Educação

Estrutura para as crianças da zona rural

Casa de Acolhida Madre Tereza de Calcutá recebe os pequenos na Colônia Santo Antônio, no 7º Distrito de Pelotas

06 de Dezembro de 2021 - 09h22 Corrigir A + A -
Atendimento. Crianças recebem alimentação e participam de atividades educacionais

Atendimento. Crianças recebem alimentação e participam de atividades educacionais

Foi inaugurada no mês de novembro a Casa da Acolhida Madre Teresa de Calcutá. Localizada na Colônia Santo Antônio, no 7º Distrito de Pelotas, a entidade atende cerca de 20 crianças entre dois e 12 anos de idade e proporciona atividades de caráter educativo e social para os menores. A Casa funciona de segunda à sexta, das 7h até às 19h.

O ponto de acolhimento é uma demanda antiga da zona rural. Com pedra fundamental da obra lançada em 2017, a construção foi finalizada no ano seguinte a partir de doações da comunidade. Porém, questões burocráticas acabaram atrasando a inauguração. A inspiração para a ideia do desenvolvimento da instituição surgiu da necessidade de acolher os filhos das mulheres que trabalham nas lavouras na Colônia.

“Precisávamos abrir para que as mães pudessem trabalhar nas lavouras. Elas ficavam envolvidas na safra do fumo, feijão, cebola e outros produtos. A Casa fica em uma região que era um quilombo e que as pessoas não tinham direito à terra, mas o cenário mudou e essa necessidade foi crescendo”, afirma o padre Armindo Luiz Capone, um dos idealizadores do projeto.

Também idealizadora da iniciativa, Maria Eulalie Fernandes conta que o planejamento para desenvolver a Casa também foi inspirado no exemplo de Madre Teresa de Calcutá, canonizada em 2016. “Ela fazia essas casas de acolhida onde colocava crianças, velhos, pessoas doentes e cuidava de todos. Nossa intenção é que possamos ser esse braço que acolhe”, ressalta.

Segurança para ter uma atividade

Uma das mães que trabalha na Colônia e que é beneficiada pela instituição é Renata Silva. Aos 22 anos e mão da pequena Isabela, de dois anos, trabalha na indústria do pêssego em Pelotas e diz que a creche é de extrema importância para sua família, pois é este serviço que permite sua inserção no mercado de trabalho para ter uma renda. “Se não fosse a creche eu não teria como trabalhar. É muito difícil achar na Colônia alguém que possa ficar com as crianças durante o nosso horário de trabalho”, explica.

Em situação parecida, Camila Borba, 19, conta com a Casa para os cuidados com Luan, também de dois anos de idade. “É importante porque eles cuidam muito bem das crianças. Eu deixo meu filho aqui e tenho a certeza de que ele é bem cuidado. Consigo trabalhar tranquila e é uma coisa que fez bastante falta quando não tinha.”

A Casa da Acolhida funciona em turno integral, investindo no desenvolvimento de habilidades e atividades educativas. Para o padre Capone, o investimento na educação infantil deve ser prioritário. “Estradas, saneamento, outras obras são importantes, mas as crianças têm muito mais relevância. Investir em crianças é apostar no desenvolvimento e olhar para o futuro, é um investimento em cidadania. Além de abrigar as crianças, precisamos investir na formação delas, ensinar e instruir.”

Modelo de funcionamento

No momento, a Casa atende 20 crianças, mas possui capacidade para receber 40. Os pequenos são divididos em dois grupos. Crianças entre dois e sete anos, ou seja, que estão fora da idade escolar, entram às 7h e saem às 19h, realizando refeições no local. Já as na faixa etária dos sete aos 12 anos entram à tarde, após as aulas escolares. Iniciam as atividades no almoço e já permanecem para as programações em turno integral. Na Casa, as crianças aprendem funções da cozinha, educação religiosa, operações matemáticas, brincam e realizam exercícios que ajudam a exercitar a leitura da realidade e entender o contexto que estão inseridas. “Trabalhar com as crianças é um gesto de amor concreto de Deus. Uma graça palpável em cada criança”, afirma Maria Eulalie.


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