Estiagem

Defesa Civil trabalha forte em Rio Grande

Equipes mantêm abastecimento doméstico e levam alívio a famílias da zona rural do município

14 de Janeiro de 2022 - 09h57 Corrigir A + A -
Estiagem impõe muitas dificuldades aos moradores - Foto: Richard Furtado - PMRG - DP

Estiagem impõe muitas dificuldades aos moradores - Foto: Richard Furtado - PMRG - DP

“Moro aqui há dez anos e este tem sido o mais difícil”, declara a agricultora Valéria Ferreira Nunes, residente na Ilha do Leonídio, no interior de Rio Grande. Além do prejuízo na produção de hortaliças, ela e a família têm sofrido com outra preocupação: a falta de água potável. A família é uma das oito da zona rural que, atualmente, são abastecidas pela Defesa Civil.

No local existem duas casas, a de Valéria e outra de seus sogros, ambas às margens de uma estrada de terra. O sol forte e o clima árido explicam um pouco como a vegetação perdeu sua cor e hoje exibe galhos secos e sem vida, debruçados uns sobre os outros. Onde deveria estar a lavoura, o que se vê hoje é uma terra esbranquiçada e seca, praticamente desértica. Nas últimas semanas a família Nunes plantou algumas mudas de brócolis e repolho, mas nada vingou.

As bombas, antes utilizadas para irrigação, estão paradas, já que nem mesmo a água dos lençóis freáticos da ilha - imprópria para o consumo - tem sido encontrada. “Cultivamos cebola e hortaliças, mas com a seca está bem difícil. Temos perdido muita produção”, diz.

Durante boa parte do ano, as cinco pessoas da família têm acesso a água potável através de um amplo sistema de captação da chuva instalado sobre o galpão da propriedade. Desde o início da estiagem em dezembro, no entanto, toda a água usada nas casas chega em caminhões-pipa do Exército Brasileiro que atua em parceria com a Defesa Civil do município. Na quinta-feira (13), foram 12 mil litros de água potável, o suficiente para encher 50% do reservatório dos Nunes. O estoque é suficiente para dez dias, pelas contas de Valéria.

“É água para consumo, banho, fazer comida e uso doméstico no geral. Se não fosse pelo apoio da Defesa Civil, não sei como nós estaríamos nos virando”, comenta.

Nos últimos meses três poços já foram perfurados na região com a esperança de encontrar água própria para o consumo, mas apesar de terem profundidades diferentes, os resultados foram semelhantes e escancaram as dificuldades de quem mora por ali. “Nos três poços encontramos a mesma água, que é salobra, amarela e com cheiro ruim. Só dá mesmo para para molhar as plantas, mas não temos como usar para consumo”, afirma.

Ações constantes

Os dados da Defesa Civil mostram que o atual momento da seca é pior do que o contexto enfrentado nos últimos anos. “Entre o final de 2019 e início de 2020 tivemos uma grande seca, mas se teve períodos chuvosos. Agora estamos há quase dois meses sem uma chuva considerável. Foram apenas oito milímetros nos últimos 40 dias”, diz o secretário-executivo da unidade, Anderson Montiel. Cerca de 60 mil litros de água potável já foram transportados nas últimas semanas para famílias da Ilha do Leonídio. Conforme estimativa da Defesa Civil, outros 36 mil litros deverão ser entregues na próxima semana, em ações que serão realizadas na segunda, terça e quarta-feira. Atualmente são oito famílias que dependem das ações conjuntas da prefeitura através da Defesa Civil, Exército e Corsan.

“Devido à severidade da situação acreditamos que o número de famílias afetadas deve aumentar e, além do Leonídio, já temos pedidos para atender moradores da Ilha dos Marinheiros”, diz o coordenador da Defesa Civil, Rudimar Machado.

A previsão de possibilidade de fortes chuvas no domingo (16) lança um pouco de esperança no ar seco das ilhas e anima os defensores civis, mas as ações de auxílio às populações necessitadas não irão parar.


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