Saúde

Está descartada a greve na Santa Casa de Pelotas

Trabalhadores receberam os salários na quinta-feira à tarde e decidiram não deflagrar o movimento

13 de Setembro de 2018 - 21h33 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Pressão. Semana foi de manifestações dos trabalhadores do hospital. (Foto: Gabriel Huth - DP)

Pressão. Semana foi de manifestações dos trabalhadores do hospital. (Foto: Gabriel Huth - DP)

A greve dos funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas foi descartada. Os trabalhadores receberam os 70% restantes dos salários de agosto, na tarde de ontem, e decidiram não deflagrar o movimento. A categoria, entretanto, segue mobilizada, já que as reivindicações também passam por melhores condições de trabalho e preocupação com o fechamento de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Decidimos dar uma trégua, mas vamos seguir negociando com a Provedoria as demais cláusulas. Queremos que a Santa Casa volte a funcionar na sua plenitude, como sempre aconteceu”, destacou a presidente do Sindisaúde, Bianca Macedo da Costa. E, além de acesso a materiais que garantam todos os tipos de procedimentos, a categoria também pressiona pela reabertura de duas estruturas fechadas nos últimos meses: a Maternidade - que causa prejuízos às gestantes de baixo risco de toda a região - e 40 leitos clínicos.

Nos próximos dias, os trabalhadores devem procurar a Câmara de Vereadores e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para fazer reverberar as queixas. Desde março de 2017, por exemplo, não ocorrem os depósitos referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Traumatologia volta à pauta
Hoje, a direção do hospital deve formalizar, por ofício, o pedido para a Secretaria Municipal de Saúde complementar recursos que cobrissem o déficit de R$ 170 mil por mês gerado pela traumatologia e ainda os auxiliasse no pagamento do parcelamento de dívidas bancárias; em torno de 30% provocadas pela prestação de serviços de traumato ao longo dos anos. Ao se manifestar por nota, a Secretaria já havia afirmado que aguardaria o material para analisar a viabilidade do repasse.

Seria um dos caminhos para evitar que a Santa Casa deixe de ser porta aberta 24 horas em traumatologia para a população de Pelotas. A decisão de interromper os atendimentos, inclusive, já foi oficializada ao governo em 29 de maio. Por isso, a importância de articular solução. Os serviços - referência a toda a comunidade - só estão garantidos até o final de novembro, quando o contrato pode ser efetivamente rompido.

Envolvimento da comunidade
Na quarta-feira, duas caminhadas chegaram a cruzar ruas centrais de Pelotas para chamar a atenção para a crise financeira da instituição e proliferar um mesmo apelo: Não deixe a Santa Casa morrer. Os repasses do governo do Estado com atrasos cada vez maiores e a defasagem da tabela do SUS há 14 anos sem reajuste têm dificultado ainda mais as finanças do hospital, que opera no vermelho há muitos anos. O déficit atual é de R$ 1,3 milhão por mês.


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