Rural

Dia de Campo da Embrapa destaca a agroecologia

Evento reuniu mil pessoas, inclusive do Chile e do Equador, e apresentou as novidades para a agricultura familiar

07 de Dezembro de 2017 - 21h49 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Atividades foram realizadas na Estação Experimental da Cascata (Foto: Paulo Rossi - DP)

Atividades foram realizadas na Estação Experimental da Cascata (Foto: Paulo Rossi - DP)

Público pode conversar com os pesquisadores na atividade que contou com dez estações de trabalho (Foto: Paulo Rossi - DP)

Público pode conversar com os pesquisadores na atividade que contou com dez estações de trabalho (Foto: Paulo Rossi - DP)

A 12ª edição do Dia de Campo em Agroecologia - Alternativas para Diversificação da Agricultura Familiar de Base Ecológica trouxe novidades e reuniu delegações de vários estados, do Chile e Equador. Mil pessoas, entre produtores, técnicos, representantes de entidades parceiras e de órgãos estaduais e federais, movimentaram as dez estações distribuídas pela Estação Experimental da Cascata. O evento anual é uma iniciativa da Embrapa Clima Temperado e entre as inovações debatidas, os destaques ficaram com insumos para a agricultura, geração de energia elétrica na propriedade familiar a partir de fontes renováveis e técnica de multiplicação de mudas de batata-doce.

O coordenador técnico da Estação Experimental Cascata, Carlos Alberto Medeiros, destaca a tradição do evento realizado nesta quinta-feira (7) e as novidades deste ano. Sobre a renovação de insumos para a agricultura familiar, ressalta ter sido sempre o ponto de estrangulamento do produtor. "Vamos mostrar possibilidades para conciliar o sistema produtivo", diz. Segundo os pesquisadores, foi desenvolvido um substrato para acabar com as pragas. A ideia é trabalhar com lodo e transformar o material, um problema para a sociedade, em insumo para a agricultura.

O adubo disponível no mercado é caro e não pode ser utilizado na cultura orgânica, por isso a preocupação dos técnicos da Embrapa em trabalhar com uma fonte disponível no país inteiro. De acordo com as pesquisas, trata-se de um fertilizante mais barato, que agrega fonte orgânica mineral e auxilia a planta a crescer melhor e livre de pragas. Também foi apresentado sistema de produção de mudas para cana de açúcar em bandeja. O enfoque ficou nas variedades de cana recomendadas no Estado, com ensinamentos sobre o plantio das mudas, e o estudo das espécies recomendadas. Os pesquisadores também falaram sobre a média de produtividade, deram orientações sobre o ciclo da cana e suas características.

Entre os temas, a técnica de multiplicação de batata-doce também atraiu um grande público. Medeiros frisa que o agricultor tem muita afinidade com a cultura. É o caso do produtor de São Lourenço do Sul, Rui Pescke, 59. Segundo ele, o produto é o que mais vende em feiras ecológicas, embora plante também morango e tomate."Vim para conhecer o experimento novo, que produz muito por hectare a gente faz o comércio direto", comenta, ao acrescentar que sempre participa do Dia de Campo em Agroecologia, que é muito importante por ser a única maneira do pequeno agricultor ter acesso às novidades. Já o estudante de Agronomia da Universidade do Rio Grande do Sul (Uergs) de Cachoeira do Sul, Samuel Wolffenbattel, 19, filho de agricultores, veio a Pelotas com a turma da disciplina de Agroecologia e avaliou o evento como uma ferramenta para proporcionar mais conhecimentos ao público. Para alunos, por exemplo, é um grande aprendizado, disse.

Oportunidade de agregação de renda
O Sistema Intensivo de Cultivo de Arroz (Sica) foi tema de outra movimentada estação. Medeiros relata que viabiliza o transplante da muda e controla com duas capinas, sem uso de herbicidas. Também pela primeira vez foi falado no cultivo de nogueira Pecã como oportunidade de agregação de renda e pouca mão de obra, e a restauração ambiental, técnica simples para reestruturar o agrossistema. O coordenador técnico da Estação Experimental Cascata comenta ainda sobre a abordagem em olericultura, cultura de hortaliças, com enfoque para a compostagem laminada no solo e a revivificação.

Grupos grandes foram distribuídos entre as dez estações de forma que todos pudessem acompanhar os conteúdos e as novidades apresentadas, em um sistema de rodízio. O tempo colaborou com a realização do evento, pois o dia foi quente e de sol. Todos os participantes, já na chegada receberam água, frutas ou sanduíche. A maioria veio para Pelotas em ônibus, pois todas as equipes registraram um grande número de pessoas. As atividades iniciaram às 9h e se estenderam até as 15h. O evento contou com o apoio do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Emater/RS-Ascar, Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário e Ministério do Desenvolvimento Social (MDSA).

Todos os temas em foco
Foram debatidos nesta edição os temas Restauração ecológica - Conciliando produção à legislação ambiental na agricultura familiar; Energias renováveis - Geração de energia elétrica na propriedade familiar a partir de fontes renováveis; Sustentabilidade e incremento de renda Batata doce - Técnica de multiplicação de mudas de batata-doce; e Cultivar BRS Gaita Cana de açúcar - Sistema de produção para a agricultura familiar; Tecnologia de produção de mudas em bandejas - Novos insumos para a agricultura de base ecológica.

Ainda: Utilização de bioinsumos e de agrominerais (pós de rocha) como remineralizadores de solo Noz-pecã - Alternativa para diversificação da matriz produtiva da agricultura familiar Olericultura; Técnica da compostagem laminar; Utilização de tutores vivos na olericultura feijão; lançamento da cultivar BRS Intrépido e apresentação da cultivar BRS Paisano Apicultura. Por fim, A importância da flora apícola para a criação de abelhas, zoneamento apícola do bioma Pampa Arroz irrigado - Tipos especiais de arroz e sua importância para a agricultura familiar.


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