Patrimônio

Domingo no Castelo celebra a chegada da primavera

Várias atrações levaram um bom público até o prédio tombado pelo Iphae que está em processo de restauro

22 de Setembro de 2019 - 17h30 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Camila expôs suas mandalas.  (Foto: Jô Folha - DP)

Camila expôs suas mandalas. (Foto: Jô Folha - DP)

Miriam e Tarcísio vieram de Porto Alegre para vistar o Castelo.  (Foto: Jô Folha - DP)

Miriam e Tarcísio vieram de Porto Alegre para vistar o Castelo. (Foto: Jô Folha - DP)

Evento foi aberto com o

Evento foi aberto com o "Diálogos no Castelo" (Foto: Jô Folha - DP)

Banner mostra a história do Castelo (Foto: Jô Folha - DP)

Banner mostra a história do Castelo (Foto: Jô Folha - DP)

Cerca de 17 expositores participaram da tradicional Feirinha do Castelo. (Foto: Jô Folha - DP)

Cerca de 17 expositores participaram da tradicional Feirinha do Castelo. (Foto: Jô Folha - DP)

A despedida do inverno, com um lindo dia de sol, foi perfeita para a realização do Domingo no Castelo, em Pelotas. A temperatura agradável e as atrações da sexta edição do evento no Castelo Simões Lopes foram fundamentais para atrair um bom público até o prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) e que está em obras, porém de portas abertas à comunidade. A proposta é levar aos moradores do bairro, e aos demais, a sensação de pertencimento de um espaço tão significativo para a história da cidade. A combinação da estrutura edificada com o jardim e a luz do sol renderam belas imagens aos visitantes.

A manhã começou com a quarta edição do Diálogos no Castelo, que teve como tema Mulheres. A arquiteta Simone Neutzling, da Perene Patrimônio Cultura, responsável pelas obras de restauro do prédio, fez as honras da casa e disse na abertura que esta edição foi para falar das mulheres de "ontem e de hoje" e suas várias gerações, dentro do contexto histórico. Como mediadora, a historiadora Gabriela Rosselli, ressaltou a presença Mirsca Simões Lopes, a neta de Augusto Simões Lopes, e sua luta para conseguir manter o castelo edificado. Também participaram a presidente da Associação de Moradores do Bairro, Lourdes Pedroso, a presidente do Bloco Burlesco Bafo da Onça, Rosana Martins dos Santos e a mestra Griô, Sirley Amaro. O bate-papo foi no salão principal do prédio, espaço que ainda se mantém em condições de circular.

A bibliotecária Miriam Alves, 53 e o desenvolvedor de sistemas, Tarcísio Machado dos Reis, 46 foram alguns dos vistantes que exploraram os ambientes internos e externos do prédio quase centenário. Eles são de Porto Alegre e resolveram passar o feriadão em Pelotas para visitar amigos. Embora impressionados com a arquitetura do prédio, eles lamentaram encontrar o castelo em estado deplorável. "Imagino que ele seja maior, pois parece que tinham mais andares", comentou Miriam. Tarcísio foi mais crítico e disse que Pelotas é conhecida por ser uma cidade histórica e que: "é triste ver um castelo bonito tão estragado." A visita terminou na área externa, no espaço chamado Aberto para Obras, onde os dois ficaram sabendo que o projeto de restauro do prédio está em curso e o Instituto Eckart é o responsável pela gestão do patrimônio até 2032. O restauro acontece através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), com aporte de recursos da Arrozeira Pelotas, SLC Alimentos, Camil Alimentos e Engenho São Bento.

Atrações
Discos de vinil, peças muito atingas, brechós, mudas de plantas, crochês, acessórios, livros e mandalas preencheram um bom espaço no pátio e encheram os olhos dos visitantes na tradicional Feirinha do Castelo. A expositora Camila Fiss, 32 anos, trabalha com mandalas e levou alguns peças para comercializar. "Como eu vendi bastante no sábado, fiquei com pouco material, então trouxe alguns livros para comercializar", revelou à reportagem. As peças variam de tamanho, estampa e cor, conforme a energia e a espiritualidade da pessoa, conforme explicou Camila. Para quem planejou ficar até as 17h, não passou fome no horário do meio-dia. Tinha food truck, pastel, bolo, além de cerveja artesanal no espaço gastronômico.

Exposição
A arquiteta e urbanista Cláudia Barros, curadora da exposição de quadros, imagens e objetos de artistas pelotenses, é uma entusiasta. Pensando na acessibilidade de todos os vistantes, ela escolheu as estrutura aos fundos do Castelo para expor as obras de Marcelo Schlee, Madu Lopes, Odyr Bernardi, Rafael Sica, Márcia Hamaguchi, Théo Gomes, Marcelo Soares Freda e Camila Hein. "Isso é só uma amostra do que será a futura Bienal no Castelo".

História
Para conhecer o Castelo de Augusto Simões Lopes bem de perto, a visita guiada, ao custo de R$ 2,00 e conduzida pelos historiadores Gabriela Rosselli e Vinicius Veleda, tinha a duração de 30 minutos. O tour revelou interessantes histórias guardadas pelo tempo e foi a oportunidade de ver de perto cada detalhe das enormes peças, os cômodos como muitas janelas e de torres elevadas que remetem aos castelos medievais.

O patrimônio teve sua construção iniciada em 1920 e terminada três anos depois. Seu proprietário, Augusto Simões Lopes era um homem público, ocupando os cargos de intendente de Pelotas por dois mandatos, de deputado federal, senador e vice-presidente do senado, e contam os fatos que o local foi palco de grande atividade política e social.

Música
Quem ficou até o final da programação aproveitou a apresentação musical do Clube do Choro ao ar livre, que reuniu repertório com as melhores lembranças de Avendano. O evento é uma parceria do Instituto Eckart com a Surya, a Lua Nova Produções, a Perene Patrimônio Cultural e a Satolep Press.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados