Educação

Em defesa da autonomia universitária

Estudantes da UFPel temem intervenção do Governo Federal na nomeação do novo reitor da Universidade

17 de Setembro de 2020 - 19h23 Corrigir A + A -
Estudantes reunidos em frente ao Lyceu Rio-grandense  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Estudantes reunidos em frente ao Lyceu Rio-grandense (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Foi com cartazes e palavras de ordem que os estudantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) deixaram registrado, em um ato simbólico, que não aceitarão possíveis intervenções do presidente Jair Bolsonaro na nomeação dos reitores, que serão eleitos através de consulta informal nos próximos dias. As manifestações ocorreram em diversas cidades do país e aqui foi encabeçada pelo movimento estudantil Juntos. O grupo se reuniu em frente ao Lyceu Rio-grandense respeitando o distanciamento social e as medidas de higiene necessárias para a época.

De acordo com Fabrício Sanches, membro do movimento e mestrando em Educação na UFPel, o objetivo do ato era explicar à comunidade o que está acontecendo em todo país e mais recentemente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Por lá, o atual governo interveio na decisão da comunidade acadêmica e indicou o último colocado, Carlos Bulhões. "A gente se antecipa a uma possível intervenção. Estamos aqui para mostrar que há resistência", frisou o jovem.

A estudante do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPel, Jenifer Dias, também esteve presente no ato e alertou que as manifestações são urgentes. "Precisamos manter, pelo menos, um suspiro de democracia dentro das universidades", completou. Além disso, os estudantes pediram que a comunidade acadêmica da UFPel cobre de seus candidatos o compromisso em não aceitar serem nomeados caso não eleitos pelo processo democrático. Outra pauta reivindicada no ato foi o corte de 17% nas verbas das universidades que está previsto para ocorrer em 2021, mesmo com as instituições cumprindo papel fundamental no combate à pandemia do novo coronavírus.

Para o reitor da UFPel, Pedro Hallal, nomear alguém que não recebeu a maioria dos votos durante o processo eleitoral é um duro golpe na democracia. "É como se o país tivesse nomeado Ciro Gomes na última eleição presidencial, mesmo ele tendo ficado atrás do Bolsonaro e do Haddad", exemplificou. Sobre a nomeação de Bulhões, Hallal afirma ser um desrespeito com a comunidade acadêmica da melhor universidade federal do país.

A situação na UFRGS

Na última quarta-feira, a decisão de nomear Carlos Bulhões como reitor foi publicada no Diário Oficial da União. Acontece que dos mais de 15 mil votos, o novo reitor, que é docente do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, recebeu apenas 1.860, sendo classificado como o menos votado, em terceiro lugar. A chapa democraticamente eleita era composta por Rui Oppermann, da Faculdade de Odontologia, e Jane Tutikian, do Instituto de Letras. A dupla já ocupava os cargos de reitor e vice-reitora, respectivamente.

Eleições na UFPel

O primeiro turno está marcado para acontecer na próxima semana, nos dias 23 e 24. Com quatro chapas inscritas, o pleito ocorrerá de forma presencial e online, com horários e locais ainda não divulgados. O segundo turno ocorrerá nos dias 14 e 15 de outubro.


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