Pesquisa

Estudo da UFPel aponta que atividade física reduz o risco de demência em idosos

Em média, a partir dos 50 anos, para cada ano a mais de idade o risco para demência aumenta em 11%, de acordo com dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros

19 de Julho de 2021 - 20h43 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Em média, pessoas com comprometimento cognitivo leve têm risco aumentado para demência em 10 vezes (Foto: Divulgação - DP)

Em média, pessoas com comprometimento cognitivo leve têm risco aumentado para demência em 10 vezes (Foto: Divulgação - DP)

O fator de risco mais forte para demência é o envelhecimento. Em média, a partir dos 50 anos, para cada ano a mais de idade o risco para demência aumenta em 11%, de acordo com dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros. Ainda, a prevalência de demência é até 14x maior em idosos com 80 anos ou mais comparado com adultos entre 50 e 69 anos. A demência é comumente precedida por casos de comprometimento cognitivo leve, caracterizado por um prejuízo da função cognitiva. Em média, pessoas com comprometimento cognitivo leve têm risco aumentado para demência em 10 vezes. No entanto, sabemos da importância de manter um estilo de vida saudável para reduzir o risco de diversos tipos de demência, como a doença de Alzheimer.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e da The University de Queensland (Austrália), mostrou que idosos de 80 anos ou mais com comprometimento cognitivo leve que faziam atividade física tinham o mesmo risco de desenvolver demência comparado com adultos de idade entre 50 e 69 anos, inativos, e com este comprometimento. Esses achados foram publicados em julho no Journal of Psychiatric Research. A amostra deste estudo foi composta por 521 adultos com idade igual ou superior a 50 anos e participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA). Os participantes tinham comprometimento cognitivo leve, moravam na Inglaterra, e foram acompanhados entre 2002 e 2018.

Ainda, o mesmo grupo utilizou os dados desta mesma coorte para verificar os efeitos da atividade física no risco de demência em uma amostra maior (8.270 adultos com 50 anos ou mais). Quando a amostra não foi formada somente por pessoas com comprometimento cognitivo leve, os pesquisadores viram que idosos com 80 anos ou mais que faziam atividade física tinham risco 50% menor de desenvolver demência comparado com adultos de idade entre 50 e 69 anos e inativos. Os achados deste estudo serão apresentados dia 26 de julho de 2021, no Alzheimer’s Association International Conference 2021.

Os autores lembram que um em cada três idosos no Brasil não atingiam as recomendações de atividade física em 2016. Além de aumentar o surgimento de novos casos de demência, a inatividade física esta fortemente associada à alta carga econômica desta doença no sistema de saúde brasileiro. Assim, os achados deste estudo mostram a importância da manutenção da promoção de atividade física em todas as idades, inclusive entre idosos. O estudo, liderado pelo professor Natan Feter, fez parte de sua tese de doutorado em Educação Física (PPGEF/UFPel).

Link para o artigo publicado: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022395621004088


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