Saúde

Em busca de medicamentos

Usuários da Farmácia Municipal reclamam de filas extensas desde a reabertura do local, na segunda

15 de Janeiro de 2021 - 10h15 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

Estrutura ficou fechada para reformas entre os dias 4 e 8 de janeiro (Foto: Jô Folha - DP)

Estrutura ficou fechada para reformas entre os dias 4 e 8 de janeiro (Foto: Jô Folha - DP)

De acordo com usuários, a farmácia tem recebido um grande público desde a retomada dos trabalhos (Foto: Jô Folha - DP)

De acordo com usuários, a farmácia tem recebido um grande público desde a retomada dos trabalhos (Foto: Jô Folha - DP)

Quem passa pela rua Professor Araújo pela manhã, na esquina com a Rafael Pinto Bandeira, já nota o movimento acima do normal. São centenas de pessoas aglomeradas todos os dias em filas, ou espalhadas pela praça no Largo Vernetti. Todas elas aguardando atendimento na Farmácia Municipal.

O local, que comporta as farmácias do Município, do Estado e de ordens judiciais, ficou fechada entre os 4 e 8 de janeiro para uma reforma que visa, justamente, acelerar o atendimento, que começa às 8h. Acostumado a buscar medicamentos para alguns parentes, o motorista Nilmar Acosta, 54 anos, estranhou o movimento no local. “Geralmente eu venho cedo, chego 6 horas da manhã, e esse horário não tem ninguém. Mas como a farmácia estava em manutenção até segunda-feira, eu acho que é por isso que está dando essa loucura. Já teve outras vezes que eu cheguei aqui às 10h e saí em 20 minutos”, disse.

Em contrapartida, João Carlos Fagundes, 55 anos, que no momento está desempregado, revela já ter enfrentado filas longas em outras oportunidades. “Eu venho aqui todos os meses, às vezes chego aqui e não tem remédio, tem que vir no outro dia. E as filas continuam, o pessoal chega a vir aqui às 5h da manhã. Eu costumo chegar um pouco antes das 6h e a fila já está grande. É muita gente, o pessoal sofrendo, pessoas em cadeira de rodas que precisam ficar esperando. A situação não é muito boa, como dá pra ver aí”, comenta, apontando para a fila formada do outro lado da rua.

Mas, segundo ele, a situação foi agravada nesta semana. “Ontem (quarta-feira) eu estive aqui às 13h45min e já não tinha mais ficha e tinha muita gente ainda esperando. O atendimento deles é precário e está cada vez pior”, comenta João Carlos, que precisa de medicação para Hepatite B.

Outro cidadão que recorre com frequência à Farmácia Municipal é o conservador restaurador Gustavo Garcia, 45 anos. Ele relata que a principal dificuldade está na retirada dos medicamentos fornecidos pelo Estado. “Ano passado vim pegar remédio na Farmácia do Estado, normalmente pego pela do Município, e pro Estado é isso aí, está super cheio todos os dias. O atendimento em si normalmente é bem complicado, até por conta do sistema, as pessoas também, então o atendimento é devagar. Mas essa é a primeira vez que venho aqui e vejo cheio desse jeito, só agora nessa semana mesmo, todos os dias está muito cheio.”

Dispensação do Estado

Coordenador do Departamento de Assistência Farmacêutica da Farmácia Municipal, Fabian Teixeira Primo afirma que o local ficou fechado por cinco dias justamente para fazer melhorias no atendimento ao cidadão. “A farmácia ficou fechada entre 4 e 8 de janeiro para uma reforma para reorganizar espaços, para o atendimento e na parte interna também. Adequamos os nossos espaços para acelerar o atendimento”, diz.

De acordo com Fabian, são os medicamentos distribuídos pelo Estado os responsáveis pelo movimento intenso no local. “A nossa grande dificuldade é pelos medicamentos do Estado, que só são recebidos aqui. Os sistemas são diferentes, a dispensação é diferente. Abrimos outros guichês, que seriam das ordens judiciais, para ajudar no Estado, mas são sistemas à parte, não é possível remanejar quem atende o município para atender no Estado”, ressalta.

O coordenador lembra que os medicamentos referentes ao atendimento do Município podem ser retirados nas sete farmácias distritais, localizadas nas UBs de Simões Lopes, do Fragata, Guabiroba, Navegantes, Bom Jesus e Virgílio Costa.

Onde ficam as farmácias distritais

Simões Lopes: avenida Visconde da Graça, 107, das 7h30min às 13h30min.
Pam Fragata: avenida Pinheiro Machado, 168, das 7h30min às 13h30min.
Navegantes: rua Dona Darcy Vargas, 212, das 13h às 19h.
Bom Jesus: avenida Itália, 350, das 8h às 14h.
Lindoia: avenida Ernani Osmar Blaas, 344, das 7h30min às 13h30min.
Guabiroba: rua Doutor Arnaldo da Silva Ferreira, 352, das 11h30min às 17h30min.
Virgílio Costa: rua Epitácio Pessoa, 1291, das 7h30min às 13h30min.

Saiba mais

Para ter acesso aos medicamentos, o usuário precisa ser atendido por algum médico credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), fazer todos os procedimentos, exames, e esclarecer a doença e o tratamento. Com a receita, que contenha o nome do princípio ativo/denominação genérica (não pode ser o nome comercial), o paciente deverá conferir se o medicamento solicitado consta na relação de medicamentos disponibilizados pelo SUS (http://bit.ly/relacao-medicamentos) e verificar a qual Componente da Assistência Farmacêutica ele pertence.

Os medicamentos do SUS estão divididos por blocos de financiamento da assistência farmacêutica, sendo de responsabilidade municipal (componente básico), estadual (componente especial e especializado) ou federal (componente Estratégico - programas de saúde do MS). Sabendo a qual Componente o medicamento faz parte, o usuário poderá consultar no site da SES/RS (saude.rs.gov.br) os procedimentos para abrir processos de solicitação de medicamentos, documentos e exames necessários e onde retirar estes medicamentos.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados