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Dia das mães de poucas expectativas para floriculturas

Aumento na receita tradicionalmente registrado na data não deve ser atingido este ano. Mercado da jardinagem ganha força no isolamento

07 de Maio de 2021 - 11h43 Corrigir A + A -
Comércio de flores esfriou, mas o cultivo em casa fez o movimento aumentar para outras áreas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Comércio de flores esfriou, mas o cultivo em casa fez o movimento aumentar para outras áreas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Nos tempos anteriores à pandemia a aproximação do Dia das Mães sempre foi sinônimo de boas vendas nas floriculturas. Nos dias atuais, no entanto, o cenário mudou e a data, para boa parte dos empresários, não é aguardada com boas expectativas. Por outro lado, o isolamento social estimulou a prática da jardinagem, fazendo com que as lojas comemorassem um crescimento na área.

Com a suspensão de eventos, como festas de aniversário, casamentos e formaturas, o setor florista, responsável pelo item que é quase unanimidade nas decorações, entrou em queda. Em Pelotas, os proprietários estão precisando se adaptar a novos métodos de venda para manter a renda.

Uma das empresárias que ainda sente o impacto da crise é Nutche Rejane Silva, que possui há três anos uma banca na avenida Bento Gonçalves. Com mais de duas décadas no ramo, ela conta que nunca havia sofrido tanto com a falta de clientes. Cercada de incertezas, não exclui a possibilidade de fechar seu negócio. “Na primeira vez que fecharam tudo nós precisamos ficar 45 dias parados. Eu tinha muito material, estava com a loja lotada e tive que colocar tudo fora”, conta. Segundo ela, o prejuízo na época chegou aos R$ 8 mil.
Mesmo com a aproximação de uma das três datas comemorativas com maior fluxo de vendas na visão da empresária (Dia da Mulher, das Mães e dos Namorados), o aumento esperado para a época não deve se confirmar. “Para o Dia da Mães eu coloquei uma mixaria de flores. O movimento segue parado e sem expectativa de melhora. Está todo mundo com muito medo de investir, porque nós tivemos muitas perdas”, relata.

Vendas online como refúgio

Em contrapartida, a proprietária de uma das mais tradicionais floriculturas de Pelotas, Maria Elena Schmidt, diz que o impacto econômico foi mais sentido nos primeiros meses de pandemia, quando todos estavam em processo de adaptação aos novos meios de venda. “No começo, por várias vezes eu fechava os olhos e jogava as flores fora, sem nem contabilizar. O que nos ajudou, e nos ajuda até hoje, é o atendimento por outros meios. Encomendas seguem por ligação, site e mensagem no WhatsApp”.

A loja conta somente com a comercialização de flores presenteáveis, como buquês e arranjos. Logo, o impacto da suspensão de eventos não foi sentido no estabelecimento. Sobre o Dia da Mães, há esperança. “As pessoas estão procurando presentear através de entrega, por isso nos mantemos fortes. Acredito que as vendas podem ser melhores”, finaliza.

Saída de flores para jazigos também em queda

O impacto é sentido também nas bancas à frente do Cemitério São Francisco de Paula. Embora o aumento de movimento seja percebido no local, as restrições na realização de velórios fizeram com que menos pessoas frequentassem o espaço. “As pessoas não vêm, acredito que até por medo, e o movimento deu uma parada”, destaca a proprietária de uma das bancas, Débora Chagas.

A empresária, que atua há mais de 16 anos no local, conta que a encomenda das flores é feita um mês antes, e que com a impossibilidade de abrir a loja em alguns momentos, os prejuízos ainda não conseguiram ser recuperados. “Eu comprava muita flor e já diminuí a quantidade porque não sei como vai ser o movimento. As flores para o Dia das Mães chegaram na segunda-feira. Se eu não vender até domingo, vou ter que colocar tudo fora”. Devido à necessidade de um tempo específico para a manutenção das plantas naturais, Débora investiu em flores artificiais e, para garantir o sustento, passou a confeccionar coroas de flores para uma funerária de outro município.

Jardinagem em alta

Se por um lado o setor de floriculturas tem sentido a crise, o mercado da jardinagem encontrou no isolamento social uma oportunidade de crescimento financeiro. Com um maior tempo em casa, boa parte da população tem dedicado algumas horas do dia ao cultivo de plantas. Wagner Krolow, proprietário de uma floricultura que conta com itens de jardinagem, como sementes, vários tipos de terra e equipamentos, conta que o resultado do último ano foi acima da média. “Tivemos, inclusive, um aumento na clientela. O pessoal que não tinha o dom de cultivar plantas acabou, dentro de casa, achando o que fazer e foi cultivar nem que seja um tempero. Serve até como uma terapia”.

O empresário, aponta que inicialmente o prejuízo foi todo do produtor, responsável pelo fornecimento à loja. “Um dos nossos fornecedores colocou milhares de vasos fora, não tinha demanda”. A boa notícia é que com a liberação parcial das atividades no município, o movimento duplicou no local. “Mesmo no momento em que o decreto deixava somente atendermos no portão, tínhamos fila na frente. Não podemos nos queixar.”, destaca.

Sobre a expectativa para o Dia das Mães, Wagner conta que, para o setor de jardinagem, também é uma das datas mais esperadas, e que as vendas já batem a meta. “A gente até estava na dúvida sobre como seria esse dia, com receio de comprar mercadoria, mas já deu para perceber essa semana muita gente antecipando compras. Se seguir assim, quer dizer que vai ser bem bom para nós”, finaliza.


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