Saúde

Egressa da UFPel será a primeira mulher a comandar Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer

Graduada em Medicina e mestre em Epidemiologia pela UFPel, Elisabete Weiderpass atualmente leciona na Suécia e na Noruega

23 de Maio de 2018 - 08h30 Corrigir A + A -
 (Foto: Divulgação - DP)

(Foto: Divulgação - DP)

A partir de 2019, a ex-aluna da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Elisabete Weiderpass comandará a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (International Agency for Research on Cancer, Iarc). O órgão, parte da Organização Mundial de Saúde (OMS), conduz pesquisas sobre as causas do câncer humano e busca estratégias para o controle da doença. Em 53 anos de história, é a primeira vez que uma mulher é escolhida para ocupar o cargo de direção. Elisabete também será a primeira pessoa latino-americana a alcançar essa posição. Pela UFPel, ela graduou-se no curso de Medicina e no mestrado em Epidemiologia.

Desde 2015, Elisabete é membro do Comitê Científico da Iarc. A partir de janeiro de 2019, assumirá a direção da organização em um mandato de cinco anos. Ela foi eleita após votação do Conselho Governamental, grupo que toma as principais decisões da agência. A Iarc, sediada em Lyon, na França, tem como foco as pesquisas sobre itens suspeitos de causar câncer. Além disso, a instituição busca ajudar na implementação de políticas de prevenção à doença e no treinamento de pesquisadores em todo o mundo.

Inovação em dose dupla
Na eleição para o cargo, a pesquisadora venceu candidatos da Suécia, do Japão, da Alemanha e da Austrália e se tornou a primeira pessoa da América Latina a ser escolhida para a posição. "É fundamental quebrar a hegemonia dos países do Hemisfério Norte e provar na prática que o Brasil produz médicos e cientistas de calibre", diz.

Elisabete, primeira mulher eleita para o cargo, também ressalta a importância da ocupação feminina nos espaços de produção científica. "As mulheres ainda são a minoria em posições de direção. O balanço de gênero é absolutamente necessário para o desempenho pleno de qualquer instituto de pesquisa. Ser a primeira mulher a dirigir a agência, onde a maioria dos chefes é homem, será um desafio formidável", conta.

A base da formação
Elisabete formou-se pela UFPel no curso de Medicina, em 1992, e concluiu o mestrado em Epidemiologia, em 1994. De acordo com ela, a UFPel desempenhou papel fundamental em sua formação como pesquisadora. "Devo toda a base da minha profissão à educação que recebi na UFPel. A pesquisa epidemiológica produzida lá é de primeira classe e não deixa nada a desejar para outras universidades de outros países", avalia.

Após a formação na UFPel, a pesquisadora obteve o título de PhD em Epidemiologia do Câncer pelo Karolinska Institutet, na Suécia. Atualmente, ela leciona na Universidade da Noruega, no Karolinska Institutet e também na USP. Ela atua, ainda, como pesquisadora no Registro de Câncer de Oslo, na Noruega, no Hospital do Câncer de Barretos e no Samfundet Folkhälsan, na Finlândia. As pesquisas de Elisabete estão direcionadas, principalmente, para o estudo das causas de cânceres em mulheres.


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