A luta é na rua!

De oito a dez mil pessoas vão às ruas em defesa da Educação, em Pelotas

Largo Edmar Fetter ficou pequeno para receber o ato público que se transformou em marcha rumo ao prédio do IFSul, no final da tarde

15 de Maio de 2019 - 20h36 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Público de todas as idades foi às ruas se manifestar nesta quarta-feira, em todo o país (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Público de todas as idades foi às ruas se manifestar nesta quarta-feira, em todo o país (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Verba para Educação não é gasto, é investimento (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Verba para Educação não é gasto, é investimento (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Manifestação contou com cartazes, faixas, bandeiras e muita originalidade para repudiar as medidas do Governo Bolsonaro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Manifestação contou com cartazes, faixas, bandeiras e muita originalidade para repudiar as medidas do Governo Bolsonaro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O 15 de maio também foi marcado por intervenções artísticas, em Pelotas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O 15 de maio também foi marcado por intervenções artísticas, em Pelotas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Milhares de rostos, todas as idades e uma única voz: Não vai ter corte, vai ter luta. Foi uma das frases mais entoadas nesta quarta-feira (15) de Greve Nacional da Educação, em Pelotas. O largo Edmar Fetter ficou pequeno para receber o ato público que se transformou em marcha de uma hora e 23 minutos até o prédio do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), na praça 20 de Setembro, no final da tarde. Estimativa da Brigada Militar (BM) aponta de que de oito a dez mil pessoas participaram do movimento.

A declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao chamar os manifestantes de "idiotas úteis", alimentou o protesto com ainda mais energia. E o recado foi repetido, sem cansaço: Eu tô na rua. Não abro mão. Nossa balbúrdia vai salvar a Educação. Para chamar a atenção da comunidade e arrancar aplausos e buzinas em apoio não faltou imaginação. Balões e rostos pintados de preto. Apitos, chocalhos, panelas e megafones. Faixas, cartazes e bandeiras de movimentos sociais, de sindicatos e de partidos políticos.

Alunos de cursos, como Música, Dança e Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) também ajudaram a destacar a importância do ensino público de qualidade e apresentaram performances durante o ato. E o 15 de maio não contou apenas com a participação de professores, de técnico-administrativos e de estudantes da UFPel e do IFSul, que correm o risco de fechar as portas a partir de setembro devido aos cortes de mais de 30% no orçamento de custeio. Trabalhadores da Educação das redes municipal e estadual de ensino e secundaristas engajaram-se ao movimento. Professores da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) também reforçaram a mobilização.

Entre um discurso acalorado e outro, uma das palavras de ordem mais ouvidas foi a mesma que já havia ecoado durante o período eleitoral, em Pelotas: Ele não.

Pela educação, sim
O vendedor Amauri Kruger Lettninn, 59, não pensou duas vezes. Era preciso sair às ruas nesta quarta-feira. E foi o que fez. "Não tô aqui só pela Educação. Tô também pelo trabalho", resume. E lembra de quando comercializava em torno de 700 churrasquinhos, por semana, até ver a movimentação despencar para cerca de cem e o negócio deixar de existir. "Sempre fui pra rua". Foi assim, quando decidiu engrossar o movimento das Diretas Já, na década de 1980. Agora, mais uma vez, Amauri fez questão de se incorporar às mobilizações. Um ato que, de novo, enaltece o peso da democracia.

Dia começou com sessão especial da Câmara de Vereadores
O clima colaborou, o sol apareceu e o dia de Greve Nacional da Educação começou com sessão da Câmara de Vereadores, no largo Edmar Fetter. A urgência em reverter o bloqueio de recursos foi transmitida às falas de parlamentares e de representantes da UFPel e do IFSul.

Ao assumir a tribuna e se pronunciar em nome da reitoria do IF, Antônio Carlos Brod, destacou a Educação como portal para o desenvolvimento de uma nação: "É o início, o meio e o fim de tudo; desde a Educação Infantil até a pós-graduação". Em dez minutos, Brod também criticou o modelo historicamente adotado no Brasil, em que os projetos não são de Estado e, sim, de governo: "Aí ficamos sujeitos ao governo que está de plantão, às suas ideologias e à matiz partidária e quem mais sofre é a Educação", defendeu.

O vice-reitor da UFPel, Luís Amaral, engrossou o coro e foi direto ao ponto: "É preciso rechaço a esta forma de fazer gestão", sustentou. E reiterou a posição contra as medidas do Governo Bolsonaro: "A razão não é econômica, não é técnica para o corte. Não há uma dificuldade da sociedade brasileira em poder financiar sua educação. O que há é uma decisão política de fazer um corte na Educação, como um todo, no país". Luís Amaral argumentou ainda que o país não passa por epidemia, guerra, trauma ou qualquer cenário de alteração na arrecadação de impostos que justifiquem o contingenciamento.

Relembre o impacto
O corte de verba anunciado pelo governo federal arranca R$ 23,2 milhões do caixa da UFPel, que conta com mais de 20 mil alunos, 96 cursos de graduação - 92 presenciais e quatro a distância - e 48 programas de pós-graduação; 31 deles com doutorado.

No IFSul, o corte em custeio, nos 14 campi, ultrapassa os R$ 16,2 milhões e equivale a 37,1% do programado para 2019. É um estrago que, hoje, afetaria aproximadamente 24 mil estudantes na região.

 

 


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