Problema histórico

Esteticamente feio, fisicamente perigoso

Emaranhados de fios nos postes de luz em Pelotas ainda são realidade e devem seguir por um bom tempo

20 de Outubro de 2021 - 08h30 Corrigir A + A -
Pelotenses pedem fiação subterrânea (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pelotenses pedem fiação subterrânea (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O histórico problema de fios emaranhados nos postes de luz em Pelotas parece estar longe do fim. A situação, além de uma poluição visual, ainda representa risco para pedestres que se sentem inseguros de transitar pelo Centro da cidade. Em 2020, a prefeitura publicou um decreto proibindo a existência de fiação aérea de telecomunicações no Calçadão da Andrade Neves, mas com a chegada da pandemia, a cobrança por adaptação à norma foi suspensa.

O empresário Paulo Henrique Teixeira, 59, possui um estabelecimento na rua Marechal Floriano, na esquina com a praça Coronel Pedro Osório, há 31 anos. Ele conta que durante este período já presenciou diversos curtos-circuitos no entrelaçado de fios que fica próximo ao seu prédio. Além disso, Teixeira relata que seguidamente há cabos caídos, apresentando risco aos pedestres.

Próximo dali, na esquina entre as ruas 15 de Novembro e Sete de Setembro, a atendente de uma doceria relata explosões na fiação. Segundo Paula Domingues, 29, a situação fica ainda pior no verão, quando há maior consumo de energia. "É muito fio, de internet, telefone, energia, tudo junto, e pega fogo em tudo. Às vezes a gente fica um bom tempo sem luz", comenta.

Ainda na 15 de Novembro, na tarde de ontem, um fio caído em frente a uma agência bancária exigiu um pouco mais de atenção dos pedestres que passavam pelo local. Uma senhora, que prefere não ser identificada, disse que além de ser "esteticamente horrível", a quantidade de material é "uma situação de perigo". Já no Calçadão da rua Andrade Neves, um dos comerciantes - que também quis preservar sua identidade - relata que, mesmo contratando empresas terceirizadas, ninguém quer realizar a limpeza dos vidros que ficam na parte superior de sua loja, devido ao medo dos fios que estão próximos à abertura.

Questionados pela reportagem do Diário Popular, todos os entrevistados apontam a mesma solução para o problema: fazer o cabeamento de forma subterrânea.

Fiação subterrânea já teve início

De acordo com a prefeitura, a questão já vem sendo tratada há alguns anos pelo Executivo. Nos projetos de requalificação do Calçadão, do Mercado Central e da praça Coronel Pedro Osório já foram feitas as instalações subterrâneas de telefonia e internet. O secretário de Desenvolvimento, Turismo e Inovação, Gilmar Bazanella, ainda lembra que em 2020 foi publicado um decreto proibindo a existência de fiação aérea de telecomunicação a partir de dezembro daquele ano, ação que foi executada por alguns empreendimentos. No entanto, Bazanella diz que com a chegada da pandemia e os reflexos aos comerciantes, a medida foi suspensa temporariamente. A ideia é que com a estabilização da crise sanitária, a cobrança seja retomada.

O Poder Executivo ainda informou que recentemente iniciou uma conversa com a CEEE Equatorial em busca de uma parceria para fazer a fiação subterrânea em locais como o entorno da praça Coronel Pedro Osório, cujo o projeto está em análise no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, o órgão ressalta que a obra possui um custo elevado e por isso são necessárias parcerias.

"Para passar a fiação para o subterrâneo é preciso, primeiramente, recursos financeiros, pois esse tipo de obra tem um custo bastante elevado e necessita de especialidade técnica devido à natureza da instalação, envolvendo cabos energizados. No caso do Calçadão, por exemplo, que foi requalificado recentemente já com os espaços para aterramento, a responsabilidade agora recai sobre os estabelecimentos situados nele, que precisam fazer a ligação dos fios, conforme previsto no decreto nº 6.246/2020", diz a nota encaminhada pela prefeitura.

Assim como em Pelotas, Porto Alegre e Guaíba também passam pelo mesmo problema. Nesses locais, a CEEE Equatorial iniciou recentemente a higienização de cabos de telecomunicações e equipamentos em excesso.


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