Final feliz!

Enfim, hora de ir para casa, após 178 dias

A pequena Louisy, que nasceu com 770 gramas e 33 centímetros, recebeu alta do HUSFP/UCPel nesta sexta-feira

06 de Dezembro de 2019 - 21h12 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Sorriso leve. Casal Daiane e Maicon aproveitou para reforçar agradecimentos, na despedida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Sorriso leve. Casal Daiane e Maicon aproveitou para reforçar agradecimentos, na despedida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Guerreira. Louisy foi para casa com 3,395 quilos, 50 centímetros e sem uso de oxigênio (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Guerreira. Louisy foi para casa com 3,395 quilos, 50 centímetros e sem uso de oxigênio (Foto: Carlos Queiroz - DP)

"O que nos moveu foi a fé". Durante 178 dias, Daiane de Oliveira Silveira, 29, agarrou-se a uma certeza: "Temos um Deus maravilhoso que está cuidando e guardando por ela". Foi assim desde que a pequena Louisy nasceu, às 14h56min, de 12 de junho. Começava naquela quarta-feira, às vésperas do inverno, uma história de superação. Com 27 semanas de gestação, 33 centímetros e 770 gramas, Louisy chegava com grandes lições para ensinar.

Nesta sexta-feira (6), a tarde foi de alegria, emoção e despedida no Hospital-Universitário São Francisco de Paula da Universidade Católica de Pelotas (HUSFP/UCPel). Com 3,395 quilos, 50 centímetros e, às vésperas de completar seis meses de idade, a guerreira ganhou a alta de presente. Uma notícia festejada não só por familiares e amigos. A informação correu os corredores do "Chico". Do restaurante à recepção, ainda antes de deixarem o leito 1 do quarto 428 da Pediatria.

"É um sonho. Por várias vezes eu pensava: 'Será que o nosso dia vai chegar?'". E chegou: em uma sexta-feira ensolarada, de céu azul, e laço de fita salmão para anunciar que é hora de ir para casa, no bairro Três Vendas. Juntos, Daiane, Louisy e Maicon Alexandre, 33, irão (re)conhecer o lar, em que o casal permaneceu apenas para dormir nos últimos meses. A técnica em Contabilidade entrava no HUSFP por volta das 7h45min e, não raro, saía depois da meia-noite. O marido cumpria a jornada como pedreiro e, em todas as brechas possíveis, estava lá de prontidão.

Datas, vitórias e o amor fortalecido
O susto surgiu em maio, quando o pré-natal tranquilo foi quebrado por episódios de pressão alta. Depois de passar por Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e Pronto-Socorro de Pelotas (PSP), Daiane Silveira foi encaminhada para Casa da Gestante, do HUSFP, onde permaneceu internada por 18 dias, até dar à luz a primogênita. "Por exames, descobrimos que ela não estava se alimentando". Era o anúncio indireto de que Louisy nasceria antes do previsto. Pelo menos 12 semanas antes de um bebê a termo.

Nestes quase seis meses de batalha e vitória, foram inúmeros medos e agradecimentos. Intercorrências, transfusões, cirurgia nos olhos para assegurar a visão. Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal. Unidade Semi-intensiva. Pediatria. Até poderem sorrir aliviados com a alta. Nos primeiros tempos, depois do bom-dia à filha, Daiane ficava junto à incubadora, em oração, sem poder tê-la aconchegada ao colo. "Quando cheguei e me alcançaram aquele avental verde, eu já sabia o que significava. Nem acreditei. Peguei a minha filha pela primeira vez com 72 dias de vida".

São memórias para guardar. E não são poucas. Vivências que os fazem ainda mais fortes. Experiências que os farão comemorar o sexto mêsversário, com direito a bolo e Parabéns a você. Exatamente como ocorreu junto à equipe do HUSFP nos outros cincos meses em que a pequena Louisy espalhava seus ensinamentos a todos.

Acompanhamento continuará no Ambulatório de Prematuros
A médica não contém a felicidade. Louisy não ganhou apenas o peso que a colocasse em condições de deixar o hospital. A guerreira vai para casa em ar ambiente - sem uso de oxigênio - e sem necessidade de sonda para alimentação. "É muito gratificante. Estamos sem palavras. Ela está recebendo alta maravilhosamente bem, reativa, atenta. Plena", destaca a pediatra Lúcia Ferrari.

E lembra que neste quase meio ano de aprendizado e de respeito ao tempo e às progressões diárias, a equipe se envolveu firmemente na luta para vencer todas as intercorrências que costumam atingir os prematuros extremos e, simultaneamente, acompanhou "aulas de mãe" - enfatiza a médica, em elogio à dedicação de Daiane.

A partir de agora, a família contará com o acompanhamento do Ambulatório de Prematuros, que irá monitorar - e orientar - o ciclo de desenvolvimento de Louisy. Será mais um passo dessa história, que se transforma em símbolo de superação. De amor. De vitória. De um 2019 que pode terminar, sim, com final feliz.

Confira o vídeo da alta da pequena Louisy:


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