Saúde

Empréstimo quitará salários atrasados da Santa Casa de Pelotas

Hospital assinou contrato de R$ 20 milhões com o Banrisul; primeira parcela sai na terça-feira

16 de Janeiro de 2020 - 20h31 Corrigir A + A -

"É a reestruturação financeira da Santa Casa", definiu o provedor do Hospital, João Francisco Neves (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A Santa Casa de Pelotas receberá um empréstimo de R$ 20 milhões do Banrisul. O anúncio foi feito pelo provedor do hospital, João Francisco Neves, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), na entidade. O montante será repassado em parcelas, que irão até o mês de junho. A assinatura do contrato ocorreu nesta quinta-feira, e possibilitará a liberação de R$ 7 milhões, que serão utilizados para o pagamento integral da folha salarial dos funcionários relativa ao mês de dezembro, que estava atrasada. Outros R$ 3 milhões já foram recebidos para a quitação do 13º salário.

"É a reestruturação financeira da Santa Casa", definiu Neves. Segundo ele, o atraso no pagamento foi atribuído ao atraso na destinação de recursos provenientes do estado e do município, que começaram a ser liberados somente após o último dia 15. O acordo com o banco foi comunicado aos funcionários durante a ultima quarta-feira, quando estava prevista a realização de uma assembleia da categoria, que poderia indicar uma greve. Com o acerto, houve a definição de um novo prazo, até a próxima terça-feira para o pagamento da remuneração. A confirmação do empréstimo poderá garantir que os salários sejam pagos em dia, até o final do ano. "É o compromisso que assumimos para não termos uma crise maior", afirma Neves. A folha salarial bruta dos cerca de 900 funcionários do local é de R$ 2,8 milhões ao mês.

Conforme o provedor a obtenção do investimento para a composição de um fluxo de caixa para a instituição foi um das indicações da consultoria realizada pelo Hospital Sírio Libanês, no primeiro semestre de 2019. "Me deixaram tranquilo, pois demostraram que a Santa Casa é viável", relata. No entanto, ele lembra a indicação de que seriam necessários ajustes, como a formação de uma gestão eficiente, a partir da identificação de pontos negativos da entidade e o dimensionamento de custos. Ele cita o exemplo da padaria da instituição, que funcionava com equipamentos antigos, o que encarecia o preço do pão produzido. Com a decisão de fechamento do setor, o alimento passou a ser obtido junto a fornecedores, assim como os lanches servidos na copa do local. Com a ação, ele conta que o setor registrou um lucro de R$ 34 mil em outubro de 2019, após ter registrado um prejuízo de R$ 1.500,00 em janeiro do mesmo ano. Outra ação citada foi a terceirização do estacionamento do local, que proporciona uma arrecadação mensal de R$ 15 mil. "Antes dava prejuízo", lembra Neves.

Destinação dos recursos será fiscalizada

Duas parcelas do empréstimo ainda serão liberadas nos meses de abril e junho, com o valor de R$ 5 milhões, e o hospital terá o prazo de carência de um ano para iniciar o pagamento do empréstimo. O dinheiro será depositado em uma conta única, com as respectivas utilizações sendo acompanhadas por uma empresa contratada pelo banco para a supervisão dos recursos. Uma das destinações será o investimento em setores que possam se tornar autossuficientes. De acordo com Neves, o intuito é que a partir de uma maior produção, esses pontos possam aumentar a arrecadação, de modo que os recursos obtidos sejam suficientes para o custeio próprio do respectivo setor, com o excedente sendo destinado à conta geral do Hospital. "Dessa forma é que nós queremos começar a sair da crise", afirma. Entre as medidas também estão a criação de indicadores de desempenho, a elaboração de relatórios mensais das atividades do hospital, e a abertura de um centro clínico até março, com a expectativa de arrecadação de até R$ 500 mil mensais.

"Iremos ter um ano de folga financeira para que possamos nos rearranjar", destaca o provedor. Dessa forma, a prioridade será o pagamento em dia das obrigações do hospital, com funcionários, fornecedores, outras instituições, e de parcelas de renegociações da dívida total da Santa Casa, estimada em R$ 64 milhões. Desse valor, R$ 18 milhões são débitos relativos ao fornecimento de energia elétrica ao local, pela CEEE. O total deve ser pago em 240 meses, com a destinação mensal de R$ 76 mil. Para tentar reduzir o número, Neves conta que está previsto para o início de fevereiro o lançamento de uma campanha válida para a Zona Sul do Estado, na qual qualquer pessoa poderá contribuir com um valor extra na conta de luz, que será destinado para a quitação da dívida do Hospital com a Companhia.

Aumento de atendimentos via SUS

Na ocasião, o provedor do hospital lembrou que outras Santas Casas também estão passando por dificuldades financeiras. Uma das razões apontadas foi o aumento no número de atendimentos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que deve cumprir um mínimo de 60%, para que a instituição receba os respectivos recursos e seja reconhecida como filantrópica. No ano passado, 78% dos atendimentos do hospital foram pelo SUS. "O atendimento particular e por convênio tem que tapar o buraco, mas tem sido insuficiente", afirma. Por isso, a meta para 2020 é atingir o número mínimo obrigatório, de modo a garantir condições financeiras sustentáveis para o funcionamento do hospital.


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