Adaptação

E se o home office for pra sempre?

Empresas da região dispensaram local físico, enquanto outras estudam iniciar um modelo híbrido

11 de Julho de 2020 - 14h23 Corrigir A + A -
Franco e o sócio aderiram ao escritório em casa há cerca de quatro meses (Foto: Divulgação - DP)

Franco e o sócio aderiram ao escritório em casa há cerca de quatro meses (Foto: Divulgação - DP)

Peças da casa estão dando lugar a estações de trabalho (Foto: Divulgação - DP)

Peças da casa estão dando lugar a estações de trabalho (Foto: Divulgação - DP)

Pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a tendência é que, após o impacto econômico causado pela Covid-19, o trabalho feito em casa se torne ainda mais comum. O home office deve virar a principal saída para 30% dos negócios, conforme o resultado do estudo Tendências de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios, coordenado pelo professor André Miceli. Em Pelotas, algumas empresas já o adotaram e deram adeus ao tradicional escritório.

Na empresa de comunicação e marketing digital do Franco Xavier, a mudança já foi incorporada: “a gente não volta mais a ter uma estação física de trabalho”. Junto do sócio, a ideia era debatida há tempos, acompanhada de um certo receio. Com a pandemia, virou uma necessidade. O negócio que antes ficava em uma sede no Areal agora se dissolveu para a casa de cada um dos colaboradores. “Estávamos muito ancorados ao trabalho tradicional, o olho no olho. A pandemia nos forçou a isso e acabamos gostando”, conta.

A equipe começou com o trabalho remoto há mais de quatro meses e algumas vantagens são sentidas. A maior delas é possibilidade de adaptar o fluxo de trabalho à rotina em casa. “Antes já trabalhávamos com uma flexibilidade bem grande, sem livro-ponto e cada um organizando o próprio horário”, lembra Xavier. Para ele, agora cada um pode ficar mais tempo com a família, tomar um café da manhã mais tranquilo ou até mesmo dormir uns minutos a mais por dia. “Ir até a sede envolve muitas questões, fora o custo, a pessoa gastava tempo no ônibus, no trânsito. E isso tem impacto no trabalho dela”, afirma. Sem a sede física, a saída é marcar reuniões com os clientes no meio on-line ou em espaços de co-working na região central da cidade.

Quem também se adaptou ao trabalho remoto foi a Rosana Manke, proprietária de uma empresa de contabilidade do ramo rural. Desde a segunda quinzena de março, o trabalho saiu de uma sala comercial no centro de Pelotas para um dos cômodos de casa, em Morro Redondo. Fora a economia de mais de R$ 2 mil por mês com aluguel, os gastos com transporte também foram a zero. A ideia é seguir com o sistema de trabalho até o final do ano, podendo ser adaptado para mais dois - conforme a demanda dos clientes. “Normalmente atendo os produtores rurais na casa ou escritório deles. Eu me adaptei bem ao home office, a sala não era tão fundamental”, explica.

Como o atendimento aos clientes já funcionava de maneira remota, a adaptação foi ainda mais fácil. Entretanto, Rosana nota que, dessa forma, acaba trabalhando ainda mais. Nos sábados, por exemplo, o tempo ocioso resulta em mais trabalho. “Mas tenho conseguido dividir bem, não abro mão de assistir algo que me chama atenção. Depois, sinto que preciso compensar”. Na opinião dela, muitas empresas do ramo de contabilidade não poderão fazer o mesmo, principalmente os negócios com o número maior de funcionários. “Não vejo isso para todos escritórios. Quem sofre com a crise que vai precisar inovar, como os novos negócios e de pouco capital”, conclui.

Empresas grandes estudam modelo híbrido de trabalho

Por conta da pandemia, grandes empresas também precisaram de adaptar ao home office; com as mudanças, muitas trabalham com a ideia de seguir com um modelo de trabalho híbrido pelos próximos meses. Assim, uma parte dos funcionários fica em casa, enquanto outros vão para os escritórios e sede do negócio.

Na Ecosul, a maior parte dos trabalhadores seguem com o modelo remoto. “Desde a diretoria até o pessoal da copa”, explica o coordenador de comunicação, Johny Calegaro. A ideia é retornar ao local físico de trabalho de forma gradativa. Até então, apenas os funcionários do centro de controle operacional das rodoviárias precisam se deslocar da para o trabalho. 

Já o Sebrae/RS sinaliza que, pelas circunstâncias, a tendência é que a empresa passe pela experiência de que parte da equipe se adapte ao sistema de teletrabalho. “Esse processo [de mudança] se tornou inevitável”, afirma o gerente regional, Ciro Vives.

Home office para sempre

Empresas multinacionais já partiram definitivamente para o sistema de home office. Os funcionários dos sites de redes sociais Twitter e Facebook podem dar adeus ao modelo tradicional de trabalho em nichos de escritórios. Em maio, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou que a decisão visa os próximos cinco a dez anos. A justificativa das multinacionais é que, com a pandemia, o isolamento proporcionou que as formas de trabalho fossem repensadas.


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