Pandemia

De 29 escolas estaduais, só três retomam ensino presencial

Ao todo, apenas 13 alunos compareceram às aulas em Pelotas; nesta terça-feira uma quarta instituição deve abrir as portas

03 de Maio de 2021 - 21h32 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

No Colégio Cassiano do Nascimento, nenhum aluno compareceu na manhã desta segunda; na turma do 1º Ano, cinco alunos estavam previstos (Foto: Jô Folha - DP)

No Colégio Cassiano do Nascimento, nenhum aluno compareceu na manhã desta segunda; na turma do 1º Ano, cinco alunos estavam previstos (Foto: Jô Folha - DP)

Instituições reforçaram os protocolos preventivos, com álcool em gel, medição de temperatura  e uso de tapete sanitizante (Foto: Jô Folha - DP)

Instituições reforçaram os protocolos preventivos, com álcool em gel, medição de temperatura e uso de tapete sanitizante (Foto: Jô Folha - DP)

Pela manhã, escola Padre Rambo, no Fátima, recebeu apenas dois alunos do 1º Ano (Foto: Jô Folha - DP)

Pela manhã, escola Padre Rambo, no Fátima, recebeu apenas dois alunos do 1º Ano (Foto: Jô Folha - DP)

Apenas três escolas da rede estadual, de um total de 29 que se encaixam em Educação Infantil e em Séries Iniciais do Ensino Fundamental, retornaram às aulas presenciais nesta segunda-feira (3) em Pelotas. A falta de alunos encaminhados, por decisão das famílias, e a escassez de profissionais nas equipes devido aos grupos de risco para Covid-19 despontam entre as principais razões para as portas terem permanecido cerradas. De um total de dez turmas, nos dois turnos, somente 13 estudantes estiveram no Colégio Cassiano do Nascimento e nas escolas Padre Rambo e Lélia Olmos. No turno da manhã, só duas crianças compareceram.

Nesta terça-feira, à tarde, a Escola Santo Antônio também prepara-se para acolhida. Nas outras 17 cidades da área de cobertura da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE), nenhuma das instituições recebeu estudantes por conta dos decretos municipais.

Enquanto isso, segue o clima de dúvida sobre a continuidade do calendário presencial. Nesta segunda, uma reunião de conciliação realizada ao longo de três horas, no Judiciário de Porto Alegre, terminou sem acordo entre representantes do Cpers-Sindicato e de entidades como a Associação das Mães e Pais pela Democracia e membros do governo do Estado. A expectativa, portanto, volta-se à apreciação do pedido de liminar, já encaminhado na semana passada, para suspensão imediata das atividades. Ainda assim, uma nova rodada de conciliação ficou agendada para esta quarta-feira, às 14h.

Na Padre Rambo, apenas três alunos

Das 96 crianças matriculadas entre as quatro turmas de 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, a estimativa da direção era de que 20 estudantes - cinco em cada uma das salas - cruzassem a porta de entrada. A projeção, entretanto, não se confirmou e só três alunos compareceram; dois pela manhã e um à tarde. Antes de despedir-se, mesmo com atividades programadas para apenas duas horas, as famílias assinaram um Termo com regras que deveriam ser respeitadas.

"Eu tô precisando pagar uma pessoa pra ficar com ela, então, pelo menos, será menos tempo", explica a mãe de Marília Valentina, de seis anos, Simone de Oliveira, 38. A autônoma Cassielen Lemos, 37, também aproveitará o período em que o pequeno Erick, de seis anos, estará na escola para dedicar-se à compra de ingredientes para o preparo de salgados e também à venda dos produtos. "Agora que tá tudo reabrindo, posso ir ao Centro vender".

Os dois, que estavam ansiosos em conhecer a Padre Rambo, já estavam recomendados sobre cuidados básicos. Nas mochilas, álcool em gel e garrafa de água. Na hora de entrar na escola, braço esticado para verificar a temperatura e pé firme sobre o tapete com água sanitária.

No Cassiano do Nascimento, estudantes só à tarde

A baixa adesão também foi registrada no Cassiano. Durante a manhã, nenhum aluno compareceu; nem os que haviam indicado que iriam. Entre as quatro turmas de 1º e 2º Anos, a instituição possui 103 crianças matriculadas. Claro que se as famílias de todas elas decidissem pela retomada presencial, a escola precisaria estabelecer rodízio já que há o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre as classes e um teto de 50% da ocupação da sala.

Ainda assim, das 11 crianças previstas, quatro compareceram.

No Lelia Olmos, número também não se confirmou

Garantir a distância mínima entre os estudantes também não foi problema na escola Lelia Olmos, no bairro Areal. Somente quatro alunos do 2º Ano e dois do 1º Ano foram à aula nesta segunda-feira. As salas, entretanto, contam com capacidade de abrigar até dez estudantes. Por isso, se as 47 crianças matriculadas entre as duas turmas decidissem participar das atividades presenciais, o rodízio seria inevitável.

"Neste momento, estamos chamando aqueles que estão sem acesso à plataforma e afastados da escola", explica a diretora Alma Cristina Pinto. É a orientação que deve ser aplicada a toda rede estadual.

Planos de Contingência e EPIs garantidos

Nenhuma das 125 escolas vinculadas à 5ª CRE estaria impedida de reabrir em função de problemas de infraestrutura, como falta de água por exemplo. Quem assegura é a coordenadora Alice Szezepanski. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) estariam à disposição e os Planos de Contingência estão aprovados pela 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS). A fase ainda é de contato com as famílias e de ajuste no quadro de professores e funcionários.

"O levantamento está sendo realizado pela Seduc. Enquanto o ensino esteve só remoto, mesmo que a escola tivesse um número grande de Recursos Humanos como grupo de risco ela funcionou até agora. Com o presencial, a escola precisa se ajustar". E, claro, as instituições só podem abrir as portas se os decretos municipais permitirem.

Entenda melhor

* Quantas escolas poderiam estar em funcionamento presencial: Das 53 instituições da rede estadual em Pelotas, somente 29 se enquadram nos níveis e modalidades que estão liberados para o presencial. As outras 24 desenvolvem atividades dirigidas aos Anos Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Técnico ou Normal.

* O que determina o decreto municipal: Ao contrário do decreto editado na última semana pelo governo do Estado, que autorizava a retomada presencial da educação em todos os níveis no Rio Grande do Sul - da Infantil ao Ensino Superior -, em Pelotas, a prefeitura foi mais restritiva. Além da Educação Infantil e do 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental nas redes estadual e particular, só estão liberadas aulas práticas e de laboratório em estabelecimentos privados de Ensino Superior e Pós-Graduação. A rede municipal segue sem data definida para o retorno presencial.

 


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