Preocupação

Em busca de apoio e dignidade

Com aulas paradas desde dezembro, mães de alunos da Apae vão à Promotoria para pedir ajuda

12 de Março de 2018 - 19h10 Corrigir A + A -
Grupo de mães promete ir também à prefeitura nesta quarta-feira (Foto: Leandro Lopes - DP)

Grupo de mães promete ir também à prefeitura nesta quarta-feira (Foto: Leandro Lopes - DP)

Luciana liderou o grupo de mães em busca de apoio da promotoria  (Foto: Leandro Lopes - DP)

Luciana liderou o grupo de mães em busca de apoio da promotoria (Foto: Leandro Lopes - DP)

Mães reclamam que falta de auxílios fez tratamentos desenvolvidos anteriormente regredirem  (Foto: Leandro Lopes - DP)

Mães reclamam que falta de auxílios fez tratamentos desenvolvidos anteriormente regredirem (Foto: Leandro Lopes - DP)

Alunos estão sem aula desde dezembro (Foto: Leandro Lopes - DP)

Alunos estão sem aula desde dezembro (Foto: Leandro Lopes - DP)

Criar um filho demanda sacrifícios, desafios e é um caminho cheio de dificuldades a ser percorrido. Esta situação acaba sendo multiplicada quando a criança é portadora de necessidades especiais. Os pais contam com auxílio de entidades como a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) para tentar, de alguma forma, amenizar estas dificuldades. O problema é quando a ajuda simplesmente some. E foi por causa desta ausência que um grupo de mães de alunos da Apae foi à Promotoria da Infância e Juventude em busca de ajuda na tarde desta segunda-feira (12).

Liderando estas mães estava Luciana Gonçalves, mãe de Aline, de 13 anos. Há 90 dias ela e os outros alunos da instituição estão sem nenhum atendimento. O problema começou quando, no ano passado, entrou em vigor uma nova legislação, exigindo que instituições de caridade do país estejam com as dívidas pagas em dia para receber repasses municipais. Pela quantidade de dívidas, a Apae não conseguiu se adaptar a tempo e acabou perdendo o prazo dos editais municipais, ficando sem verba para seguir os trabalhos.

Segundo o grupo de cerca de 40 pessoas presentes na Promotoria, as dificuldades são comuns e todo ano algum problema surge. No entanto, neste, com a parada do atendimento, tudo piorou. Cada história dos alunos é única, mas o medo é geral: As crianças estão adoecendo, algumas musculaturas estão atrofiando e os trabalhos desenvolvidos ao longo de anos de tratamento acabam regredindo.

Uma das mães se emocionou ao falar com a reportagem. "Dói na alma. Até quando a gente vai passar por isso?", comentou, antes de ser silenciada pelas lágrimas. Já Luciana Gonçalves explicou que, para eles, a Apae não é apenas uma escola, mas um centro de atendimento que dava qualidade de vida e independência às crianças especiais.

Verônica Lacerda, mãe de Giovana, 13, lamentou a regressão da condição da filha após a pausa dos tratamentos. Com problema na medula, ela parou de caminhar, e assim ficou por sete anos. Recentemente, com os trabalhos de fisioterapia, já estava recuperando a força muscular e conseguindo ficar de pé. Com os 90 dias parada, tudo retornou à estaca zero. "É frustrante para a gente e para eles (...) são cidadãos como outras crianças. Eles têm direitos", lamentou. Pela interrupção, ela não consegue nem mesmo os atestados para receber auxílios básicos para consultas médicas ou adquirir medicamentos.

A promotora Luciara Robe da Silveira recebeu três representantes das mães. Segundo Luciana Gonçalves, a promotora ouviu os relatos e prometeu entrar em contato com o núcleo de crianças especiais da Promotoria com urgência, deixando a promessa de logo retomar as conversas com o grupo de mães.

E o futuro?
O diretor da Apae, Victor Pitzer, lamentou estar com as portas fechadas. Segundo ele, são três âmbitos trabalhados na Apae: saúde, educação e assistência social, ficando dependente das três secretarias destinadas a estas áreas. As dívidas, motivo para não participar dos editais anteriores, agora foram parceladas e não devem ser impedimento no futuro próximo. "A Apae cumpriu sua parte. Agora é esperar que a prefeitura abra novos editais", afirmou.

Segundo o diretor, o edital para receber as verbas da saúde foi aberto recentemente. A instituição está se preparando para solicitar os auxílios e, assim que receber a verba, deverá retomar os trabalhos na área.

Já o secretário municipal de cidadania e assistência social, Luiz Eduardo Longaray, disse que o chamamento feito no ano passado teve as metas preenchidas. No próximo mês, um novo edital deve ser aberto, podendo a Apae participar dele. "A Apae é uma parceira. A gente não pretende excluir eles, mas precisam se adequar à lei", lamentou o secretário, que afirmou ser sensível à demanda, mas também ressaltou a necessidade de a secretaria cumprir as exigências da lei.

Para o âmbito da educação, o secretário Arthur Corrêa prometeu abrir um edital ainda nesta semana. Segundo ele, o edital havia sido aberto em fevereiro, e como a Apae não se habilitou, ficou combinado que eles procurariam a Secretaria quando estivessem com tudo corrigido.

Segundo Corrêa, a Secretaria só foi avisada na última semana e agora aguarda a Procuradoria-Geral do Município (PGM) para abrir os novos editais. Ele ainda disse estar com o dinheiro da Apae separado, pretendendo manter os mesmos valores do contrato anterior. "A Apae presta um serviço insubstituível", concluiu.

Enquanto aguardam a parte burocrática, o grupo de mães não descansa. Para a próxima quarta-feira, elas estão organizando um protesto em frente à prefeitura, a partir das 8h.

 

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