Fechado

Cruz de Prata é interditado pela Vigilância Sanitária

Falta de alvará, de profissionais, de higienização e de estrutura foram os principais motivos da medida

13 de Fevereiro de 2020 - 11h53 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas e Rafaela Rosa
web@diariopopular.com.br

*Atualizada às 19h21min para acréscimo de informações.

Quem procurou a Clínica e Pronto Socorro Cruz de Prata, na manhã desta quinta-feira (13), encontrou o local fechado. Por volta das 9h, o Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Pelotas interditou o prédio. De acordo com o coordenador do departamento, Sidnei Louro Jorge Júnior, a empresa está com o alvará sanitário vencido desde setembro do ano passado. O Cruz de Prata tem 15 dias para apresentar defesa. Já a interdição cautelar corre no prazo de 90 dias.

A medida extrema, como Sidnei considera, tem como base a avaliação das enfermeiras fiscais Jacqueline Koja e Juliana Ferraria Alland, além da agente fiscal Cristiane Moura. Elas estiveram no local na última terça-feira e constataram várias irregularidades. O depoimento de alguns usuários também fundamentou o pedido de interdição. Conforme o coordenador da Vigilância houve relatos de falta limpeza nos banheiros, que não há higienização dos aparelhos para atendimento de fisioterapia. "Não é a primeira vez que o local apresentou problemas. Em 2017, ele foi autuado, mas acabou regularizando o básico", conta Sidnei.

Segundo a equipe de enfermeiras e a fiscal, cerca de 370 pessoas são atendidas por dia no setor de fisioterapia, sendo que no dia da visita havia somente um profissional e três estagiários que estariam sobrecarregados. "Neste mesmo dia, nós contamos que 35 pacientes entraram ao mesmo tempo para fazer o tratamento e muitos se queixam que têm prescrito 30 minutos de exercício, mas fazem de cinco a dez", relataram.

Os pacientes com horário marcado para esta quinta e demais dias estão sendo orientados a procurarem a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e reagendar o atendimento.

Recorrente

Ainda segundo a coordenação, em novembro do ano passado, a equipe entregou um termo de adequação do local, com prazo de 30 dias. "Dois dias antes de terminar o prazo, eles vieram buscar o documento, o que demonstra falta de preocupação", considerou Sidnei. Na terça-feira, após nova vistoria ficou decidido pelo fechamento provisório do local, sendo que um processo administrativo foi instaurado.

O Cruz de Prata é um empresa particular que presta atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através de convênio com a prefeitura, e recebe mensalmente entre R$ 32 e 34 mil, destinado aos atendimentos fisioterápicos. Além disso, presta serviço particular e convênios. A reportagem do Diário Popular esteve no local e também tentou contato com a empresa via telefone e redes sociais, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Pegos de surpresa

Márcio André Cardoso tinha uma sessão de fisioterapia agendada para às 14h desta quinta. Através das redes sociais ficou sabendo da interdição, mas resolveu ir até o local para ter certeza. "Eu não sei como será daqui pra frente, não posso parar com esse tratamento", desabafou. Ele teve uma tendão rompido e já estava finalizando as primeiras 40 sessões, mas acredita que ainda teria, pelo menos, cerca de 20 pela frente. Sobre as denúncias, Cardoso disse que nunca teve problemas com a instituição e com o atendimento prestado. Depois de ter certeza do ocorrido, o desempregado de 37 anos seguiu até a SMS para receber as orientações necessárias.

Quem ocupava o horário das 15h30min era Zulmira Alves, de 70 anos. A idosa, moradora da Cohab Lindoia, se desloca de ônibus diariamente até o Cruz de Prata para realizar tratamento fisioterápico em um dos pulsos. Quando chegou na frente do hospital foi surpreendida por um cartaz que comunicava a interdição. Faltam apenas quatro sessões para a idosa finalizar o tratamento e agora ela não enxerga outra alternativa a não ser desistir. "Como falta pouco, eu vou parar de fazer, se seguisse aqui eu terminaria", disse.


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