Pandemia

Educação infantil pede socorro

Segmento privado quer isenção de impostos e outras demandas para conseguir sobreviver à crise

22 de Maio de 2020 - 09h35 Corrigir A + A -
Com a pandemia, as escolas estão conseguindo manter só 30% das matrículas (Foto: Divulgação - DP)

Com a pandemia, as escolas estão conseguindo manter só 30% das matrículas (Foto: Divulgação - DP)

Em uma situação nada diferente dos outros setores e empresas, as escolas privadas de educação infantil também estão lutando para sobreviver à pandemia do novo coronavírus e à crise causada por ela. Em Pelotas, os mais de cem educandários, espalhados em todos os bairros, ainda não sabem como será o futuro, mas se uniram para tentar respostas e pedir ajuda ao Poder Público.

A maioria das escolas de educação infantil são consideradas empresas pequenas que mantém uma média de 20 a 60 matriculados. “Poucas fogem dessa realidade e chegam nos cem alunos”, falou a proprietária de um instituto desse segmento, Andria Dutra. Com a pandemia, as escolas estão conseguindo manter uma média de 30 crianças matriculadas, mas com 70% de inadimplência. Na tentativa de manter os contratos ativos, muitas adotaram uma política de descontos nesse período, que varia entre 30% a 70%. “Mesmo assim mantemos uma média de 35% das matrículas canceladas”, explicou Andria, que responde pelos proprietários das escolas do município.

O grupo reivindica uma série de pautas. Entre elas, a tentativa de obter isenções dos impostos municipais e a sugestão de uma recomendação pública para flexibilizar os contratos com os prestadores de serviço, principalmente as imobiliárias e os proprietários dos imóveis, já que muitas escolas funcionam em prédios alugados. “Também queremos ser reconhecidos como categoria”, frisou. Essas demandas foram encaminhadas à prefeitura de Pelotas e no final de abril o grupo conseguiu uma reunião com a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) para debater o documento que foi elaborado. Então, o Poder Público solicitou um levantamento para saber onde essas crianças estariam, visto que com o comércio aberto a maioria dos responsáveis já teria retornado às atividades.

Com esse novo documento, o grupo conseguiu levantar três dados: o primeiro mostrou que as crianças acabam sendo cuidadas pela rede apoio, seja um familiar, vizinho ou amigo. O segundo identificou o crescimento do movimento nas mães crecheiras e o terceiro aponta que os pequenos dependem da disponibilidade da rede de apoio, ou seja, ora ficam com a avó, ora com uma tia, por exemplo. Segundo Andria, esse registro já foi enviado ao Poder Público. A microempresária salienta que o movimento não estipula data nenhuma e nem é a favor da abertura imediata e insegura. “Mas quando isso for sinalizado que olhem com atenção a nossa parte”, disse. Ela defende que como a maioria trabalha com poucas crianças é possível controlar a higiene e o distanciamento social. “Temos a falsa ilusão que eles estão seguros em casa, mas até que ponto isso é verdade já que comércio e outras atividades retornaram?”, questionou.

Reunião com vereadores

Na manhã de quinta-feira (21), o grupo reuniu-se com a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores com a intenção de acabar com o ruído entre o que a população estava entendendo sobre as reivindicações e o que de fato estava sendo pedido. “Muitos entenderam que queríamos o retorno imediato, mas não é isso”, reforçou. De acordo com o vice-presidente da Comissão, vereador Marcus Cunha (PDT), os legisladores reconhecem que as escolas de educação infantil privada prestam um serviço público relevante à sociedade, já que o Poder Público não tem estrutura de receber todas essas crianças em educandários públicos. “Ouvimos as demandas do grupo e iremos encaminhá-las ao Executivo”, garantiu Cunha, explicando que o Poder Executivo não pode interferir, mas dialogar e recomendar. “Espero que tenham sensibilidade com a causa já que visa a saúde pública de crianças, vamos aguardar”, finalizou.

Na mesma oportunidade, o assessor especial jurídico da prefeitura, Fábio Machado, explicou que todas as ações da prefeita têm sido embasadas em dados técnico-científicos, que após uma análise dão origem a decretos e estratégias em saúde pública. “Temos por objetivo o equilíbrio nas ações, bem como tomar as medidas no momento certo, o que vem dando resultado efetivo para o município de Pelotas”. De acordo com ele, a questão econômica também preocupa, já que a prefeita tem recebido diariamente representantes dos mais diversos setores. “Com relação às escolas de educação infantil temos um cuidado extremo, pois estamos tratando de crianças”. Machado afirmou que os pedidos articulados pelo setor estão em análise e que não há data marcada para o reinício da atividade.


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