Desafio

Do Piauí a Pelotas em uma bicicleta

Aposentado percorre quase cinco mil quilômetros para visitar a família e sua cidade natal

20 de Abril de 2021 - 08h35 Corrigir A + A -
A viagem durou 53 dias. (Foto: Jô Folha - DP)

A viagem durou 53 dias. (Foto: Jô Folha - DP)

Já pensou em se desafiar a percorrer cerca de dez mil quilômetros, atravessando quase o Brasil inteiro de bicicleta? Essa foi a meta estabelecida pelo seu Joaquim Fagundes, de 62 anos. O aventureiro saiu da cidade de Barras, no Piauí, que fica a 120 quilômetros da capital Teresina, dia 1º de fevereiro, e chegou a Pelotas dia 25 de março, rodando, em média, 80 quilômetros por dia.

A intenção era chegar um pouco antes, mas - devido a imprevistos - a viagem acabou durando um pouco mais. Foram 53 dias de muitas mudanças de temperatura, muita estrada e noites em hotéis, barracas, postos de combustíveis e até em redes presas nas traseiras de caminhões. Tudo para concluir o objetivo de rever a família e alcançar a meta estabelecida. Seu Joaquim pedalava cerca de seis horas por dia, começando as 7h da manhã. Parava para o almoço, seguido de um descanso, e retornava às 15h30min, quando seguia viagem até às 18h encerrando o dia.

O aposentado já veio à cidade em outras oportunidades, mas de avião ou outras formas de transporte. Amante de aventuras e desafios, Joaquim já fez inclusive uma viagem por todas as capitais do país em uma motocicleta, mas desta vez seria diferente, através do cicloturismo. “Estou deixando de andar de carro para andar de bicicleta, porque é acessível e tem toda relação com a natureza. Além da qualidade de vida, tem a liberdade e a possibilidade de testar sua capacidade”, comenta.

Aventura em duas rodas

Natural de Pelotas, Joaquim foi para o Piauí por conta de trabalho e lembra da infância quando andava de bicicleta com os amigos no entorno da praça Coronel Pedro Osório, quando a atividade era só um hobby, uma brincadeira. Ele conta que sempre foi aventureiro, realizando viagens de carro, ônibus e foi, inclusive, mochileiro, mas aos 55 anos, quando apresentou dificuldades nas articulações, precisou escolher entre a natação e o ciclismo para melhorar seu estado de saúde. Foi aí que andar de bicicleta deixou de ser algo esporádico e se tornou uma paixão.

Ao entrar em um grupo de ciclistas com idades semelhantes a dele, a partir de 60 anos, encontrou parceria e companhia para se aventurar e participar, inclusive, de competições. A partir daí, começaram as viagens. Já no primeiro passeio, Joaquim percorreu 830 quilômetros, em uma viagem que durou seis dias, saindo de Teresina e indo até os Lençóis Maranhenses. Desde então, sempre que possível, os trajetos foram aumentando, chegando até o desafio atual dos quase dez mil quilômetros. O objetivo era realizar esse percurso há dois anos, mas por conta de um acidente ele precisou ficar afastado de sua bicicleta por quase um ano.

Ao chegar aqui, a ideia inicial do aposentado era retornar ao Piauí já na próxima semana, quando iria percorrer mais 4,5 mil quilômetros, mas após conversa com os familiares já está cogitando ficar, voltando a morar em sua cidade natal. Só que mesmo voltando a ser morador de Pelotas, Joaquim garante que vai concluir o desafio de retornar pedalando a Barras e já tem, inclusive, uma nova meta, esta mais local: ir de Pelotas até o Chuí pela beira do mar.

Riscos da viagem

Ao sair do Piauí, Joaquim seguiu em direção a Luis Eduardo Magalhães, na Bahia. Depois foi a Brasília e visitou os estados de Minas Gerais e São Paulo, onde passou pelas cidades de Ourinhos e Marília. Logo após, seguiu caminho por Ponta Grossa, no Paraná, chegando no Rio Grande do Sul e indo direto à capital Porto Alegre antes de vir a Pelotas. Foram 4,5 mil quilômetros de trajeto. Ele conta que o cicloturismo é uma atividade prazerosa, mas que existem diversos riscos, o que exige muita atenção do ciclista.

Durante o percurso, a maior dificuldade encontrada foi a falta de locais adequados para trafegar com tranquilidade nas rodovias. “Nas BRs você anda no acostamento. Já nas [rodovias] estaduais, não tem o acostamento, então é preciso andar na linha branca, quase junto aos caminhões - o que me deixa muito preocupado, pois são veículos grandes e, ao passar por eles, o vácuo tenta puxar para baixo do veículo”. Já em casos quando o vento está contra o ciclista, explica Joaquim, acontece o oposto: ele é empurrado para fora da rodovia, ocorrendo um grande possibilidade de queda e de acidentes.
Para solucionar esse problema e diminuir os riscos, além de atenção total, Joaquim aponta que seria importante um cuidado maior na hora de projetar as rodovias. Caso não seja possível criar uma área exclusiva destinada às bicicletas, que ao menos seja feito um acostamento melhor estruturado, contribuindo não só para os ciclistas, mas também para os demais condutores.


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