Pesquisa

Diagnósticos de depressão aumentam em 41% com a pandemia

Dado faz parte do estudo Covitel, liderado pela UFPel; hábitos saudáveis e uso de cigarro eletrônico também foram analisados pela pesquisa

16 de Maio de 2022 - 08h31 Corrigir A + A -
Estudo alerta a população - (Foto: Marcelo Camargo)

Estudo alerta a população - (Foto: Marcelo Camargo)

Os bons hábitos e a saúde dos brasileiros pioraram durante a pandemia da Covid-19, aumentando o risco de doenças como diabetes e hipertensão. É isso que revela o estudo encabeçado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), denominado Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel), que ouviu nove mil pessoas de todas as regiões do país.

O levantamento, coordenado pelo epidemiologista e professor da UFPel, Pedro Hallal, foi desenvolvido em parceria com a Vital Strategies e apoio da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) entre janeiro e março deste ano. Dessa vez, a pesquisa entrou em contato com as pessoas também por seus celulares, já que o telefone fixo se tornou cada vez mais incomum. Na ligação, os participantes responderam sobre seu estilo de vida antes da pandemia e no primeiro trimestre de 2022.

Entre as principais descobertas, é possível destacar o aumento de 91% de brasileiros que consideram ruim a própria saúde e de 41% no diagnóstico de depressão. No quesito hábitos alimentares, menos de 40% das pessoas relataram comer verduras e legumes periodicamente, queda de 12% em relação ao período antes da pandemia. As frutas também acabaram saindo do cardápio dos brasileiros. Antes, 43% dos entrevistados comiam regularmente. Agora, o número está em 38%. Outro dado é que 52,6% estão acima do peso.

De acordo com Hallal, todas as pioras foram nos grupos mais vulneráveis, como pessoas pretas e pardas, com menor escolaridade e que perderam o emprego durante a crise sanitária, fazendo com que a desigualdade siga crescendo. Por exemplo, apenas 27% das pessoas que não estão trabalhando relataram ingerir regularmente legumes e verduras, já os empregados somam 43%. "Todos os indicadores tiveram retrocesso. A atividade física diminuiu, a alimentação piorou e o tabagismo e o álcool que vinham baixando, estabilizaram, ou seja, todos eles pioraram", completa.

Mais dados

Outros achados que chamaram a atenção dos pesquisadores é sobre o sedentarismo. No estudo, 13% afirmaram ser totalmente inativos antes da pandemia. Em 2022, o número subiu para 18%. Já a taxa dos que praticam o mínimo necessário indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 150 minutos semanais - caiu de 37% para 30%.
O uso de cigarros eletrônicos também foi pergunta do estudo. E a conclusão foi: 1 em cada 5 jovens já utilizaram o aparelho. No primeiro trimestre deste ano, o uso do cigarro eletrônico foi maior pelos homens com idade entre 18 e 24 anos (10,1%) e que se declaram pretos ou pardos (7,7%).

Para o pesquisador, os números ruins eram esperados e inevitáveis, porém, mesmo com a característica de previsibilidade, não se tornam menos graves. "Ter uma sociedade que aumentou em dois anos mais de 40% os deprimidos, que a atividade física diminuiu, que a obesidade aumentou, que a alimentação piorou, são resultados gravíssimos", destaca.

Outro ponto explicado pelo coordenador é a alta mortalidade das doenças crônicas - duas de cada três mortes -, seja infarto, derrame, algum tipo de câncer, diabetes ou hipertensão. "Para resolvermos isso, temos que levar elas a sério, talvez a gente tenha que dar pra elas a mesma prioridade que se deu pra Covid. Só que essas doenças tem um problema, as mortes por elas não chocam ninguém", lamenta o epidemiologista. "O Covitel vem trazer a lembrança para a população que essas doenças são preveníveis e se a pessoa fizer atividade física, comer bem, não fumar e não beber em excesso a probabilidade dela ter uma doença dessas é muito menor".


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