Educação

Duas escolas em Pelotas estão entre as selecionadas para tornarem-se modelos estaduais

5ª CRE ainda não tem o valor de investimento de cada uma

22 de Outubro de 2021 - 08h28 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Direção, alunos e estrutura escolar fica exposta com o muro aberto na Nossa Senhora de Fátima (Foto: Jô Folha - DP)

Direção, alunos e estrutura escolar fica exposta com o muro aberto na Nossa Senhora de Fátima (Foto: Jô Folha - DP)

Diretora da EEEF Nossa Senhora de Fátima, Giovana Guerreiro (Foto: Jô Folha - DP)

Diretora da EEEF Nossa Senhora de Fátima, Giovana Guerreiro (Foto: Jô Folha - DP)

EEEF Nossa Senhora de Fátima fica no bairro Fragata (Foto: Jô Folha - DP)

EEEF Nossa Senhora de Fátima fica no bairro Fragata (Foto: Jô Folha - DP)

Salas de aula com distanciamento (Foto: Jô Folha - DP)

Salas de aula com distanciamento (Foto: Jô Folha - DP)

Diretora da EEEM Antônio Leivas Leite, Nara Pereira (Foto: Jô Folha - DP)

Diretora da EEEM Antônio Leivas Leite, Nara Pereira (Foto: Jô Folha - DP)

Pintura das paredes e compra de computadores são prioridades na Antônio Leivas Leite (Foto: Jô Folha - DP)

Pintura das paredes e compra de computadores são prioridades na Antônio Leivas Leite (Foto: Jô Folha - DP)

O dia 13 de outubro será inesquecível para as comunidades escolares da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Nossa Senhora de Fátima e da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Dr. Antônio Leivas Leite. Isto porque ambas foram escolhidas, junto a outras 54 escolas de todo o Estado, para integrar o projeto Escola Padrão, anunciado pelo Palácio Piratini como parte do programa Avançar na Educação.

As escolas padrão devem ter melhorias na sua infraestrutura para estimular a atração e permanência dos alunos, aquisição de internet de alta velocidade e conectividade, salas adaptadas para o uso de tecnologias e metodologias ativas, melhor acessibilidade, fachada e paisagismo de baixa manutenção e espaço coberto para convivência e prática de atividade física. Um investimento total nas instituições estimado em R$ 72,5 milhões, classificado pela diretora da Antônio Leivas Leite, Nara Pereira, como “um gás de esperança”.

Conforme o governo do Estado, a escolha dos locais beneficiados foi baseada no Índice de Infraestrutura das Escolas, calculado pelo Departamento de Economia e Estatística da Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão (DEE/SPGG). No caso de Pelotas, as escolhidas ficam em lugares opostos. Enquanto a de Ensino Médio fica na Cohab Tablada, na Zona Norte, a de Ensino Fundamental está no Fragata. Mas, em comum, há o caráter de acolhimento como pontos centrais da comunidade, estabelecidos em um quarteirão inteiro, e as necessidades de melhorias físicas e tecnológicas.

O que terão as escolas padrão?
- Conectividade de alta velocidade em todos os espaços - Conecta RS
- Salas de aula adaptadas para o uso de tecnologias e metodologias ativas
- Salas de leitura e recursos
- Banheiros acessíveis
- Refeitório e cozinha
- Sala de professores
- Acessibilidade e APPCI
- Fachada e paisagismo de baixa manutenção
- Espaço coberto para convivência e prática de atividade física

Um amanhã colorido e conectado

Localizada na rua Leopoldo de Souza Soares, a EEEM Dr. Antônio Leivas Leite está em um prédio cinquentenário. “A gente não difere de outras escolas públicas estaduais, vamos fazendo manutenção conforme entra verba”, relata a diretora Nara Pereira.

A gestora explica que, como se trata de um anúncio recente do Estado, a análise do que será reformado ainda não foi feita. Enquanto isso, espaços que devem ser requalificados são, no momento, utilizados para depósito de mesas e cadeiras retiradas das salas de aula para cumprir o distanciamento social.

Mesmo assim, Nara projeta que, com o recurso, a instituição terá paredes pintadas e fará aquisição de computadores. Para a diretora, a carência nesta área teve reflexos durante a pandemia, quando a maioria dos alunos precisa ir até a escola retirar material impresso. “Por ser uma zona periférica, com muitos alunos carentes, nossa realidade é entregar material impresso. Há alguns alunos que têm bom acesso a ela [internet], mas a grande maioria não têm. Então, com essa função da escola participar deste projeto, a gente espera que daqui um tempo a gente possa dizer que contribuímos nesta questão. É a grande esperança”, diz. A requalificação de áreas esportivas para atrair os alunos para o esporte também está nos planos prévios. O entendimento é que, especialmente quando se trata de Ensino Médio, é preciso ter currículo atrativo e espaços acolhedores.

A diretora diz ainda que, diante da promessa de mais recursos autônomos para a escola, pretende consultar a comunidade escolar nos próximos 30 dias para avaliar o que deverá ser priorizado. “Sempre esbarramos na parte financeira, que nem sempre dá para a gente fazer tudo. Ficamos muito felizes [em ser escolhidos], recebemos com muita satisfação”, comemora.

Muro para segurança, não para aprisionar

Com problemas estruturais no muro que já chegaram a provocar desabamento, a EEEF Nossa Senhora de Fátima apela hoje para grades em portas e janelas como alternativas para diminuir a vulnerabilidade, além de uma tela provisória para tentar impedir possíveis invasões. O muro permanece com cinco aberturas.

Para a diretora Giovana Guerreiro, a insegurança à qual a comunidade escolar está exposta deve ser o primeiro foco de obras. “Imagina colocar equipamentos tecnológicos aqui com esse muro?”, questiona. “Já aconteceu de entrarem pessoas e destruírem o banheiro. Fica aberto, é uma escola vulnerável. Um engenheiro já esteve aqui, disse que é preciso fazer um novo muro, uma obra de mais ou menos R$ 400 mil. Então, para ser uma escola padrão, a primeira coisa que o governo precisa pensar é nessa questão do muro”, argumenta.

Outro risco no local, é a exposição de fios e a velha rede elétrica. Apenas um ar-condicionado é comportado e Giovana relata diversas vezes em que o disjuntor caiu por sobrecarga. “Se fica dois, três ligados já cai. Tem fio espalhado por tudo. A gente está sempre tentando fazer a manutenção do que dá, mas tudo é muito caro.”

A diretora conta que, inicialmente, não acreditou que a escola pudesse estar entre as 56 contempladas pelo anúncio do governo. “Perguntei se eram para todas as escolas, a Alice [Szezepanski, coordenadora da 5ª CRE] me disse que tinham sido poucas, que foi conversado quais escolas se encaixariam nos padrões. Então ela nos informou e no dia seguinte teve a reunião com o Eduardo Leite.” Apesar disso, Giovana conta que ainda existem dúvidas na comunidade escolar sobre como se dará o programa de melhorias.


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