Ato

Estudantes realizam mobilização contra greve do Sinasefe

Grupo caminhou do Campus Pelotas até a Reitoria do IFSul com cartazes e gritos em protesto à paralisação dos servidores

19 de Maio de 2022 - 19h13 Corrigir A + A -

Por Victoria Fonseca
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Insatisfeitos com a falta de aulas presenciais, os estudantes cobraram posicionamento dos campi em relação à paralisação das atividades. (Foto: Jô Folha - DP)

Insatisfeitos com a falta de aulas presenciais, os estudantes cobraram posicionamento dos campi em relação à paralisação das atividades. (Foto: Jô Folha - DP)

Na manhã desta quinta-feira (19), cerca de 70 alunos do IFSul caminharam do Campus Pelotas até a Reitoria da instituição em mobilização contrária ao estado de greve adotado desde quarta-feira pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Os estudantes foram recebidos pelo reitor Flávio Nunes e pelo diretor do Campus Visconde da Graça (CaVG), Marcos Betemps.

Insatisfeitos com a falta de aulas presenciais, os estudantes cobraram posicionamento dos campi em relação à paralisação das atividades. De acordo com Nunes, o momento não é o ideal para greve, mas pondera que os gestores da instituição não têm como interferir no movimento do sindicato. "A gente tem que tentar fazer o equilíbrio entre essa necessidade de reivindicação dos servidores e também a necessidade dos estudantes", afirma.

Diretor geral do Campus Pelotas, Carlos Corrêa afirma que os dois dias de paralisação nesta semana foram adotados pelo IFSul devido ao impasse de parte dos professores e outros servidores sobre a continuidade ou não das atividades. Segundo ele, hoje haverá reunião com coordenadores de ensino e professores de todos os segmentos de ensino técnico, das graduações e pós-graduações. Na segunda-feira, uma outra reunião está marcada com a área de administração para, na terça-feira, estabelecer as medidas que serão tomadas pelo campus.

"Se a gente verificar, por exemplo, que tem um número gigantesco de pessoas querendo continuar as atividades também, a escola segue o seu ritmo normal. Mas, neste momento agora, até por respeito a vocês, foi a primeira coisa que a gente pensou era a responsabilidade. Nós simplesmente não vamos deixar que os alunos vão às aulas e aí ver o que vai acontecer", disse Corrêa aos estudantes.

Discussão

Enquanto servidores e estudantes conversavam na Reitoria, membros do Sinasefe que haviam marcado encontro para um almoço chegaram ao local. O representante do Grêmio Estudantil leu aos sindicalistas carta aberta pedindo revisão sobre a paralisação. Entre os argumentos, os alunos alegam que não houve contato prévio com a comunidade acadêmica para buscar a visão dos alunos da instituição e que a greve atrasaria muito o calendário acadêmico, além de causar possíveis evasões. O Grêmio Estudantil alega que, no momento da assembleia do Sinasefe, segunda-feira, os professores do IFSul Pelotas estavam em aula e não puderam votar.

"Muitos pensam em desistir dos seus cursos ao se verem sempre a perspectiva de um dia concluir essa formação, principalmente os novos entrantes que se assustam com a falta de organização que a instituição demonstrou ao propor o início de uma greve quatro dias após o início das aulas. A comunidade acadêmica se dispõe a participar de paralisações, assembleias, protestos, tudo que se fizer necessário para promover o debate e buscar os direitos dos servidores. Mas reforçamos a nossa posição contrária à greve", diz a carta.

Em resposta, um dos representantes do Sinasefe argumentou que a construção de greve está sendo elaborada desde janeiro e que o dia 16, início das aulas nos campi de Pelotas, não foi escolhido pelo sindicato local, mas sim pela unidade nacional. "A greve surgiu no momento em que o próprio governo sinalizou, em dezembro do ano passado, que daria aumento para uma única categoria, a Polícia Militar e Federal. A partir dali as outras entidades não só a educação, mas a saúde, o Banco Central, o INSS começaram a se mobilizar e construir esse momento de greve nacionalmente, até então, não tinha data proposta e sim uma construção", alega Roberto Rodrigues Vieira Júnior, membro do comando de greve.

No final de semana está prevista plenária nacional com os servidores da educação e de demais categorias. Conforme Vieira Júnior, a reivindicação da categoria é a reposição inflacionária de 19,99% dos últimos três anos.

Ânimos exaltados

Durante a conversa, a discussão entre os estudantes e servidores ficou mais exaltada. Sindicalistas reclamaram que alunos estariam buscando a imprensa antes de dialogar com os trabalhadores, enquanto os alunos acusam o Sinasefe de impedir manifestações contrárias à greve ao apagar comentários em publicações do sindicato sobre o tema.

Para Manoel Porto Júnior, integrante da direção nacional do sindicato, o momento de começar a greve é agora devido ao pouco tempo para pressionar o governo pelo reajuste salarial antes das eleições de outubro. O professor disse que irá a Brasília para reunião nacional entre o Sinasefe e servidores de universidades, além de movimentos estudantis, para montar pauta específica da educação. "Se vocês quiserem colocar algumas reivindicações, a gente pode estar levando para lá também vai ter representações da frente dos estudantes lá e a nossa expectativa é tentar criar coletivamente uma pauta", sinaliza.

De acordo com Mateus Saldanha, líder da mobilização de estudantes do IFSul Campus Pelotas, até a tarde de ontem o abaixo assinado contra a greve tinha 1.300 assinaturas.


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