Nosso Bairro

Demandas históricas nos balneários

Falta de água, iluminação pública, ruas transitáveis e mais horários de ônibus estão entre as reivindicações no Laranjal

23 de Maio de 2022 - 16h49 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

A dona de casa Isa Rosa Soares Barboza, 60, moradora do Laranjal, diz que faz a sua parte cuidando da praia.  (Foto: Jô Folha - DP)

A dona de casa Isa Rosa Soares Barboza, 60, moradora do Laranjal, diz que faz a sua parte cuidando da praia. (Foto: Jô Folha - DP)

Cobranças. Marinez pede atenção com a água, o lixo e o transporte coletivo. (Foto: Jô Folha - DP)

Cobranças. Marinez pede atenção com a água, o lixo e o transporte coletivo. (Foto: Jô Folha - DP)

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As folhagens que formam o arco sobre o calçadão da praia chamam a atenção dos frequentadores. Nem mesmo as manhãs frias afastam o público, que não abre mão de suas selfies junto ao letreiro recém instalado próximo ao trapiche. São moradores que fazem questão de valorizar o presente que a natureza entrega diariamente. “Mas é preciso cuidar. Eu faço a minha parte, separo o lixo para a coleta”, diz a dona de casa Isa Rosa Soares Barboza, 60, moradora do Laranjal há 14 anos. Sem dispensar a rotina matinal, que inclui pedaladas pelo bairro, ela conta que se angustia toda vez que encontra valetas sujas. Com este relato, o projeto Nosso Bairro abre espaço para as principais reivindicações da comunidade praiana.

“Já morei em vários lugares do Estado e posso garantir que não há praia mais linda que essa. Pena que tem gente que estraga”, lamenta o senhor aposentado que aborda a reportagem no calçadão, mas prefere não se identificar. “Há muitos animais soltos e ninguém fiscaliza. São cavalos e bovinos que invadem nossas casas e fica por isso mesmo. Já tentei plantar vários tipos de plantas na minha casa, mas as vacas comem tudo.” A situação logo foi flagrada pelo fotojornalista do DP, Jô Folha, na avenida Arthur Assumpção, onde quatro vacas pastavam em frente a uma residência. Também aposentada, Maria de Lurdes diz sentir falta das aulas de zumba e sugere a plataforma montada para o letreiro do Laranjal como local para a atividade. E reclama da iluminação pública no bairro e da redução nos horários de ônibus.

Tratamento diferente

No Balneário dos Prazeres, as broncas parecem mais acentuadas. Considerado por alguns como o “primo pobre” do Laranjal, o chamado Barro Duro pede maior atenção. No entendimento da líder comunitária Marinez Bast Simões, 56, não há igualdade de tratamento. Usando as redes sociais, ela diz que busca conscientizar a população para que cada um cuide de seu canto para, além de servir de referência a outros bairros, chamar a atenção do poder público.

A lista de reivindicações é grande. Começa pelo atendimento na UBS, onde uma médica, que chegou recentemente, se desdobra. Para Marinez, a prefeitura precisa agir em questões básicas como a falta de água, horários de ônibus, o lixo em terrenos e ainda a qualidade das ruas. “Seria necessário asfaltar a Torres e a Ceará, além de melhorar a Amazonas, pois minha casa já apresenta rachaduras”, aponta. Até a fiscalização do tipo de produto usado na pulverização de pastagens na entrada do balneário é citada como uma demanda local.

As soluções

Mais moradores, mais consumo de água e um abastecimento que ainda deixa a desejar. Quem não tem caixa d’água ou bomba, diariamente fica com a torneira seca à tarde e, por vezes, à noite – problema que atinge principalmente a Nesga e o Barro Duro. Segundo o Sanep, no último verão a autarquia trabalhou em força-tarefa para amenizar efeitos da estiagem. Com os baixos índices de chuva nos últimos anos, o nível do arroio Pelotas diminuiu e possibilitou a entrada da água salgada, exigindo que a autarquia usasse temporariamente o método antigo de distribuição: parte da água do reservatório R8, no Areal. A manobra aumentou o ciclo de paradas dos reservatórios. Em abril, os 140 milímetros de chuva auxiliaram na questão da salinidade no arroio e, atualmente, o sistema de abastecimento funciona a pleno nos balneários. Em cenário considerado mais favorável em termos de salinidade, há uma semana o abastecimento está normal, garante o Sanep.

Patrola

Com uma patrola própria, adquirida no ano passado, ruas esburacadas não recebem manutenção só quando o clima não permite. O secretário de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI), Fábio Suanes, diz que a decisão de que o maquinário ficaria no Laranjal foi motivada pela necessidade que a região tem pela grande extensão de ruas não pavimentadas. Quanto à limpeza, a pasta adianta que o cronograma é estabelecido pelas necessidades verificadas pela Coordenadoria de Serviços e Ações Comunitárias (Cosac) Laranjal, que fica à avenida José Maria da Fontoura, 775, onde podem ser feitos pedidos de recolhimento de galhos ou roçagem. Os serviços podem ser solicitados das 8h ao meio-dia e das 13h30min às 17h30min, de segunda a sexta-feira, ou pelos telefones (53) 3229-1401 e 3283-1129 da Secretaria, e WhatsPel no número (53) 99122-8701. Ainda há a opção pelo link bit.ly/WhatsPel ou através da Ouvidoria, pelo 156.

Iluminação Pública

A conta de luz do último mês já conta com a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip). Para os moradores ouvidos pela reportagem, a mesma agilidade da cobrança poderia ser usada para a troca de lâmpadas atuais pelas de Led. Para o secretário Suanes, essa é uma das grandes demandas dos bairros. A expectativa é de que, com os recursos nos cofres públicos, seja possível dar início às melhorias. O procedimento para contratação da empresa que fará esse trabalho está em andamento. Enquanto isso, equipes do Departamento de Iluminação Pública fazem a substituição de lâmpadas de acordo com o cronograma, que prevê, inclusive, o atendimento de diversos pedidos do balneário Valverde até o final deste mês. Caso demore, as solicitações podem ser feitas à Cosac Laranjal.

Transporte público

Quem mora no Barro Duro e trabalha nos balneários Valverde ou Santo Antônio sente na pele a retirada do seletivo que fazia o transporte entre as localidades, segundo aponta Marinez. Pelos dados da Secretaria de Trânsito e Transporte (STT), no entanto, entre fevereiro e maio foram acrescentados no transporte mais de 200 horários nas horas consideradas de pico, incluindo os itinerários do Laranjal e Colônia Z-3. Em relação ao seletivo, a STT afirma que estuda o retorno, ainda sem previsão. No entanto, estão sendo utilizados micro-ônibus em diversos horários, sendo cobrado o preço da passagem de ônibus comuns, de R$ 5.


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