Saúde

É hora de se vacinar

Com a possibilidade de retorno das aulas, pais e responsáveis devem ficar atento ao calendário de imunizações das crianças

30 de Setembro de 2020 - 10h27 Corrigir A + A -
Conforto: Maria Flor ganhou o colo do pai durante a aplicação das doses (Foto: Jô Folha - DP)

Conforto: Maria Flor ganhou o colo do pai durante a aplicação das doses (Foto: Jô Folha - DP)

Na última semana, a prefeitura de Pelotas emitiu novo decreto, que entre outras prerrogativas permite a abertura das escolas de educação infantil particulares a partir desta quinta-feira (1º). Uma liberação que acontece em um momento no qual os índices de vacinação alcançaram 40% da meta da cobertura vacinal entre crianças e adolescentes, recomendada pelo Ministério da Saúde. Este contexto reforça a importância de ter o calendário de vacinação em dia.

Em virtude da pandemia, a procura pelas doses - que já vinha em queda desde 2018 - diminuiu ainda mais. O agravamento deste quadro, com menos pessoas se imunizando e com a consolidação de movimentos anti-vacina, trazem riscos à comunidade. “O maior risco é o ressurgimento de doenças imunopreveníveis. Já tivemos o caso de enfermidades consideradas erradicadas e que acabaram voltando”, recorda a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Candida Rodrigues. Em meio à pandemia da Covid-19, outras doenças também podem acabar atingindo e prejudicando a comunidade. Com menos alunos imunizados, maior é a probabilidade de uma contaminação.

Risco que a pequena Maria Flor, quatro anos, não correrá. A mãe, Natália Dias Caldeira, 29 anos, conta que apesar do receio da Covid-19, sabe da importância das vacinas à saúde da filha e mantém sua carteira sempre em dia. Segunda-feira foi o dia de atualizar as doses dos quatro anos.

Para tentar alcançar um maior número de pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) traçou estratégias para a cobertura vacinal. Todas as doses são importantes, mas algumas são essenciais dentro do calendário de imunização, como a vacinação contra Poliomielite, a Tríplice Viral - que previne contra sarampo, caxumba e rubéola, além das prevenções contra a gripe. Para outubro, está prevista a realização de uma campanha para estimular a população a receber as doses da Tríplice Viral. “Nesta ação, ainda faremos uma chamada para que, quando as pessoas chegarem nas unidades, que sejam identificadas todas as doses que estão em atraso, justamente, para que se coloque o calendário em dia. Haverá uma intensificação para que se amplie a cobertura vacinal”, aponta Candida.

Reflexos da crise

A baixa procura pelas imunizações é um reflexo de um quadro sanitário que se instalou no país nos últimos anos. Não apenas Pelotas e os demais municípios gaúchos, mas outros estados também estão com índices muito abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. No ano passado, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo. As projeções realizadas pelo Governo Federal apontam que seria necessário estabilizar a cobertura vacinal entre 90 e 95% para garantir a segurança da população. Os dados do Ministério da Saúde apontam que, no processo de vacinação contra a poliomielite, os índices de imunização ficaram em 54,7%, ou seja, pouco mais da metade do objetivo estabelecido. No Rio Grande do Sul, os números estão estimados em 46%. “Em nível nacional, as coberturas estão muito abaixo do preconizado. Tivemos o retorno do Sarampo, em decorrência do movimento anti-vacina”, reforça a enfermeira

Todas estas vacinas estão disponíveis na rede pública e podem ser acessadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro de Especialidades. Mesmo após a emissão de um novo decreto, os locais seguem em atividade nos mesmos horários. O período da manhã é destinado a pacientes com sintomas gripais, enquanto a tarde é voltada às imunizações. Neste momento, não há falta de nenhuma vacina. Os locais de referência estão com estoques cheios para aplicar as doses. “As pessoas podem aproveitar este momento para se vacinar. Há um acesso aberto ao Sus, qualquer pessoa, correspondendo a idade, não terá dificuldades nesta busca. É um processo que se torna ainda mais importante neste momento”, pontua Candida.


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