Educação

Escolas ainda sabem pouco sobre 4º ano do Ensino Médio

Anunciado pelo governo do Estado, modelo válido a partir de 2022 não foi informado à 5ª CRE e professores

28 de Julho de 2021 - 09h22 Corrigir A + A -
Até o momento a região ainda não foi informada oficialmente sobre a novidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Até o momento a região ainda não foi informada oficialmente sobre a novidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Por: Vitória Leitzke

Um dos setores mais prejudicados na pandemia foi a educação. O período sem aulas, seguido pelo retorno através do sistema remoto e, atualmente, híbrido na rede estadual de ensino trouxe prejuízos para os alunos, principalmente aqueles que estão no Ensino Médio. Para tentar recuperar o tempo perdido, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) confirmou a criação do quarto ano do Ensino Médio para escolas estaduais, a partir de janeiro de 2022. Agora, a pasta estuda como se dará a efetivação da proposta.

Segundo a coordenadora da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Alice Maria Szezepanski, até o momento a região ainda não foi informada oficialmente sobre a novidade. "Estamos trabalhando na implantação do novo Ensino Médio e nos planos de ação pedagógico complementar, que validam as atividades que as escolas desenvolveram no modelo híbrido de ensino. Com relação ao quarto ano do Ensino Médio, ainda não temos nenhuma orientação da Seduc", afirma Alice.

O projeto é visto com bons olhos pelo diretor-geral do Instituto Estadual de Educação Assis Brasil (IEEAB), Fábio Padilha. De acordo com ele, os alunos foram muito prejudicados com duas longas greves recentes e também com a pandemia. "Acho ótimo, sou um defensor. Desde o início venho falando que a única forma de recuperar é o quarto ano no Ensino Médio", destaca. O educador também defende a criação de um décimo ano no Ensino Fundamental. "O ensino remoto, por mais que os professores se dediquem, não é a mesma coisa. O prejuízo está sendo imensurável, não só para os alunos como para a sociedade, para as universidades e para o mercado de trabalho. Hoje, eles [os alunos] entram para este mercado completamente despreparados", complementa o diretor da escola que conta com 1.480 alunos e cem professores.

Professora e coordenadora do Ensino Médio da escola, Rosa Chaves diz que teve conhecimento sobre o assunto apenas através da mídia. "Eu acho que adesão será feita se o aluno não conseguir ter o ingresso à universidade e se não precisar trabalhar", acredita. "Meu medo é que muitas vezes querendo ajudar os alunos da escola pública atrasamos ainda mais seu desenvolvimento com projetos que possuem uma escrita linda, mas na prática não funcionam como queremos", desabafa. Ela projeta que, com a nova proposta, o quadro de professores poderá ter que passar por uma nova organização, com mais profissionais.

Faculdade ou quarto ano?

O aluno David Villamediana acredita que é essa a pergunta que ele e seus colegas de Ensino Médio terão que se fazer a partir de agora. Conforme o estudante de 18 anos, a ideia é boa, porém difícil. "Muito além de qualquer coisa os estudantes preparam-se por três anos pra fazer o Enem e sair direto para a faculdade. Aqueles que querem fazer, claro", defende.

Assim como Villamediana, Jonathan Vahl também pretende esperar o ano que vem para decidir se irá optar em fazer o quarto ano. "Dependendo da situação, eu faria sim, não acho que seja ruim aumentar mais um ano", diz.

Em construção

Segundo a Seduc, o currículo do quarto ano ainda está sendo construído, entretanto já se sabe que o enfoque principal se dará para algumas disciplinas, como Português, Matemática e Inglês, além de outras adicionais, como Projeto de Vida e Projeto de Vida no Mundo de Trabalho, buscando aperfeiçoar os jovens para o início de suas carreiras.


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