folha - DP)

A obra da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo, que promete ampliar a distribuição de água para a população pelotense, está parada desde meados de março, devido à pandemia do novo coronavírus. Segundo o Sanep, ainda não previsão de retorno das atividades.

Conforme explica a diretora-presidente da autarquia, Michele Alsina, a obra paralisou em março, em seguida do primeiro decreto municipal, que proibia as atividades e a mão de obra de fora do Estado. A empresa contratada é a Enfil, de São Paulo, então, a maioria dos trabalhadores não residia na cidade. Iniciada em 2015 e com previsão de término para 2021, a nova ETA já está 70% pronta. Michele salienta que os 30% que ainda faltam estão concentrados na parte elétrica e na captação de água bruta.

Um dos pontos destacados pela diretora, que influenciou ainda mais no atraso, foram os 70 dias de chuva que ocorreram em 2019. Segundo ela, nesses dias, os trabalhadores se dedicavam à parte interna da construção. “Mas mesmo assim conseguimos avançar bastante nos últimos tempos”, completou. Quando questionada sobre quando o empreendimento será entregue, Michele disse que na atual situação se torna inviável dar um prazo, mas garante que tanto o Sanep como a Enfil estão empenhados para que a obra seja finalizada o mais rápido possível.

A construção da ETA passou por diversos contratempos, como alterações de projetos, reorganizações junto à Caixa Econômica Federal e, segundo a autarquia, tudo isso atrasou a obra. No final do ano passado houve problemas com a Enfil, relativos a atrasos de salários dos funcionários da empresa. O Sanep também informou que a obra já vinha com um ritmo insatisfatório, tanto que empresa foi notificada diversas vezes. O contrato foi assinado em 2014, porém as intervenções só iniciaram em julho de 2015. Agora, com um novo aditivo, o prazo oficial para finalizar o projeto é 30 de junho de 2021.

Michele explica que o primeiro atraso ocorreu por falta de um licenciamento ambiental de instalação; assim que o documento foi aprovado as obras iniciaram. Sobre o prazo de finalização, ela reforçou que o objetivo é cumpri-lo, mas complementa que pós pandemia será necessário um novo cronograma para buscar novamente o fluxo de obra. Outro ponto diz respeito aos repasses feitos pela autarquia à Enfil. Ela informa que tudo ocorre através de medições, com aprovação da Caixa Econômica Federal, e até o momento o Sanep está em dia com todas as obrigações.

A mão de obra

Depois de alguns impasses e salários atrasados, um dos trabalhadores conversou com a reportagem e informou que atualmente todos os pagamentos estão em dia. Ele confirmou que nenhum dos nove servidores está desempenhando as atividades. No momento, eles contam com o plano do governo federal, que se responsabiliza por 70% do salário e a empresa pelo restante. “E ninguém foi demitido, seguimos os mesmos, mas em casa”, disse. Um dos engenheiros da Enfil também foi procurado pelo Diário Popular, mas disse não estar autorizado a conceder entrevistas e que todas as dúvidas deveriam ser sanadas pelo Sanep.

A promessa

A ETA vai ampliar a distribuição de água para a população em até 50%, tratando cerca de 500 litros por segundo, o que impactará significativamente no aumento da oferta, principalmente em locais que enfrentam problemas de abastecimento. A adutora vai trazer a água tratada da Estação, localizada no Capão do Leão. O sistema adotado na nova ETA é inédito em Pelotas. A ETA Santa Bárbara não será desativada. Por isso, problemas como a seca enfrentada esse ano deixarão de ser um problema para o município. Os meios de abastecimento de água no município são provenientes de barragens, cujo volume de água está sujeito às variações climáticas. A captação direta do canal representa segurança e estabilidade de abastecimento. Com maior disponibilidade de água tratada na rede, haverá consequentemente uma melhor distribuição no sistema, com aumento significativo da oferta, principalmente em locais que hoje enfrentam problemas.


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