Reconhecimento

Diretor da ALM receberá condecoração da Ordem de Rio Branco

A honraria, concedida pelo Ministério das Relações Exteriores, tem o propósito de distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas

06 de Dezembro de 2021 - 18h12 Corrigir A + A -

Por: Redação
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O professor se diz grato e surpreso pela indicação do Itamaraty (Foto: Divulgação - DP)

O professor se diz grato e surpreso pela indicação do Itamaraty (Foto: Divulgação - DP)

O diretor da Agência de Desenvolvimento da Lagoa Mirim, da Universidade Federal de Pelotas (ALM/UFPel), professor Gilberto Loguercio Collares, será agraciado com o grau de Oficial da Ordem de Rio Branco. A honraria, concedida pelo Ministério das Relações Exteriores, tem o propósito de distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, que, no caso de Collares, se relacionam diretamente com o trabalho desenvolvido à frente da ALM em prol da região e das relações com o Uruguai. A cerimônia será no dia 08, às 18h, em Brasília.

O professor se diz grato e surpreso pela indicação do Itamaraty. “Estou lisonjeado pelo que isso representa para a nossa estrutura, para a ALM. Sei que faço, que tento fazer e é obrigação minha, mas procuro fazer com esforço e dedicação todo o trabalho que tem a ver com a Lagoa Mirim e as relações com o Uruguai”, conta.

De acordo com ele, sua atuação na liderança da ALM é pautada pelo respeito ao tratado de cooperação para o desenvolvimento da Lagoa Mirim existente entre Brasil e Uruguai, com posicionamento, dando atenção ao cuidado com o meio ambiente, à política regional, às pessoas e ao futuro, sem esquecer o passado que precisa ser valorizado. “Estou orgulhoso, feliz e satisfeito, especialmente porque partiu do Itamaraty. Isso representa para a cidade. Não é só o meu nome – se eu não estivesse aqui, não seria reconhecido. Mas porque estou aqui, consigo fazer”, declarou, exaltando a equipe de pessoas que integra a ALM e torna o trabalho possível.

O chefe da Divisão da América do Sul I do Itamaraty, Eduardo Pereira e Ferreira, explica que a indicação de Collares à honraria se deve ao trabalho desenvolvido pelo professor tanto à frente da ALM quanto na secretaria executiva da Comissão Mista Brasil-Uruguai, que tem impactado nas relações entre as duas nações. “O trabalho do professor tem sido muito proveitoso, capaz, competente, comprometido, com excelente nível de interlocução, e tem dado uma contribuição relevante para a Comissão e para a ALM”, salientou, destacando que o trabalho da Comissão envolve outras instituições brasileiras federais e estaduais. A sugestão do nome de Collares passou ainda pela aprovação de instâncias superiores do Itamaraty.

Ferreira mencionou também o papel da ALM na estruturação do projeto aprovado junto à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que deverá trazer resultados concretos para Brasil e Uruguai, além da importância da estrutura da Barragem Eclusa. Com a homenagem, o reconhecimento recai sobre a região e sua importância nas relações com o país vizinho. De acordo com Ferreira, trata-se de uma região fundamental e simbólica para as relações entre Brasil e Uruguai. “É um trabalho muito valioso em diversas atividades. A homenagem é justa”, sublinhou.

A água como elemento de integração

A Lagoa Mirim e o complexo de áreas úmidas de seu entorno formam uma das principais reservas de água doce transfronteiriças do continente, uma situação de grande importância econômica e ecológica para Brasil e Uruguai. Desde sua criação, em 1994, a ALM tem atuado de forma permanente no apoio as iniciativas concebidas pelos atores locais e suas estruturas sociais, com atenção ao desenvolvimento sustentável da bacia e regida pelos programas estatais que definem as relações políticas e administrativas de gestão pública integrada, diálogo e cooperação com o governo uruguaio.

A ALM é um organismo de operação e suporte técnico, integrando também atividades de pesquisa, ensino e extensão. Além de fazer parte da Seção Brasileira da Comissão Mista Brasileiro-Uruguaia para o Aproveitamento da Bacia da Lagoa Mirim, suas ações visam a gestão compartilhada da agenda bilateral entre Brasil–Uruguai.

A comissão técnica da ALM conta com profissionais, pesquisadores e professores da UFPel, especializados em diversas áreas do conhecimento e dedicados a formação de um ambiente multi e interdisciplinar.

Nesse sentindo, uma série de ações vêm sendo realizadas para fortalecer esse papel, institucionalizando a ação da ALM no território e valorizando a região. Isso inclui, por exemplo, ações, projetos e programas que envolvem a Barragem Eclusa, Estação do Chasqueiro e o Laboratório de Águas e Efluentes, resolvendo situações que precisam ser respondidas para a sociedade e a localidade que envolve a Bacia.

Dentre as realizações dos últimos tempos estão a integração com os setores de convênios e contratos, fundações de apoio, Coordenação de Relações Internacionais (CRInter) e a aprovação do projeto com a FAO. A ALM irá aplicar o recurso, de 4,8 milhões de dólares, no desenvolvimento da Lagoa Mirim, atentando aos cuidados humanos e ambientais envolvidos. “Espero que esse reconhecimento (da Ordem de Rio Branco) sirva para que cada vez mais a gente consolide a ALM como um braço do Estado Brasileiro na região e nas relações com o Uruguai. A água é um elemento de integração da vida: ela infiltra, escoa, corre. E aqui temos esse exemplo bárbaro que é a Lagoa Mirim”, pontua.

O homenageado

Gilberto Collares é professor titular do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec/UFPel), com atividades docentes nos cursos de Engenharia Hídrica e no Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos. Possui graduação em Engenharia Agrícola pela UFPel (1982), licenciatura plena – Formação Pedagógica nas disciplinas especializadas da Educação Profissional, pela UFPel (1987), especialização em Ecologia pela Universidade Católica de Pelotas (1988), especialização em Engenharia de Irrigação pela Universidade Federal de Santa Catarina (1989), especialização em Elaboração de Projetos de Irrigação pela Universidade Federal de Santa Catarina (1989), mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria (1994) e doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Santa Maria (2004). Tem experiência na área de Engenharia e Recursos Hídricos, com ênfase em Ciência e Hidrologia do Solo, Hidrodinâmica, Hidrometria, atuando principalmente nos seguintes temas: manejo de bacias hidrográficas, hidrometria para gestão de recursos hídricos, monitoramento hidrológico e hidrossedimentologia. Coordena projetos aprovados pelo MCT-CNPq, Editais do CTHidro, na área de Recursos Hídricos e atua em Projetos que envolve o Manejo de Bacias Hidrográficas e o Estudos Hidrodinâmico do Canal São Gonçalo e suas relações com o sistema lagunar Patos-Mirim. É o idealizador do curso de Engenharia Hídrica, implantado em 2009 na UFPel e orientador no Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos da UFPel. Atua como Avaliador do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior-SINAES, em Instituições de Ensino e Cursos de Graduação. Atualmente é diretor da ALM e secretário executivo da Seção Brasileira da Comissão Mista Brasileiro-Uruguaia para o Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim (SB/CLM).

A Ordem de Rio Branco

A Ordem de Rio Branco foi instituída em 1963, com a finalidade de galardoar as pessoas físicas, jurídicas, corporações militares ou instituições civis, nacionais ou estrangeiras que, pelos seus serviços ou méritos excepcionais, se tenham tornado merecedoras dessa distinção.

É intitulada em homenagem ao Patrono da diplomacia brasileira – o Barão do Rio Branco –, e consta de cinco graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, além de uma Medalha anexa à Ordem.

A insígnia da Ordem é uma cruz de quatro braços e oito pontas esmaltadas de branco, tendo no centro a esfera armilar, em prata dourada, inscrita, num círculo de esmalte azul, a legenda “Ubique Patriae Memor“, do mesmo metal. No reverso dourado, as datas 1845-1912.

A expressão em latim “Ubique Patriae Memor” foi extraída do ex-libris do Barão do Rio Branco e se traduz como “Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança”. Os anos que aparecem no reverso da insígnia são os de nascimento e morte do Barão.

A Ordem é dividida em dois Quadros – Ordinário e Suplementar. O primeiro, com vagas limitadas, reúne os diplomatas brasileiros da ativa e o segundo congrega os diplomatas aposentados e todas as demais pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que venham a ser agraciadas com a Ordem.


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