Vivendo a pandemia

É preciso levar com seriedade

Luciana Gastal destaca a adesão dos portugueses aos decretos do governo na prevenção ao coronavírus

08 de Abril de 2020 - 09h43 Corrigir A + A -
Pelotense vive na casa da cunhada em Igrejinha, município próximo a Lisboa (Foto: Divulgação - DP)

Pelotense vive na casa da cunhada em Igrejinha, município próximo a Lisboa (Foto: Divulgação - DP)

A Europa sofre diariamente com o coronavírus. A cada dia que passa, centenas de mortes são registradas e outros milhares de casos são confirmados. Espanha e Itália são os países que mais concentram casos da pandemia, que já registra milhares de mortos em ambos estados. Ao observar a situação de emergência que os outros países europeus vivem, principalmente a vizinha Espanha, Portugal se antecipou e vive há cerca de um mês sob um decreto de emergência que prevê a proibição das atividades comerciais em território luso.

O país registra 12.442 casos confirmados e 345 mortes. A vizinha Espanha já confirmou mais de 13 mil mortos pela doença, o que fez com que o Executivo português endurecesse ainda mais o decreto de emergência. Em razão da chegada da Páscoa, data muito comemorada pela população, o presidente Marcelo Sousa renovou o decreto de emergência, com novas prerrogativas. Entre as medidas, sair de casa somente quando for necessário permanece como a principal determinação. O objetivo do mandatário é evitar que aconteçam aglomerações e deslocamentos de portugueses pelo país, que utilizam a data para reencontrar a família, além da chegada de turistas para as celebrações.

Quem sente os reflexos é a pelotense Luciana Gastal. Residente no país desde 2011, ela mora sozinha na capital Lisboa. No entanto, durante a pandemia, está alojada na casa da cunhada, no município de Igrejinha, próximo à capital. Luciana trabalha no ramo turístico, principal setor da economia nacional, e sente diretamente os impactos das restrições. "Eu trabalho com um restaurante, que está fechado em razão das determinações do governo. Ainda trabalho em aplicativo de aluguel de imóveis e todas as reservas feitas até julho, que é a nossa mais alta temporada, foram canceladas", afirma. Mesmo com o cancelamento das reservas, ela elogia a reação dos portugueses diante da crise. "O povo entendeu a gravidade da situação. Estamos do lado da Espanha, não tem como ignorar essa realidade e não ver o que está acontecendo. Lisboa está fechada e os portugueses têm seguido à risca e se organizado para viver este período. Não é por acaso que estamos há três dias vendo o número de casos diminuir no país" destacou.

Para minimizar os efeitos da crise, o governo português auxilia empresas que estão em dia com os pagamentos de impostos. Luciana atende aos pré-requisitos estabelecidos pela "Lay off", que é a medida que prevê este auxílio do governo, e tem tido parte de sua remuneração paga pelo estado português. O poder público se responsabiliza com 70% do salário dos funcionários das instituições que aderem a esta lei, que ainda tem como pré-requisito o não funcionamento do estabelecimento. "O governo paga 70% do valor do salário e o empregador fica responsável por 30%, justamente com esse objetivo de equilibrar as contas", explica. Segundo a brasileira, a economia portuguesa recém havia se recuperado de uma crise e voltou para este contexto com a chegada do vírus. No entanto, ela afirma que todos compreenderam a urgência da situação e a necessidade de rígidos decretos.

Luciana, que tem familiares em Pelotas, Curitiba e nos Estados Unidos, destaca justamente a diferença no modo como os países têm enxergado a questão do coronavírus. Ela relata que os sobrinhos, que estão com ela em Igrejinha, realizam as atividades escolares a distância, com aulas on-line. Em constante diálogo com o irmão Paulo Gastal Neto, radialista da Rádio Universidade, que mora em Pelotas, ela se surpreende com a forma como os brasileiros enfrentam a pandemia. "Acho que ainda falta uma consciência ao Brasil do tamanho do problema. Antes que fosse registrado o problema, eu já avisava ao meu irmão e aos meus sobrinhos que lavassem as mãos e se cuidassem porque, quando chegasse ao país, não seria brincadeira e precisaria ser encarado de uma maneira muito séria", lembra.

 

 


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